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Curiosidades 4. 5. 2021

De que forma é que aquilo que vestimos influencia o nosso humor?

by Carolina Serras

 

Se soubesse que a roupa que escolhe pode determinar o seu estado de espírito, como é que se vestiria? Desde as peças que escolhemos à sua cor, podemos alterar o estado de espírito através da arte que é vestir. 

 Guy Laroche, outono/inverno 1971 ©Bettmann/Getty Images

Para os que trabalham a partir de casa, a rotina pré-covid - de arranjar o cabelo, escolher a roupa certa e combinar o casaco com os sapatos - foi trocada pelas sweatpants e canecas de café, e, para aqueles que voltaram à rotina de trabalho normal, escolher o que vestir todos os dias pode tornar-se numa grande dor de cabeça. Mas quer trabalhe a partir de casa ou presencialmente, a roupa que decide usar, bem como as cores, pode influenciar ativamente o seu estado de espírito.

É preciso salientar que o bem estar mental de uma pessoa vai muito além da roupa que decide usar. No entanto, vários estudos apontam para a influência que a roupa pode ter no estado de espírito. “É uma das coisas mais importantes que uma pessoa pode fazer para melhorar a sua saúde mental, emocional e psicológica”, afirma a psicóloga e cientista emocional Tracy Thomas, ao The Huffington Post. A psicóloga defende que o simples ato de juntar um colar brilhante ao fato de treino que usamos em casa, pode ajudar a trazer mais brilho ao nosso dia.

Seja combinar um top especial com as típicas sweatpants, colocar uns brincos ou acessórios que nos façam sentir bem, pintar os lábios com um batom vibrante ou aplicar um bom perfume, qualquer um destes esforços para a manutenção da aparência - de forma saudável (sempre) - pode ajudar a que se sinta mais motivada e produtiva ao longo do dia. Também a psicóloga clínica Sheva Assar corrobora a ideia ao The Huffington Post, afirmando que acredita que uma pessoa, ao usar peças de roupa que gosta e a arranjar-se um pouco, “aumenta a motivação para fazer mais coisas ao longo dia e experienciar mais energia (...) ajuda a sair daquele ciclo de inatividade”. 

Porque é que isto acontece?

Hajo Adam e Adam D.Galinsky explicam o fenómeno no artigo Enclothed cognition (em português, “cognição de vestuário”), publicado no Journal of Experimental Social Psychology, em 2012. Afirmando que, de facto, a roupa pode mesmo influenciar os processos biológicos de um indivíduo, podendo alterar o estado de espírito, a performance, o comportamento e a auto-estima.

Os autores concentraram-se no valor simbólico da roupa e na experiência física do uso de cada peça, realizando algumas experiências: numa delas, colocaram dois grupos de pessoas - um com roupas de quotidiano e outro com roupas de quotidiano e uma bata de laboratório, que disseram ser de médico - e colocaram questões aos participantes. O grupo de pessoas que usava a bata de “médico”, teve um desempenho muito superior ao grupo que se encontrava com roupas de quotidiano. Numa segunda experiência, deram batas de laboratório aos dois grupos, mas a um disseram ser uma bata de médico, e a outro disseram ser a bata de um pintor; voltaram a colocar as questões e o resultado foi o mesmo: o grupo de pessoas que achava estar a usar uma bata de médico, obteve muito mais respostas certas em relação aos outros grupos. Tudo pelo valor simbólico atribuído à bata de médico - atenção e concentração. O sentimento que a roupa nos transmite, transforma-se em mudanças no comportamento e na performance, dependendo da situação.    

Cor e mais cor 

Para além do tipo de roupa e do significado que concedemos a cada peça de vestuário, outro elemento que também influencia o estado de espírito é a cor das peças. A isto chama-se Cromoterapia, que defende que as cores podem ser usadas como terapia para o tratamento de certas doenças, como o stress e a depressão. De acordo com a Cromoterapia, as cores despoletam sensações diferentes nas pessoas, e sendo assim, podem ser usadas para influenciar o humor e melhorar o astral. Uma peça de roupa com uma cor mais quente, como laranja ou vermelho são mais estimulantes do que peças de cores frias, como o azul e o cinzento, que são mais tranquilizantes. 

Por exemplo, se estiver a ter um dia mais em baixo e precisar de motivação, experimente usar laranja ou amarelo, que são cores associadas à vivacidade e ao otimismo. Se por outro lado, pretende  ter um dia calmo e relaxante, opte por roupa em tons de azul ou verde, que são cores associadas à natureza e tranquilidade. Se preferir ter um dia mais romântico e delicado, escolha a cor mais simpática: rosa - ligada à fantasia e romance. Se preferir ter um dia aconchegante, o castanho pode ser a melhor opção, estando ligado à estabilidade e segurança. Para um dia cheio de mistério e misticismo, opte pelo roxo, ligado à criatividade e ao poder, e para um dia mais elegante, escolha o preto, a cor ligada à introversão e elegância. 

Se agora trabalha presencialmente, arranjar-se para sair de casa passou a fazer parte da sua rotina, mas se continua em teletrabalho, vestir o mesmo pijama ou o mesmo fato de treino todos os dias, pode fazer com que se sinta mais “mole” ao longo da semana, bem como pouco produtivo.  Por isso, se tiver que ficar em casa, experimente arranjar-se para si, com roupas que considere tanto de estimulante como de confortáveis, e observe como o seu estado de espírito se pode alterar.