Entrevistas  

Daiyaana Muhammad: “Orgulho-me de todas as oportunidades que me permitem representar mulheres que não se encaixam numa única categoria”

14 Jul 2026
By Vogue Portugal

Entre as várias ocupações (enfermagem, Moda, maternidade, fitness) que Daiyaana Muhammad inclui na sua rotina, há uma que admite nunca ficar para trás: cuidar de si própria.

Daiyaana Muhammad, nascida e criada em Los Angeles, é uma espécie de faz-tudo: enfermeira, modelo, mãe e instrutora de pilates. No que toca a conquistas, Muhammad sempre se mostrou persistente e empenhada: licenciou-se em enfermagem pela Brookline College e tirou o mestrado em liderança e gestão de cuidados de saúde, na Western Governors University. 

Universo da saúde à parte, a modelo tem vindo a tornar-se uma presença assídua na Semana de Moda de Paris. Ainda assim, seja a nível mental ou físico, Muhammad nunca abdica de uma rotina saudável e equilibrada, e o seu foco centra-se na atividade que está a praticar, para que realmente viva cada momento.

Num estilo de vida que tudo tinha para se tornar uma miscelânia de stresses, a modelo acredita que, quando lidamos com várias responsabilidades, é necessário organizar prioridades e vivê-las com leveza. Numa conversa com a Vogue Portugal, Muhammad guia-nos através dos seus horários exigentes e mostra que é possível sair de uma rotina monótona — onde as mulheres podem dedicar-se a várias paixões sem terem de escolher apenas uma identidade.

Qual foi o momento exato em que decidiu que queria ser modelo e quando percebeu que tinha futuro nessa área?

A carreira de modelo era algo que adorava desde muito jovem, mas a vida levou-me primeiro para a enfermagem, porque cuidar das pessoas sempre foi a minha vocação. A Moda nunca me abandono, esteve sempre lá, em segundo plano. Quando voltei a esse mundo e comecei a trabalhar com fotógrafos, designers e publicações incríveis, percebi que havia espaço para todas as facetas de quem sou. Foi então que compreendi que isto já não era apenas um passatempo. Tornou-se outra forma de contar a minha história.

Como concilia a sua individualidade, as suas raízes e as suas convicções com as exigências e visões dos designers?

Aprendi que as colaborações mais fortes acontecem quando todos trazem a sua perspetiva autêntica. Sou sempre a minha versão mais autêntica, com os meus valores, as minhas experiências e a minha cultura, e depois deixo que a visão criativa se desenvolva a partir daí. A Moda é sobre contar histórias, e acredito que as histórias mais poderosas são as mais honestas. Nunca senti que tivesse de me tornar outra pessoa para criar algo bonito.

Esta indústria pode ser bastante stressante. Como é que mantém os pés assentes na terra e cuida da sua saúde mental?

A enfermagem ensinou-me que não se pode derramar de um copo vazio. Essa lição tem-me acompanhado em todas as áreas da minha vida. Dou prioridade à atividade física, ao tempo com os meus filhos, à meditação e a momentos de tranquilidade para me reconectar comigo mesma. Por mais ocupada que a vida se torne, lembro-me de que o meu valor não é definido por uma campanha publicitária ou por uma passerelle. Manter os pés assentes na terra começa por se saber quem se é fora da carreira.

Para si, a Moda é uma forma de armadura para enfrentar o mundo ou uma forma de expressão artística livre?

Um pouco de ambas as coisas. A Moda dá-me confiança, mas, acima de tudo, é uma expressão criativa. Cada look conta uma história diferente ou capta um estado de espírito distinto. Adoro o facto da Moda permitir que as pessoas se comuniquem sem dizer uma palavra. É uma forma de Arte que celebra a individualidade.

Entre ser enfermeira, instrutora de pilates e mãe, como arranja tempo também para a Moda?

As pessoas perguntam-me frequentemente como é que consigo fazer tudo, mas a verdade é que não tento fazer tudo ao mesmo tempo. Aprendi a gerir o meu tempo de forma consciente e a estar totalmente presente onde quer que esteja. Quando estou com os doentes, sou enfermeira. Quando estou a dar aulas de pilates, é nisso que me concentro. Quando estou em casa, sou mãe. A Moda é outra paixão que me dá energia, em vez de me tirar tempo das outras. É tudo uma questão de equilíbrio e de dar a cada papel a atenção que merece.

De que forma aprender a gerir o caos na área da saúde a ajudou a manter a calma nos bastidores da Moda?

A área da saúde ensina-nos a pensar com clareza sob pressão, porque a vida das pessoas depende disso. Depois de trabalhar em serviços de urgência, um fitting atrasado ou uma alteração de última hora na agenda já não me parecem insuportáveis. A enfermagem ensinou-me resiliência, adaptabilidade e a manter a calma quando as coisas não correm conforme o planeado. Essas competências aplicam-se a qualquer setor.

Qual é o seu ritual de autocuidado mais importante, aquele a que não abrirá mão por nada?

O exercício físico. Seja pilates, algum tipo de treino ou simplesmente reservar algum tempo para me alongar e reconectar com o meu corpo, é algo para o qual arranjo sempre tempo. Também não se trata de aparências, mas sim de me sentir forte, saudável e com a mente clara. Tudo o resto corre melhor quando cuido primeiro de mim própria.

Se pudesse voltar ao início da sua carreira, que conselho daria à jovem Daiyaana?

Dir-lhe-ia para não ter pressa. Cada capítulo prepara-nos para o seguinte, mesmo quando isso não faz sentido naquele momento. Passei anos a construir uma carreira na área da saúde antes da Moda se tornar uma parte importante da minha vida e não mudaria essa jornada. Deu-me perspetiva, compaixão e confiança. Simplesmente lembraria à minha versão mais jovem para confiar no momento certo.

Há algum projeto de que se orgulhe particularmente?

Sinceramente, orgulho-me de todas as oportunidades que me permitem representar mulheres que não se encaixam numa única categoria. Seja num editorial de Moda, a inspirar futuros profissionais de saúde ou a trabalhar com famílias no setor da saúde, espero que as pessoas percebam que as mulheres podem dedicar-se a várias paixões sem terem de escolher apenas uma identidade. Se a minha trajetória encorajar alguém a acreditar que isso é possível, então sinto-me orgulhosa disso.

O que gostaria que as pessoas soubessem sobre quem é fora das câmaras?

Que, na verdade, sou muito simples. Adoro passar tempo com a minha família, gosto genuinamente de cuidar das pessoas e nunca deixo de aprender. A Moda é uma parte de quem eu sou, mas não é tudo o que sou. No fim de contas, espero que as pessoas se lembrem de mim pela minha bondade, pela minha ética de trabalho e pela forma como fiz os outros sentirem-se.

FotografiaArtem Kononenko | @artko
ModeloDaiyaana Muhammad | @daiyaana
Vogue Portugal By Vogue Portugal
All articles

Relacionados


Moda   Palavra da Vogue   Curiosidades  

15 documentários de Moda para adicionar à watchlist

28 May 2026

Moda   Entrevistas  

O mundo encantado de Emma Chamberlain

29 May 2026

Moda   Entrevistas   Vogue TV   Vídeos  

Sónia Balacó: O poema é d(ela)

20 Jun 2026

Moda  

Suzy Menkes: "Escrevo para me interessar a mim própria"

26 Jun 2026