Entre as várias ocupações (enfermagem, Moda, maternidade, fitness) que Daiyaana Muhammad inclui na sua rotina, há uma que admite nunca ficar para trás: cuidar de si própria.
Daiyaana Muhammad, nascida e criada em Los Angeles, é uma espécie de faz-tudo: enfermeira, modelo, mãe e instrutora de pilates. No que toca a conquistas, Muhammad sempre se mostrou persistente e empenhada: licenciou-se em enfermagem pela Brookline College e tirou o mestrado em liderança e gestão de cuidados de saúde, na Western Governors University.
Universo da saúde à parte, a modelo tem vindo a tornar-se uma presença assídua na Semana de Moda de Paris. Ainda assim, seja a nível mental ou físico, Muhammad nunca abdica de uma rotina saudável e equilibrada, e o seu foco centra-se na atividade que está a praticar, para que realmente viva cada momento.
Num estilo de vida que tudo tinha para se tornar uma miscelânia de stresses, a modelo acredita que, quando lidamos com várias responsabilidades, é necessário organizar prioridades e vivê-las com leveza. Numa conversa com a Vogue Portugal, Muhammad guia-nos através dos seus horários exigentes e mostra que é possível sair de uma rotina monótona — onde as mulheres podem dedicar-se a várias paixões sem terem de escolher apenas uma identidade.
Qual foi o momento exato em que decidiu que queria ser modelo e quando percebeu que tinha futuro nessa área?
A carreira de modelo era algo que adorava desde muito jovem, mas a vida levou-me primeiro para a enfermagem, porque cuidar das pessoas sempre foi a minha vocação. A Moda nunca me abandono, esteve sempre lá, em segundo plano. Quando voltei a esse mundo e comecei a trabalhar com fotógrafos, designers e publicações incríveis, percebi que havia espaço para todas as facetas de quem sou. Foi então que compreendi que isto já não era apenas um passatempo. Tornou-se outra forma de contar a minha história.
Como concilia a sua individualidade, as suas raízes e as suas convicções com as exigências e visões dos designers?
Aprendi que as colaborações mais fortes acontecem quando todos trazem a sua perspetiva autêntica. Sou sempre a minha versão mais autêntica, com os meus valores, as minhas experiências e a minha cultura, e depois deixo que a visão criativa se desenvolva a partir daí. A Moda é sobre contar histórias, e acredito que as histórias mais poderosas são as mais honestas. Nunca senti que tivesse de me tornar outra pessoa para criar algo bonito.
Esta indústria pode ser bastante stressante. Como é que mantém os pés assentes na terra e cuida da sua saúde mental?
A enfermagem ensinou-me que não se pode derramar de um copo vazio. Essa lição tem-me acompanhado em todas as áreas da minha vida. Dou prioridade à atividade física, ao tempo com os meus filhos, à meditação e a momentos de tranquilidade para me reconectar comigo mesma. Por mais ocupada que a vida se torne, lembro-me de que o meu valor não é definido por uma campanha publicitária ou por uma passerelle. Manter os pés assentes na terra começa por se saber quem se é fora da carreira.

Para si, a Moda é uma forma de armadura para enfrentar o mundo ou uma forma de expressão artística livre?
Um pouco de ambas as coisas. A Moda dá-me confiança, mas, acima de tudo, é uma expressão criativa. Cada look conta uma história diferente ou capta um estado de espírito distinto. Adoro o facto da Moda permitir que as pessoas se comuniquem sem dizer uma palavra. É uma forma de Arte que celebra a individualidade.
Entre ser enfermeira, instrutora de pilates e mãe, como arranja tempo também para a Moda?
As pessoas perguntam-me frequentemente como é que consigo fazer tudo, mas a verdade é que não tento fazer tudo ao mesmo tempo. Aprendi a gerir o meu tempo de forma consciente e a estar totalmente presente onde quer que esteja. Quando estou com os doentes, sou enfermeira. Quando estou a dar aulas de pilates, é nisso que me concentro. Quando estou em casa, sou mãe. A Moda é outra paixão que me dá energia, em vez de me tirar tempo das outras. É tudo uma questão de equilíbrio e de dar a cada papel a atenção que merece.
De que forma aprender a gerir o caos na área da saúde a ajudou a manter a calma nos bastidores da Moda?
A área da saúde ensina-nos a pensar com clareza sob pressão, porque a vida das pessoas depende disso. Depois de trabalhar em serviços de urgência, um fitting atrasado ou uma alteração de última hora na agenda já não me parecem insuportáveis. A enfermagem ensinou-me resiliência, adaptabilidade e a manter a calma quando as coisas não correm conforme o planeado. Essas competências aplicam-se a qualquer setor.
Qual é o seu ritual de autocuidado mais importante, aquele a que não abrirá mão por nada?
O exercício físico. Seja pilates, algum tipo de treino ou simplesmente reservar algum tempo para me alongar e reconectar com o meu corpo, é algo para o qual arranjo sempre tempo. Também não se trata de aparências, mas sim de me sentir forte, saudável e com a mente clara. Tudo o resto corre melhor quando cuido primeiro de mim própria.

Se pudesse voltar ao início da sua carreira, que conselho daria à jovem Daiyaana?
Dir-lhe-ia para não ter pressa. Cada capítulo prepara-nos para o seguinte, mesmo quando isso não faz sentido naquele momento. Passei anos a construir uma carreira na área da saúde antes da Moda se tornar uma parte importante da minha vida e não mudaria essa jornada. Deu-me perspetiva, compaixão e confiança. Simplesmente lembraria à minha versão mais jovem para confiar no momento certo.
Há algum projeto de que se orgulhe particularmente?
Sinceramente, orgulho-me de todas as oportunidades que me permitem representar mulheres que não se encaixam numa única categoria. Seja num editorial de Moda, a inspirar futuros profissionais de saúde ou a trabalhar com famílias no setor da saúde, espero que as pessoas percebam que as mulheres podem dedicar-se a várias paixões sem terem de escolher apenas uma identidade. Se a minha trajetória encorajar alguém a acreditar que isso é possível, então sinto-me orgulhosa disso.
O que gostaria que as pessoas soubessem sobre quem é fora das câmaras?
Que, na verdade, sou muito simples. Adoro passar tempo com a minha família, gosto genuinamente de cuidar das pessoas e nunca deixo de aprender. A Moda é uma parte de quem eu sou, mas não é tudo o que sou. No fim de contas, espero que as pessoas se lembrem de mim pela minha bondade, pela minha ética de trabalho e pela forma como fiz os outros sentirem-se.
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