Entrevistas  

Da finança à beleza: como Ângelo Luís transformou Portugal com a Lusipure

13 Apr 2026
By Vogue Portugal em colaboração com Lusipure

Ângelo Luís e sua companheira Audrey Coppede

Depois de uma carreira sólida no setor financeiro, Ângelo Luís decidiu começar do zero. Ao lado de Audrey Coppede, fundou a Lusipure — uma marca que une a ciência, a natureza e uma nova visão de luxo português.

Ângelo Luís passou grande parte da sua carreira no setor financeiro, mas foi da vontade de criar algo mais pessoal e com significado que nasceu a Lusipure. Fundada ao lado da sua companheira, Audrey Coppede, a marca reflete não só a sua mudança de rumo, mas também uma visão clara: valorizar a riqueza das matérias primas portuguesas através de uma junção que combina a ciência e a estética, de modo a produzir produtos que valorizam o território e a autenticidade. Acima de tudo, mais do que um projeto empresarial, a marca traduz a ligação de Ângelo a Portugal e a ambição de afirmar um novo olhar sobre o luxo.

A Vogue Portugal falou com o Ângelo Luís, CEO da Lusipure, para conhecer um bocadinho melhor o seu percurso e os planos da marca em Portugal.

Ao longo da sua carreira, já trabalhou no grupo Rothschild & Co e no setor de investimento. O que o levou a mudar-se para a indústria da beleza?

Depois de muitos anos no setor financeiro, senti vontade de iniciar um projeto mais pessoal. Com a minha mulher, Audrey, cofundadora da Lusipure, começámos a refletir sobre a possibilidade de construir algo diferente do que tínhamos feito até agora. Procurávamos um projeto que tivesse também uma dimensão mais criativa e que estivesse ligado a algo que nos fosse verdadeiramente próximo. Para mim, esse ponto de partida foi naturalmente Portugal, um país ao qual sempre estive profundamente ligado. Vivi grande parte da minha vida no estrangeiro, mas Portugal sempre permaneceu no coração da minha identidade. Foi essa ligação que acabou por orientar a nossa reflexão sobre o tipo de projeto que queríamos desenvolver.

O que o motivou a criar a Lusipure?

A Lusipure nasceu precisamente dessa reflexão. Queríamos desenvolver uma marca ligada a Portugal, que valorizasse as matérias-primas naturais do território e que apresentasse uma visão própria da cosmética. A ideia era destacar ingredientes portugueses com um ângulo diferente, não apenas numa lógica de cosmética natural, mas também através de uma verdadeira expressão de luxo português. Portugal possui matérias-primas extraordinárias, tanto na terra como no oceano, que ainda são pouco exploradas na cosmética premium. Ao mesmo tempo, França continua a ser uma referência mundial em investigação e formulação cosmética. A Lusipure nasceu dessa combinação: natureza portuguesa, ciência cosmética francesa e uma estética que procura expressar um certo luxo português (elegante, discreto e autêntico).


Para si, qual foi a maior dificuldade em criar uma marca do zero?

Criar uma marca do zero é um exercício permanente de humildade. Vimos de um setor onde os processos são muito codificados, e de repente temos de aprender a pensar de forma completamente diferente, mais intuitiva, mais sensorial. Há todo o trabalho científico, formulação, estabilidade, testes clínicos e regulamentação europeia que exige tempo e rigor. A seleção das matérias-primas e a escolha dos parceiros certos também foram etapas exigentes. Mas lembro-me de um momento em que tínhamos a fórmula quase finalizada e a Audrey disse simplesmente: "isto ainda não está certo, falta qualquer coisa." Ela tinha razão. Voltámos ao laboratório. Essa capacidade de não ceder à pressão de avançar quando ainda não estávamos completamente satisfeitos foi talvez o maior desafio, e também aquilo que se tornou uma verdadeira obsessão: criar o melhor produto possível.


Como surgiu a ideia de apostar em matérias-primas portuguesas?

Foi algo bastante natural no desenvolvimento do projeto. Desde o início quisemos que a marca tivesse uma ligação forte ao território português. Portugal possui um património natural extraordinário e fazia sentido começar por aquilo que o próprio país oferece. Foi nesse contexto que decidimos trabalhar com dois elementos muito presentes na paisagem e na cultura portuguesa: a oliveira e o oceano. As folhas de oliveira que utilizamos vêm de Trás-os-Montes e as algas marinhas da região de Aveiro, ambas provenientes de explorações biológicas certificadas. Essa ligação entre terra e mar acabou por tornar-se um dos pilares da identidade da Lusipure.


Atualmente, os vossos produtos focam-se na hidratação e no anti-envelhecimento. Porque é que escolheram dedicar-se a estas áreas? Pretendem expandir o vosso universo?

A hidratação é a base de uma pele saudável, independentemente da idade ou do tipo de pele. Por isso quisemos começar por desenvolver cuidados que respondessem a necessidades essenciais da pele. No que diz respeito ao anti-envelhecimento, preferimos falar de "skin longevity". Mais do que tentar corrigir os sinais do tempo, a nossa abordagem consiste em preservar a qualidade, o equilíbrio e a vitalidade da pele ao longo dos anos. Os nossos produtos foram concebidos precisamente nessa lógica: combinar hidratação profunda, proteção antioxidante e ingredientes que apoiam os mecanismos naturais de regeneração da pele. No futuro, naturalmente pretendemos expandir o universo da marca, mas sempre de forma coerente e com o mesmo nível de exigência científica.


As algas marinhas e as folhas de oliveira são os principais componentes dos vossos produtos. Porque escolheram estes elementos e quais são os benefícios de cada um?

Estes dois ingredientes representam bem a filosofia da marca, mas também possuem propriedades cosméticas muito interessantes. As folhas de oliveira são particularmente ricas em polifenóis antioxidantes, que ajudam a proteger a pele contra o stress oxidativo e contribuem para a vitalidade cutânea. As algas marinhas, por sua vez, são muito ricas em minerais e polissacarídeos que ajudam a hidratar profundamente a pele, reforçar a sua barreira natural e estimular os mecanismos de regeneração cutânea. São ingredientes muito interessantes numa abordagem de "skin longevity", porque ajudam a preservar a qualidade e o equilíbrio da pele ao longo do tempo. A combinação destes dois universos (terra e oceano) permite-nos desenvolver fórmulas que associam proteção antioxidante, regeneração e hidratação profunda.



A empresa nasceu com uma visão mais científica ou mais ligada à sustentabilidade?

Hoje em dia já não faz muito sentido separar essas duas dimensões. Na nossa visão, ciência e sustentabilidade fazem parte do mesmo projeto. A ciência está no ADN da formulação dos nossos produtos. Trabalhamos com laboratórios franceses especializados em investigação e desenvolvimento de ativos cosméticos para garantir eficácia e rigor científico. Ao mesmo tempo, a sustentabilidade está presente na forma como concebemos o projeto de forma global, desde a escolha e o sourcing das matérias-primas até às decisões relacionadas com o packaging. Para nós, não se trata de escolher entre ciência ou natureza. Trata-se de encontrar o equilíbrio entre eficácia científica, transparência e responsabilidade na forma como desenvolvemos a marca.


Num mercado cada vez mais orientado para a beleza natural, que essência acredita que tornará Lusipure única a longo prazo?

Num mercado saturado de marcas que prometem natureza ou ciência, a Lusipure não escolhe. Recusa essa falsa oposição. Mas mais do que isso, acredito que o que nos tornará únicos é a nossa relação com Portugal, não como um label de origem, mas como uma fonte genuína de inspiração estética e científica. Quando pensamos no luxo português, não pensamos em ostentação. Pensamos numa quinta em Trás-os-Montes ao entardecer, no silêncio de um claustro manuelino, numa peça de azulejo que conta uma história sem precisar de gritar. É essa contenção com profundidade que tentamos traduzir na Lusipure, desde a textura dos produtos até à forma como comunicamos. A Lusipure é também, genuinamente, um projeto de casal. Eu trago uma certa estrutura analítica do mundo financeiro; a Audrey traz uma sensibilidade criativa e uma exigência estética que são o coração da marca. É essa tensão criativa entre nós dois que define o que a marca é hoje. Portugal tem algo raro no mundo da cosmética premium: ainda tem muito por contar. Queremos ser os primeiros a contá-lo bem.

Vogue Portugal em colaboração com Lusipure By Vogue Portugal em colaboração com Lusipure

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