Beleza  

Como descobrir qual o seu tipo de pele, segundo dermatologistas

17 Sep 2026
By Kriti Kumar

Fotografia: Instagram via @haileybieber

Compreender a nossa pele é o ponto de partida crucial a qualquer rotina de cuidados.

Alguma vez pesquisou no Google “como saber qual o meu tipo de pele” e acabou por ficar ainda mais confuso do que nunca? Ou talvez já tenha feito um daqueles questionários online que prometem revelar o seu “verdadeiro” tipo de pele em menos de um minuto? Eis um guia completo para que possa deixar de duvidar da própria pele.

Como descobrir o tipo de pele

Um dos testes caseiros mais frequentemente recomendados é o método “rosto sem nada”, tal como sugerido pela Dra. Geeta Mehra Fazalbhoy, fundadora da Skin & You Clinic. A ideia é simples: lavar o rosto com um produto de limpeza suave e deixar o mesmo sem qualquer produto durante cerca de uma hora. Se a pele ficar com uma sensação de repuxar e secura, é provável que tenha pele seca. Se a zona T ficar oleosa enquanto o resto do rosto ficar irritado, vermelho ou com descamação, pode presumir que tem pele sensível.

Embora este teste rápido possa dar algumas pistas, compreender o tipo de pele é um processo muito mais complexo. A pele é constantemente influenciada pela estação do ano, pelos produtos utilizados, pelas hormonas e pelo ambiente que nos rodeia. O que hoje poder parecer ser o tipo de pele pode, na verdade, ser apenas uma condição cutânea temporária.

Qual é a diferença entre o tipo de pele e o estado da pele?

O tipo de pele refere-se às características naturais da sua pele, quer seja oleosa, seca, mista ou sensível. Por outro lado, o estado da pele é influenciado por fatores externos que podem variar ao longo do tempo, desde alterações climáticas e esfoliação excessiva até ao stress e às flutuações hormonais. Uma semana stressante, uma mudança no tempo ou uma rotina de cuidados com a pele demasiado complicada podem desencadear erupções cutâneas, sensibilidade ou produção excessiva de sebo. Como resultado, muitas pessoas decidem de repente que têm pele oleosa ou com tendência acneica, quando o tipo de pele subjacente pode, na verdade, ser seca ou desidratada. Compreender a diferença é o primeiro passo para criar uma rotina que funcione realmente.

A pele é algo profundamente pessoal, e é por isso que um produto que funciona na perfeição para outra pessoa pode não ter qualquer efeito em si. Quando as necessidades de cada pele são mal interpretadas, acaba-se frequentemente por escolher os produtos errados. Pense-se em produtos de limpeza agressivos, concebidos para remover a oleosidade, quando a pele está, na verdade, a pedir por hidratação. Isto acaba por resultar numa barreira cutânea comprometida, irritação e um ciclo de secura que pode ser difícil de quebrar.

O “teste do rosto sem maquilhagem” pode ser um ponto de partida útil, mas o objetivo é observar o estado natural da sua pele, em vez de tirar conclusões precipitadas. Prestar atenção à sensação da pele após a limpeza e verificar se esta permanece confortável, com sensação de repuxar ou invulgarmente seca pode oferecer pistas valiosas sobre as suas verdadeiras necessidades.

Que ingredientes se adequam à maioria do tipo de peles?

Se há um ingrediente que merece um lugar em praticamente todas as rotinas de cuidados com a pele, esse ingrediente é o ácido hialurónico. Capaz de reter até mil vezes o seu peso em água, este ingrediente atrai a hidratação para a pele sem a deixar pesada nem obstruir os poros. Pense nele como um copo de água para as células da pele sedentas.

“Quer tenha 18 ou 80 anos, quer esteja a lidar com acne ou com uma pele madura, a hidratação continua a ser a base de uma pele saudável”, afirma a Dra. Jamuna Pai, médica estética, autora e fundadora da SkinLab. Uma pele bem hidratada funciona de forma mais eficiente, recupera mais rapidamente e consegue manter melhor uma barreira cutânea forte. Pai recomenda a aplicação de um sérum ou gel de ácido hialurónico puro e de baixo peso molecular imediatamente após a limpeza, enquanto a pele ainda está ligeiramente húmida.

Outro ingrediente que funciona bem na maioria dos tipos de pele é a niacinamida. Esta forma multifuncional da vitamina B3 ajuda a regular o excesso de oleosidade, fortalece a barreira cutânea e acalma a vermelhidão, tornando-a um complemento fiável tanto para a pele oleosa como para a seca e sensível.

Dito isto, nem todos os ingredientes para o cuidado da pele são universalmente adequados. O retinol, o ácido salicílico e o ácido glicólico de alta concentração podem proporcionar resultados impressionantes no tratamento de problemas como acne, a pigmentação e os sinais de envelhecimento, mas também exigem cuidado. Para quem tem pele sensível ou uma barreira cutânea comprometida, a introdução demasiado agressiva destes princípios ativos pode causar irritação, descamação e inflamação. Pai defende uma abordagem do tipo "menos é mais", recomendando que os princípios ativos potentes sejam introduzidos gradualmente e, sempre que possível, sob orientação profissional.

O tipo de pele pode mudar com o tempo?

Se a pele se comporta de forma diferente do que há alguns anos, trata-se, na verdade, de um fenómeno normal. Embora o tipo de pele seja determinado em grande parte pela genética, nomeadamente pela quantidade de sebo que as glândulas sebáceas produzem, não é algo totalmente imutável.

"Uma pessoa que tenha naturalmente a pele oleosa ou seca continuará, em geral, a ter predisposição para esse tipo de pele, mas fatores como a idade, as hormonas, o clima, os medicamentos, o stress, a gravidez, a menopausa e até os hábitos de cuidados com a pele podem influenciar significativamente o comportamento da pele ao longo do tempo", afirma a Dra. Zeba Chhapra, dermatologista, fundadora e diretora médica da Serenity Med Aesthetics.

Porque é que a zona T é oleosa, mas as bochechas são secas?

As glândulas sebáceas estão naturalmente mais concentradas na zona T, o que explica por que razão a testa, o nariz e o queixo ficam frequentemente brilhantes, enquanto as bochechas permanecem relativamente secas. Tratar todas as partes do rosto exatamente da mesma forma raramente funciona.

Em vez disso, os especialistas recomendam uma abordagem mais personalizada. Um hidratante em gel leve pode funcionar melhor nas áreas com tendência oleosa, enquanto cremes mais ricos podem proporcionar nutrição onde a pele se sente seca. Tratar as diferentes zonas de acordo com as suas necessidades individuais é, muitas vezes, a chave para alcançar o equilíbrio.

Segundo Pai, a pele é também um reflexo do que se passa internamente. O stress crónico pode aumentar os níveis de cortisol, estimulando a produção de sebo e provocando erupções cutâneas. As flutuações hormonais associadas aos ciclos menstruais, à SOP e à menopausa podem afetar a hidratação, a sensibilidade e a densidade da pele. O envelhecimento também traz as suas próprias alterações. À medida que a produção de colagénio abranda e os níveis naturais de sebo diminuem, a pele que antes era oleosa pode tornar-se visivelmente mais seca com o passar do tempo.

A pele oleosa envelhece mais lentamente?

"Embora haja alguma verdade nessa observação, esta é frequentemente exagerada", afirma Fazalbhoy. O sebo atua como um emoliente natural, ajudando a reduzir a perda de água e a manter a elasticidade da pele. Como resultado, as pessoas com pele mais oleosa podem, por vezes, desenvolver rugas relacionadas com a secura mais tarde do que aquelas com pele muito seca.

Dito isto, a produção de sebo não é um escudo contra o envelhecimento. Os principais fatores que contribuem para o envelhecimento prematuro continuam a ser a exposição solar cumulativa, a poluição, o tabagismo, a inflamação crónica, o stress oxidativo, a falta de sono e a genética. É perfeitamente possível ter pele oleosa e, mesmo assim, sofrer um fotoenvelhecimento significativo se a proteção solar for negligenciada.

Como construir uma rotina para cada tipo de pele

"Todas as rotinas de cuidados com a pele devem incluir um produto de limpeza suave, um hidratante e um protetor solar diário. Além disso, as fórmulas que escolher devem refletir as necessidades específicas da sua pele", recomenda Chhapra.

Para a pele oleosa, produtos leves e não comedogénicos, hidratantes em gel e ingredientes como a niacinamida ou o ácido salicílico, que podem ajudar a controlar o excesso de oleosidade sem ressecar excessivamente a pele.

A pele seca beneficia de produtos de limpeza em creme e hidratantes ricos, formulados com ingredientes como ceramidas, glicerina e ácido hialurónico. Deve evitar-se a esfoliação excessiva, uma vez que pode comprometer ainda mais a barreira cutânea.

Quem tem pele mista poderá descobrir que uma abordagem personalizada funciona melhor, utilizando produtos mais leves nas áreas mais oleosas e fórmulas mais nutritivas onde a pele se sente seca.

Para a pele sensível, a simplicidade é fundamental. Produtos sem fragrância, que reforçam a barreira cutânea, e a introdução gradual de ingredientes ativos podem ajudar a minimizar a irritação.

Qual o passo essencial na rotina de cada tipo de pele?

Independentemente do tipo de pele, há um passo que é imprescindível: o uso de protetor solar de amplo espectro. A proteção solar diária e consistente é uma das formas mais eficazes de manter a pele saudável, quer a sua pele seja oleosa, seca, mista ou sensível.

Traduzido do original, disponível aqui.

Kriti Kumar By Kriti Kumar

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