Julia Westby fotografada por Osman Özel, com cabelos de Serkan Yildirim e maquilhagem de Serkan Parmaksızoğlu para o The Music Issue da Vogue Portugal, publicado em junho de 2021.
Cortar o cabelo regularmente traz muitos benefícios — mas nem sempre é fácil perceber quando se deve agendar uma visita ao salão de cabeleireiro. Eis tudo o que precisa de saber.
Não existe uma resposta padrão para quando se coloca a (simples) questão: “com que frequência se deve cortar o cabelo”? "É tudo relativo", afirma Irinel de León, hairstylist de celebridades e embaixadora global da Dyson Beauty. "Tudo depende da textura do cabelo, da sua integridade e da frequência com que é pintado ou submetido a tratamentos duplos".
Cortar ou aparar o cabelo regularmente traz muitos benefícios. De León afirma que pode melhorar o crescimento do mesmo, conferir-lhe espessura natural, evitar que fique demasiado seco ou se parta e mantê-lo saudável em geral. Por isso, é importante ir ao cabeleireiro na altura certa. Eis tudo o que precisa de saber.
Aparar vs dusting vs cortar
Embora muitas vezes utilizemos os termos “aparar” e “cortar” de forma indistinta quando falamos de cabelo, os termos têm significados diferentes. "Aparar", como explica De León, consiste em tirar dois a cinco centímetros das pontas, enquanto cortar é um procedimento um pouco mais drástico, durante o qual se cortam mais de cinco ou sete centímetros. Além disso, são utilizados em circunstâncias diferentes.
A hairstylist acrescenta ainda que, quando o cabelo está sem volume, não mantém o penteado, fica com nós facilmente ou parece estar muito danificado, é aconselhável fazer um corte. Além disso, se estiver apenas à procura de uma mudança de estilo ou quiser dar mais movimento e volume ao cabelo, a especialista afirma que um corte é necessário para conseguir qualquer uma dessas coisas.
Quais os sinais de que precisa de aparar o cabelo?
Existem alguns sinais óbvios de que está na hora de contactar o salão para agendar uma visita. Laura Polko, cabeleireira de celebridades e especialista da House of Frieda, afirma que um corte é a melhor opção para eliminar pontas duplas e para quando se começa a notar quebra no cabelo. Se notar que o cabelo parece mais seco ou começa a perder a forma, é bem possível que queira cortá-lo para lhe dar um novo vigor.
Eis quando aparar com base no comprimento
Cabelo curto
Embora pareça contraintuitivo, a verdade é que quanto mais curto for o cabelo, maior é a manutenção necessária para o manter saudável. "O cabelo curto requer um pouco mais de manutenção devido ao seu comprimento, forma e preferências pessoais", afirma De León. "Por exemplo, quando alguém tem um corte bob que fica logo abaixo da orelha, fica mais evidente quando o cabelo cresce, sendo que pode facilmente ultrapassar os ombros após seis a oito semanas, o que altera completamente o penteado".
"Os cortes de cabelo mais curtos exigem, muitas vezes, visitas mais frequentes ao salão para manter a forma e o estilo", acrescenta o cabeleireiro de celebridades T. Cooper. "Se tiver um corte pixie [por exemplo], pode ser necessário cortá-lo com um pouco mais de frequência para manter a forma das patilhas e da nuca".
Ambos os especialistas concordam que se deve cortar o cabelo, no mínimo, de seis em seis semanas.
Cabelo médio
No que diz respeito aos cabelos médios, tanto Polko como De León concordam que a altura certa para o cortar depende de vários fatores — tais como a textura do cabelo e a velocidade a que este cresce naturalmente. Mas, se quiser manter o comprimento e garantir que os fios se mantêm saudáveis, De León recomenda aparar o cabelo a cada seis a 12 semanas.
Cabelo longo
Rodney Cutler, proprietário dos salões Cutler e embaixador da Redken, afirma que a frequência com que se deve aparar o cabelo comprido depende do estado de saúde inicial do cabelo. Se tiver tendência para pontas duplas ou fios rebeldes, o especialista recomenda marcar uma consulta no cabeleireiro a cada oito a 10 semanas. Se o seu cabelo for saudável e forte, pode limitar-se a um corte a cada 10 a 12 semanas.
Quando cortar o cabelo, consoante o tipo e a textura
Cabelo fino
Polko explica que o cabelo fino tende a crescer um pouco mais devagar, mas também parece danificado mais rapidamente, por isso, deve ser cortado quando começa a ficar com um aspeto, diga-se, esfarrapado. De León acrescenta que isso pode depender tanto do comprimento como do corte do cabelo fino, mas, de um modo geral, acredita que são necessários cortes frequentes para manter a saúde e a forma do cabelo. Para um cabelo fino curto, a especialista recomenda um corte a cada quatro a seis semanas. Para cabelos de comprimento médio, de seis a oito semanas. Para cabelos finos e compridos, de oito a 12 semanas.
Cabelo espesso
Tanto Cutler como Polko concordam que é possível não cortar o cabelo com tanta frequência, desde que não haja danos graves. "Como há muito mais cabelo… este consegue suportar mais calor do que um cabelo mais fino", afirma Polko. "O cabelo espesso consegue realmente aguentar o calor [e] temperaturas mais elevadas, [tolerar] a descoloração melhor do que o cabelo fino, [etc.]", diz Cutler, acrescentando que um intervalo de oito a 12 semanas entre as idas ao cabeleireiro é razoável, desde que se preste atenção às pontas espigadas.
Cabelo encaracolado, crespo e com textura
T. Cooper recomenda fazer cortes regulares a cada seis a oito semanas para manter a forma dos caracóis e evitar danos. A especialista explica que o comprimento não é um fator tão determinante, porque o cabelo texturado tende a ser mais seco em geral, independentemente do comprimento. "Não deixem de ir ao cabeleireiro para aparar as pontas", diz. "Vejo frequentemente pessoas com cabelo encaracolado que não vão ao cabeleireiro com a frequência necessária [e] compreendo-as; devido ao padrão dos caracóis, o cabelo parece mais curto e elas querem manter o comprimento. Mas se as pontas [do cabelo] ficarem secas e quebradiças, vão perder comprimento na mesma".
Se estiver a fazer a transição para cabelo natural, De León recomenda cortes frequentes a cada quatro semanas. "Isto ajuda a eliminar as pontas danificadas para que o cabelo possa começar a encaracolar-se, assumindo a sua textura natural", afirma. Cutler acrescenta que o mais importante é estar atenta ao ressecamento e recomenda um champô e um condicionador hidratantes para usar entre as visitas ao cabeleireiro.
Cabelo danificado
Todos os especialistas concordam nisto: quando o cabelo está danificado, tem de ser cortado. "Se os danos forem muito graves (se estiver a descolorar demasiado ou a usar demasiado calor), é aí que se torna importante cortar em vez de aparar", afirma Polko. "É necessário um compromisso para, depois, deixar o cabelo crescer novamente".
"É improvável [que se consiga] reparar o cabelo danificado", acrescenta T. Cooper. "Sei que muitas mulheres não querem cortar toda a parte danificada de uma só vez. Por isso, corte o cabelo o mais curto que puder [e] com o comprimento com que se sentir confortável, e continue a fazer cortes frequentes a partir daí". Além de cortar as pontas do cabelo, a especialista recomenda uma rotina saudável de cuidados capilares que inclua tratamentos, com ênfase na manutenção da hidratação, e cortes regulares junto do seu cabeleireiro. "É um esforço de equipa", afirma.
Como manter o cabelo saudável entre visitas ao salão
Os cuidados entre as visitas ao cabeleireiro são tão importantes quanto aparar o cabelo regularmente (ou cortar, quando necessário). "Muitas pessoas não se apercebem que um cabelo saudável começa com um couro cabeludo saudável", afirma T. Cooper. A hairtstylist recomenda fazer esfoliações do couro cabeludo e tratamentos capilares com proteínas, bem como utilizar os produtos adequados, como champôs e condicionadores hidratantes, para manter o cabelo forte. Certifique-se de que utiliza algum tipo de protetor térmico quando usa ferramentas de calor e de que faz máscaras capilares com frequência.
Cortar o cabelo no salão vs cortar em casa
A maioria dos cabeleireiros dir-lhe-á para nunca fazer sozinho um corte significativo — e há boas razões para isso. Carlyn Griscti, cabeleireira sediada em Nova Iorque no salão Beauty Supply, explica que um profissional será capaz de observar o cabelo de ângulos diferentes, o que não lhe é possível, para conseguir um corte mais favorecedor, e que um cabeleireiro pode vê-lo de forma diferente. "Poderia continuar a falar dos anos de formação e do conhecimento técnico que uma pessoa comum não possui. No entanto, o que acho mais gratificante em cortar cabelo [como profissional] é a forma como a minha perspetiva pode mudar a maneira como alguém vê, cuida e desfruta do seu cabelo", afirma Griscti.
"Deixar um profissional cortar-lhe o cabelo garante um corte uniforme e adaptado ao formato do seu rosto ou ao estado de saúde do seu cabelo", acrescenta De León. "Quando corta o seu próprio cabelo, pode não reparar nas pontas espigadas ou [não] uniformizar o comprimento".
As ferramentas utilizadas pelos profissionais também são muito diferentes. Griscti afirma que os cabeleireiros provavelmente dispõem de ferramentas profissionais que deixarão o seu cabelo em melhor estado do que uma tesoura de cozinha. "As minhas tesouras são de aço japonês [e] mando-as afiar regularmente para garantir que as lâminas não deixem as pontas do seu cabelo mais danificadas do que antes do corte", afirma. "As tesouras de cozinha ou as “tesouras de cortar cabelo” que se podem encontrar na Amazon têm lâminas cegas que danificam a cutícula do cabelo e, em última análise, causam mais pontas duplas."
Mas os especialistas reconhecem que imprevistos acontecem e, por vezes, um corte do it yourself pode ser a única opção. Se tiver de cortar o cabelo sozinho, não é o fim do mundo. "[Isso] não vai estragá-lo de forma irreparável", diz. De León aponta os pequenos cortes na franja como algo que pode ser mais fácil de fazer no seu próprio cabelo, uma vez que consegue vê-los na totalidade. A sua dica profissional: corte-os a seco, não tenha pressa e lembre-se de que cortar menos é sempre melhor.
O que acontece quando não se corta o cabelo?
Griscti explica que, sem cortes regulares, a forma como o cabelo cai será diferente. Quando se modela o cabelo com calor, por exemplo, a especialista afirma que é muito provável que as pontas não fiquem com o penteado desejado. Isto pode significar que as ondulações nas pontas, quando se seca o cabelo com o secador, fiquem achatadas e finas, enquanto um penteado liso com o secador resultará em frizz. Secar ao ar o cabelo sem ter sido aparado pode deixá-lo com um aspeto achatado e pesado, fazendo com que algumas das características do rosto pareçam desproporcionadas.
Traduzido do original, disponível aqui.
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