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Cantinho do vintage

04 Jan 2019
By Sara Andrade

Uma Chanel com história, um Alexandra Moura one-of-a-kind. Os clássicos ganham rugas mas não perdem charme e as coleções de outros tempos ganham alma numa era em que o vintage é o novo prêt-a-porter. Não é segunda mão. É segunda vida.

Uma Chanel com história, um Alexandra Moura one-of-a-kind. Os clássicos ganham rugas mas não perdem charme e as coleções de outros tempos ganham alma numa era em que o vintage é o novo prêt-a-porter. Não é segunda mão. É segunda vida.

Basta olhar para o espólio que integra o espaço no número 80A, da Rua Azedo Gneco, em Lisboa: mais surpreendente que as condições irrepreensíveis destas peças, só as etiquetas que acompanham cada artigo. De Versace a Vuitton, há todo um alfabeto de casas de Moda para aprender e adquirir, muito mais especial do que o que encontra diretamente da fábrica. É que, aqui, o tempo pode não se manifestar na pele, no algodão, na seda, mas cada linha que remata uma bainha ou sela uma alça conta uma história. Monique Geallad, a proprietária que fundou a Du Chic à Vendre há sete anos e que a mudou do Monte do Estoril para Campo de Ourique, partilha que há itens que outrora pertenceram a nomes internacionais famosos e que há algumas histórias que não pode sequer contar, mas que criam inevitavelmente uma mística em torno destes objetos.

A libanesa radicada em Portugal há décadas é a primeira a dizer que a audiência ainda não está totalmente preparada para este conceito do segunda mão e talvez ainda menos para o segunda mão de luxo, mais raro no país, mas consegue encontrar paixão na clientela que já se fidelizou e acredita que, a pouco e pouco, estas ideias criarão as raízes necessárias para uma adesão que se revela cada vez maior - e necessária para diminuir o desperdício.

Um indicador no sentido dessa crescente demanda talvez venha com a chegada de Xenab Lone, a britânica de 29 anos que, no passado mês de setembro, abriu a Auné Store em Alcântara. A morada é muito diferente da de Geallad: o espaço com mezzanine repleto de charriots, móveis e estantes com artigos que cria o imaginário perfeito de uma loja vintage na Azedo Gneco dá lugar a linhas minimalistas, urbanas e menos abundantes (também devido à seleção muito específica de Xenab) na Rua das Fontaínhas. Num ambiente assinado por Jermaine Gallacher (referência no design de interiores), esta espécie de gruta de betão citadina cria o ambiente perfeito para mostrar as peças de design e urbanas que Lone escolhe a dedo para ocupar os apenas dois rails do espaço, num lado, e reduzidas estantes no outro. Aqui, também há peças únicas, também há nomes fortes da Moda e do Lifestyle, mas há um espírito mais street e fora da caixa nas escolhas - poder-se-ia até dizer que a fundadora trouxe um pouco da linha editorial londrina para Lisboa.

Quis mostrar os nomes conterrâneos que obedecem a estas diretrizes, mas não se coibíu de ir buscar as etiquetas nacionais que se poderiam sentir em casa neste ambiente: Alexandra Moura, Ricardo Andrez e até a primeira coleção de cerâmica de Sofia Leitão partilham espaço com Maison Margiela, Mugler, Prada ou Robert Wun naquele que se assume como um destino para peças de arquivo verdadeiramente especiais. Aqui, há maisons estabelecidas e há criadores emergentes, mas acima de tudo há criatividade e itens que não encontra noutro lugar.

Acrescente as moradas abaixo ao seu roteiro vintage: este gps de segunda mão vai ser a sua segunda casa.

Auné StoreRua das Fontaínhas, 50Alcântara - LisboaT. 911 155 028

Du Chic à VendreRua Azedo Gneco, 80A Campo de Ourique - Lisboa

Sara Andrade By Sara Andrade

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