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Dia Mundial da Luta contra o Cancro: cancro e cuidados da pele

04 Feb 2021
By Mathilde Misciagna

A capacidade de se sentir igual a si mesma pode ser um dos tratamentos mais eficazes de todos.

A capacidade de se sentir igual a si mesma pode ser um dos tratamentos mais eficazes de todos.

©Istock Images
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Dia Mundial de Luta contra o Cancro comemora-se hoje, dia 4 de fevereiro, numa iniciativa da União Internacional de Controlo do Cancro - uma rede de cooperação internacional, composta por diferentes membros e organizações. É um evento global que une a população em torno da luta contra o cancro, através da sensibilização e da educação. Todos os anos, cerca de 8 milhões de pessoas morrem de cancro e muitas destas mortes podem ser evitadas através da prevenção, deteção precoce e tratamento. Estima-se que o número de casos de cancro e mortes relacionadas a nível mundial venha a duplicar nos próximos 20-40 anos, especialmente nos países em desenvolvimento, os menos equipados para lidar com o impacto social e económico da doença. 

"Efeitos secundários"

No meio de tantas outras transformações no corpo, tratamentos como quimioterapia, terapia hormonal e radioterapia costumam causar diversas reações na pele e comprometer a qualidade de vida dos pacientes e o seu bem-estar. À revista Allure num artigo de outubro do ano passado, Bernice Kwong, professora clínica associada de dermatologia na Universidade de Stanford sublinha que "Diversos estudos demonstram que as doenças da pele são o efeito colateral mais inesperado do tratamento [contra o cancro]". Sinais mais visíveis como erupções acneiformes [como a rosácea] também são comuns, assim como o escurecimento da pele do rosto e até mesmo estrias escuras ou descoloração das unhas.

Ainda que muitos destes efeitos secundários sejam inevitáveis, pode ser proactiva e minimizar não só a gravidade, mas também o desconforto dos mesmos. Nunca deve sentir vergonha de priorizar cuidados da pele, beleza e conforto quando se trata de uma jornada tão absurdamente difícil como o cancro. Comece por encarar a questão com uma abordagem menos é mais, pois a pele está muito suscetível a irritações durante os tratamentos contra o cancro. Tudo o que contacta com a pele, incluindo um algo tão simples como água, pode causar irritação. Posto isto, é importante testar todos os produtos na parte de dentro do braço ou atrás da orelha antes de continuar a usar ingredientes ativos como vitamina C, retinol, ácido hialurónico e niacinamida. Durante os tratamentos, a pele pode ficar mais sensível a alguns produtos do que o normal, até mesmo produtos que um paciente usou durante muitos anos. Se a aplicação leva a queimadura, ardor, dor ou irritação confie naquilo que o seu corpo lhe está a dizer e procure orientação especializada se a irritação não passar.

Todos os anos milhares de pessoas se olham ao espelho e veem o cancro a olhar de volta para elas – não necessariamente na forma da doença em si, mas através das consequências devastadoras dos tratamentos. A experiência pode ser desnorteante e até mesmo os que são chamados levianamente de efeitos secundários podem ser realmente perturbadores ao ponto de 30% dos pacientes interromperem os tratamentos. No entanto, os médicos muitas vezes negligenciam as mudanças na aparência do paciente: a perda de cabelo e unhas, as erupções, as queimaduras. Os oncologistas estão mais inclinados para antecipar coisas como náuseas e diarreia, que são consideradas mais importantes. Apesar disso, com a informação certa, há muito que se pode fazer para continuar a parecer-se consigo mesma. Isso, por sua vez, ajuda a que continue a sentir-se na sua pele. Também lhe dá a hipótese de evitar conversas que não está pronta para ter - com a sua família, conhecidos ou estranhos ainda que bem-intencionados. E permite que vá trabalhar com mais confiança, sem medo de que chefes ou colegas de trabalho lhe coloquem o rótulo de pessoa doente. 

Procurar ajuda especializada

A quimioterapia é o tratamento mais comum para o cancro e pode afetar a pele e o cabelo de forma drástica. Portanto, os cuidados com a pele invariavelmente tornam-se extremamente importantes se estiver a fazer quimioterapia ou qualquer outro tratamento contra o cancro. A sua rotina habitual de cuidados precisará de ser ajustada para ajudar a pele a lidar com o stress causado pela quimioterapia. A verdade é que os mesmos medicamentos que matam as células cancerosas também impedem o crescimento de células saudáveis ​​da pele. Isso significa que a sua pele não está a renovar-se a um ritmo normal. Os efeitos da quimioterapia na pele variam de pessoa para pessoa. O primeiro passo para um bom cuidado da pele durante o tratamento é encontrar um dermatologista especializado em oncologia e com ampla experiência no tratamento de problemas de pele, cabelo e unhas durante este tipo de tratamentos. Quanto mais cedo começar a cuidar, melhor será capaz de evitar os efeitos colaterais antes que se tornem muito aparentes. Dependendo do tratamento que está a receber, a pele pode ser afetada de maneiras diferentes, com efeitos secundários comuns que vão desde comichão, pele seca e sensível a maior sensibilidade ao sol, pigmentação ou a suscetibilidade a infeções. Ao receber radioterapia, a pele ficará vermelha e irritada como se se tratasse de uma queimadura solar. Esta barreira da pele "queimada pelo sol" é menos robusta e tem maior probabilidade de ser irritada e sensibilizada por certos ingredientes, como perfumes e conservantes. Há uma inclinação para procurar produtos tópicos "naturais" e "orgânicos" imediatamente, mas lembre-se de que esses termos não significam necessariamente que os produtos não irritem a pele ou causem alergia. A rotina ideal passa sobretudo por lavar regularmente, hidratar, reparar a pele fragilizada, fortalecer as unhas e proteger a pele do sol.

As iniciativas no universo da Beleza

É importante evitar tónicos agressivos e quaisquer produtos faciais que contenham álcool, BHAs (beta-hidroxiácidos), produtos anti acne irritantes, como ácido salicílico ou peróxido de benzoíla e esfoliantes. Apesar do número crescente de pacientes oncológicos por todo o mundo, muitos não estão conscientes deste número e de todas as soluções dermatológicas existentes. Por isso, a La Roche-Posay criou o Guia do Paciente, com o objetivo de aconselhar quem passa por este tipo de tratamentos e entrega kits de produtos em consultas de oncologia, em diferentes unidades hospitalares como o IPO Coimbra, IPO Porto, H. STA. Maria, Hospital SAMS, Hospital da Trofa e Mama Help, no Porto. Alavancando aquela que é uma das suas missões, a marca pretende apelar a que todos contribuam para o aumento da consciencialização sobre esta questão de saúde pública, partindo das soluções existentes, capazes de mudar vidas. Durante o tratamento oncológico, a barreira cutânea age como uma parede que foi alterada; a água é perdida através da epiderme e os agentes exteriores conseguem penetrar. Existem produtos que apresentam uma tolerância provada e eficácia capaz de reparar a barreira cutânea, mantendo a hidratação e reforçando a sua capacidade para proteger a pele. 

Ainda no universo da Beleza, a a Avène associou-se à Revista Cuidar (a primeira e única revista dirigida a doentes oncológicos, seus familiares, amigos e público em geral, com a intenção de criar um veículo de informação claro e fidedigno) para uma edição 100% dedicada a doentes oncológicos. Durante o mês de fevereiro, por cada Água Termal da Avène vendida (exceto 50ml), um euro reverte a favor desta publicação. Também a Garnier Portugal há muito que mantem uma parceria com a Liga Portuguesa Contra o Cancro, na comercialização dos produtos solares da linha Garnier Ambre Solaire. Assim, sempre que adquirir produtos solares Garnier Ambre Solaire, está a contribuir para a Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Todos os avanços da indústria dermatológica existem para lhe permitir adereçar antecipadamente os efeitos de tratamentos oncológicos na pele, para bem da sua imagem, conforto e paz de espírito. E nunca se esqueça que um diagnóstico nunca terá o poder de definir quem é.

Mathilde Misciagna By Mathilde Misciagna

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