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Behind the scenes: nos bastidores do estúdio de Jonathan Anderson, em Londres

Jonathan Anderson © Tom Jamieson

Entrevistas 15. 9. 2018

by Hattie Crisell

 

Antes de JW Anderson apresentar a sua primavera-verão 2019 na semana de Moda de Londres, a Vogue encontrou-se com o criador britânico no seu estúdio para falar de novos rumos, gestão de stress, e manter o chique na Loewe.

© Tom Jamieson

A apenas dois dias do seu primeiro desfile da estação (o segundo será para a Loewe, em Paris, a 28 de setembro), o que mais impressiona em Jonathan Anderson é a sua completa descontração. Num loft pintado a branco em Dalston, Londres, ele e a equipa levam a cabo uma sessão de casting, murmurando entre eles enquanto modelo atrás de modelo desfila pelo comprimento da sala. É incomum que a Vogue tenha sido convidada - normalmente o estúdio está interdito à imprensa.

Uma década depois de lançar a JW Anderson, a sua marca homónima, o designer está num mood contemplativo. "Ao longo dos últimos seis meses, quis mesmo mergulhar na ideia de Moda e mulheres", conta, sobre a sua primavera/verão 2019. "Algo que realmente empurrasse o ADN a outra estratosfera; algo mais estruturado, feito à medida, com momentos em que é seco e muito texturado, misturando volumes. Gosto que haja uma femininidade robusta na coleção, esta estação."

Parte da originalidade do trabalho de Anderson surge das suas inspirações muito diversas. Baseou a alfaiataria nos casacos de equitação dos anos 20 e 30 - e as estranhas saias laterais da sela que se usavam - mas também regressou ao trabalho da escultora Lynda Benglis, que usa cera e latex líquido. "Sempre fui um grande fã dela. É sobre a atitude de algo que é muito libertador na sua abordagem. [Quando olhas] não sabes o que é, como é o toque, e eu acho que isso é muito interessante nesta coleção - não sabes como é que te vais sentir. Há muitas camadas nos vestidos - têm três ou quatro painéis estruturados - mas ao mesmo tempo, são muito leves."

© Tom Jamieson

É uma coleção das justaposições que entusiasmam Anderson. As listras constroem-se de linhas minimais cosidas em tecidos vaporosos; há contas cosidas em mangas e carteiras. A paleta é leve - amarelos limão, rosas, azuis e muito branco - e camisas em crepe de seda ganham bibes em macramé num contraste que o designer considera agradável: "É como um sólido com um fluido, tens aquela tensão", explica-nos.

Os sapatos adicionam mais uma dimensão. Botas de montar em vermelho, branco e preto são decoradas com dois alfinetes colocados juntos - "Quando se movem, ficas com um blur, como uma dupla exposição". Entretanto, a chegada da nova colaboração JW Anderson x Converse inclui ténis-bota com uma sola técnica robusta, "Há algo de ingénuo em emparelhar isso com uma saia desconstruida e um casaco de fato. Gosto dos momentos de normalidade com os de histeria. 

A sua aura serena, conta, tem a ver com o ter tirado um mês de férias durante o verão. Mas também se prende com o ser altamente organizado. Ele agora desenha 14 coleções ao ano - seis pela JW Anderson e oito pela Loewe, onde é diretor criativo desde 2013. A coleção que mostrará em Paris já está acabada, diz. Não acredito em deixar para o último minuto. Costumava fazer isso e ficas assoberbado e no final não olhas mesmo para o que estás a fazer. As coleções levam o seu tempo e quanto mais conseguires focar-te nelas, melhor."

© Tom Jamieson

Ele vê todo o seu trabalho como parte de um continuum - "Estou envolvido em ambas as marcas e tem de haver um diálogo entre as duas", mas tem um sentido claro das diferentes mulheres para as quais está a desenhar. “A JW Anderson tem uma consumidora mais jovem, comparado com o que fazemos na Loewe", conta. "A Loewe é mais controlada enquanto a JW é mais irrequita, quer experimentar, quer errar, quer não acertar à primeira. Há um lado chique na Loewe, mas na JW é sobre fazer chique e depois não chique, e levar ambos ao extremo. É algo diferente e manter a agitação na roupa é muito importante."

A Loewe singrou sob a visão de Anderson: "Tivémos um êxito incrível com a carteira Gate, a Puzzle e a Hammock - e o pronto-a-vestir masculino vende mais do que alguma vez o fez. Sabes, não havia mesmo um negócio de roupa, ali, antes." A sua marca própria tem uma feliz parceria com a LVMH (o conglomerado tem uma parte minoritária da empresa) desde 2013. Ainda que seja uma meta incrivel a cruzar aos 34, ele não se regozija em auto-elogios. "Para mim, o minuto qm que sabes onde estás e quem és numa indústria, passas a ser uma personagem de ti mesmo. Por isso é melhor fazer o trabalho, ir para casa e deixar o trabalho no emprego." 

Ele vibra sob pressão, diz, mas não se deixa mais ficar stressado. "Quando assumo um projeto, é tudo ou nada - ou o fazes a sério, ou não o fazes. E aplico-me dessa forma porque, para mim, é a única forma de fazê-lo bem. Em última instância, tens de perceber que só podes dar o teu melhor." Ri e acrescenta com um levantar de ombros. "A outra coisa a perceber é que nunca vais agradar a toda a gente."

© Tom Jamieson

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