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Tal mãe, tal filha

Notícias 7. 11. 2018

As impostoras

 

A carapuça serviu-lhe? Da próxima vez que ousar sequer pensar "sou uma fraude", faça um favor a si mesma e leia este artigo. 

@Getty Images

Btw: as carapuças estão fora de moda. Não que este outono/inverno não esteja cheio de peças que nos protegem do frio e dos outros, gorros e semelhantes incluído, mas porque já há muito se percebeu que aquilo que sente como uma máscara é, na verdade, uma mentira que contamos a nós próprias quando estamos inseguras (além de uma questão estereotipada pelo género). “A ideia central deste mecanismo envolve a forma como os outros nos vêm e a maneira como cada um se vê a si próprio, principalmente em relação às conquistas profissionais (mas não só)”, explica Joana de São João Rodrigues, psicóloga clínica da ClaraMente, sobre a síndrome do impostor. “Quem é impostor de si próprio não acredita nas evidências visíveis de que é competente, porque considera-se inferior relativamente aos outros e incapaz. Baseia-se principalmente em não sentir que se merece um reconhecimento ou elogio por algo que se tenha feito (não acreditam que estão onde estão por mérito próprio), que o sucesso que se alcançou não lhe pertence e que a única coisa que pode explicar o feedback positivo é a sorte, vive perturbada pelo medo de que, um dia, descubram que ela é uma fraude”. Relatable, certo? A boa e má notícia é que não está sozinha. Qual quer ouvir primeiro? A má significa que por trás de uma mulher de sucesso pode estar a síndrome do impostor, a minar a sua experiência e reconhecimento, sem espaço para nos darmos palmadinhas nas costas. Boa, porque a união faz a força e quanto mais comunicarmos abertamente entre nós, livres de máscaras e carapuças, mais fácil é perceber que esta síndrome afeta outras mulheres que consideramos incríveis, e como elas aprenderam a lidar com ela. Como estas.

Kate Winslet
“Às vezes acordo de manhã antes de ir para uma filmagem e penso ‘não consigo fazer isto, sou uma fraude’. Adoro representar e tudo o que tento fazer é dar o meu melhor. (...) Mas estou lá a pensar, ‘oh meu deus, sou uma porcaria e toda a gente vem vê-lo. Eles escolheram a pessoa errada’. Mas também me tenho vindo a aperceber que esses nervos fazem parte do processo para mim.” – The Mirror, 2009.

Emma Watson
“Quanto melhor corre, mais o meu sentimento de inadequação aumento, porque só penso ‘a qualquer momento, alguém vai descobrir que sou uma autêntica fraude e que não mereço nada do que consegui.” – Rookie, 2013.

Meryl Streep
“Porque alguém haveria de me querer ver outra vez num filme? Eu não sei representar, por isso porque estou a fazer isto.” – USA Weekend, 2002.

Lady Gaga
“Às vezes ainda me sinto como a miúda loser do liceu e tenho de me voltar a erguer e dizer a mim mesma que sou uma superstar todas as manhãs, para conseguir aguentar o dia e ser para os meus fãs aquilo que eles precisam que eu seja.” – no documentário Lady Gaga Presents the Monster Ball Tour: At Madison Square Garden, 2011.

Tracee Ellis Ross
“Lembro-me quando os meus agentes me deixaram, no inicio da minha carreira. Disseram-me que não brilhava quando entrava numa sala. Naquela altura, talvez eu não brilhasse quando entrava numa sala ou talvez não soubesse quem era mas foi um daqueles momentos na minha carreira em que me lembro de chorar com a minha irmã e pensar ‘não sei se consigo seguir esta carreira. É muito difícil”. E se isso significa que as pessoas podem comentar sobre quem sou, levo-o de forma muito pessoal e foi o inicio de um processo de crescimento enorme para mim. Não tenho nada a ver com a maioria das coisas que as pessoas pensam de mim. Não me importa, de certa forma. Sigo a minha própria felicidade. Inconscientemente criei uma intenção clara do que queria para o meu trabalho e para a minha carreira. Foi o inicio daquilo que queria ser e tomei uma decisão naquele momento de que só continuaria a representar se fosse divertido.” - Vibe, 2015.

Cara Delevingne
“Quando fazes tudo ao teu alcance para fazer as pessoas com quem trabalhas felizes mas continua a haver quem não o seja, começas a pensar ‘bom, fartei-me de trabalhar. Fiz tudo’. Sentes que estás constantemente a desapontar os outros e há um momento em que pensas ‘espera lá, o que estou a tentar fazer? Para quem estou a fazê-lo?’. Ao longo do tempo cheguei à conclusão que o trabalho e ter a aprovação dos outros não é a coisa mais importante. Sim, a tua carreira é muito importante – mas não é o mais importante. Claro que estava orgulhosa daquilo que tinha conquistado, mas não estava genuinamente feliz.”- Motto, 2016.

Lena Dunham
“É OK para mim dizer ‘eu não sei’. Acho que muitas pessoas e jovens mulheres têm um sentimento forte de síndrome do impostor e, como uma jovem mulher, sentes que és obrigada a fazê-lo ou que não estás numa posição em que te possas expressar ou afirmar. E por isso, passei muito tempo com medo de falhar e a fingir que sabia coisas que não sabia. Agora estou a chegar a uma posição mais confortável de dizer ‘eu não sei e é OK porque há outras coisas que eu sei’.” - Chicago Humanities Festival, 2014.

Tavi Gevinson
“A síndrome do impostor é o veneno da minha existência. Olho para os meus role models e lembro-me que ninguém, não interessa quão modestas ou tímidas pareçam em entrevistas, conseguem fazer qualquer coisa sem, bom, acreditando em si própria. Tento manter-me tão inspirada em ter trabalho feito que não há tempo para ser insegura sobre isso sequer, simplesmente tenho de o fazer... Também tenho playlists (a maioria Kanye, mas também Fiona Apple e Eve e Kelly Rowland e muitos mais). E mantras. A Kate Nash uma vez disse-me o que deveria dizer a mim mesma todas as manhãs: “Sou uma badass bitch do inferno e ninguém se pode meter comigo”. Dizê-lo em voz alta torna-o ainda mais verdadeiro do que se o disseres apenas na tua cabeça. Por isso, recomendo-o. Tu consegues.” – Reddit AMA, 2004.

Mindy Kaling
“‘Porque raio não eu?’ devia ser o teu motto” – Twitter, 2014.

Helen Mirren
“Seria errado pensares que estás sempre certo e correto e perfeito e brilhante. Duvidares de ti é aquilo que te motiva a tentar melhorar.” – Esquire, 2011. 

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