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Tendências 19. 9. 2019

Adeus, toalhitas?

by Joana Moreira

 

Entopem os esgotos, estão a poluir os oceanos e, dizem os especialistas, nem são assim tão boas para a pele. A questão coloca-se: será este o fim das toalhitas?

© Getty Images

 

Em março, o Parlamento Europeu aprovou uma lei comunitária que proíbe a venda de plásticos descartáveis a partir de 2021. A diretiva, que contou com os votos favoráveis de todos os eurodeputados portugueses, tem como objetivo eliminar todos os produtos de plástico pensados para usar apenas uma vez. A preocupação com o impacto ambiental deste tipo de produtos, particularmente nos oceanos e na vida marinha, levou a uma adenda sobre as toalhitas húmidas (nas quais se incluem as desmaquilhantes). Num futuro próximo, as embalagens terão de incluir informação acerca da presença de plásticos, para que os consumidores coloquem as toalhitas no lixo e não na sanita. E se se está a questionar porque é que alguém colocaria uma toalhita na sanita, fique a saber que o caso é mais comum do que possa pensar. 

Há dois anos, já o Jornal de Notícias falava nas toalhitas como “o ‘monstro’ que ameaça as cidades”. "Cerca de 90% dos casos a que acorremos são provocados por toalhitas lançadas pelas sanitas", explicava, ao jornal, Nélson Florêncio, responsável pela empresa SOS Multiassistência, especializada em desentupimentos na zona da Grande Lisboa. No norte do país repetia-se o fenómeno. Gualter Ferreira, da Urbanu, uma empresa de desentupimentos no Porto, assegurava que, a Norte, os casos eram diários.

O problema de atirar toalhitas pela sanita é o seguinte: a grande maioria não é biodegradável, graças às fibras de plástico na sua composição. Por isso, não só vão inevitavelmente parar às águas do mar, como provocam entupimentos nas redes de saneamento em todo o mundo. A título de exemplo, Ibiza já assistiu, em 2017, a uma infestação de toalhitas na sua costa, quando uma estação de águas residuais entupiu e as toalhitas acabaram nas rochas junto à praia.

A praticidade continua a ser o argumento que valida a cultura de usar e deitar fora. As toalhitas biodegradáveis, que, ao contrário das típicas toalhitas desmaquilhantes, se desintegram na totalidade, só recentemente atingiram alguma popularidade. Aliás, só em 2018 é que a Simple se tornava a primeira marca, no supermercado, a lançar este género de produto. "Compreendemos que as toalhitas têm um impacto no nosso planeta, por isso quisemos liderar o caminho e criar as primeiras toalhitas desmaquilhantes biodegradáveis no mass market", afirmou na época Georgina Bradford, diretora de marketing da marca.

Já a The Body Shop tomou uma decisão mais radical: o fim das toalhitas. Até ao final de 2019, a marca vai descontinuar as toalhitas desmaquilhantes da gama Tea Tree. No início de 2020, deixaremos de ver as toalhitas da linha Vitamin E. “É uma decisão comercial que se alinha com o nosso compromisso de reduzir o nosso impacto no ambiente. Estamos com um foco mais alargado para assumir responsabilidade e ter uma abordagem circular com todos os materiais”, lê-se no comunicado enviado à Vogue. 

O que diz a pele

Desliguemo-nos do impacto ambiental por um momento e foquemo-nos na pele. No livro Bíblia dos Cuidados da Pele, acabado de chegar às livrarias portuguesasa dermatologista Anjali Mahto incide sobre o assunto quando se refere às suas “cinco regras da limpeza”. E é categórica: “Desaconselha-se o uso de toalhitas de limpeza facial, a não ser como último recurso no ginásio ou quando se anda constantemente de um lado para o outro. Além de poderem irritar a pele, espalham sujidade, a maquilhagem e os óleos pela superfície da pele – e acabam por não fazer uma limpeza a fundo”.

Sara Fernandes, farmacêutica e autora do blogue Make Down, define as toalhitas como “uma solução engenhosa para combater a preguiça de lavar a cara”. No entanto, nem tudo são rosas. “Se resultassem tão bem como prometem, seriam de facto uma das grandes invenções de skincare de sempre, no entanto, não resultam por vários motivos”, explica à Vogue. “O primeiro dos quais é o ‘tecido’ que as constitui, muitas vezes uma mistura de fibras sintéticas, que tem uma textura demasiado abrasiva para a pele do rosto, tornando-se ainda mais agressiva pela forma como são esfregadas para remover a maquilhagem”. Em segundo lugar, “a quantidade de desmaquilhante que embebe as toalhitas não é de todo suficiente para emulsionar a maquilhagem e protetor solar de uma cara completamente maquilhada e protegida. Na vida real, quantas vezes é que já tentou reproduzir aqueles anúncios em que uma toalhita é apenas encostada à cara e a maquilhagem fica lá impressa, deixando para trás uma cara perfeitamente limpa? Eu já experimentei e a minha experiência começa como o anúncio e acaba comigo a esfregar efusivamente o rímel dos olhos, acabando com a pele vermelha e sensibilizada”. Se está a pensar can relate”, não é a única. Por último, a questão da utilização única é, para Sara, problemática. “O material do qual são feitas as toalhitas não é biodegradável, nem reutilizável, nem reciclável. Todas as toalhitas que utilizamos ao longo da nossa vida ficam neste planeta muito depois de termos falecido. A mim faz-me pensar se é este o legado que quero deixar para as futuras gerações”, remata. 

E se há quem use ocasionalmente, há quem as considere companheiras diárias. Sobretudo quando se está a começar nos cuidados de rosto, o refúgio nas toalhitas pode ser ainda mais tentador. “Creio que é um pouco intimidante escolher um produto de limpeza quando se dá os primeiros passos para tratar da pele”, admite a farmacêutica. “As variedades são mais que muitas e a informação é confusa e desconexa, percebo perfeitamente que é mais simples simplesmente agarrar num pacote de toalhitas e resolver o assunto”. 

Contudo, os efeitos a longo prazo servem de motivação para não o fazer. “A longo prazo, o uso de toalhitas desmaquilhantes pode causar irritações na pele precisamente por não necessitarem de enxague. O desmaquilhante, frequentemente um tensioativo, fica em contacto com a nossa pele sem ser lavado. Imagine sair do banho com gel de banho espalhado pelo corpo, sem passar por água. O fenómeno é semelhante”. Faz sentido. Mas muitas são as que continuam a fazê-lo. Aliás, há até quem tenha a embalagem de toalhitas estrategicamente colocada na mesa de cabeceira para limpar o rosto antes de ir dormir. Água depois? Nem vê-la.

A saber: há opções

Se sempre se fiou nas toalhitas desmaquilhantes, provavelmente ignorou os demais produtos de limpeza. Mas há alternativas. E são, não só mais sustentáveis, como mais eficazes. “Qualquer desmaquilhante é melhor que uma toalhita, desde que seja passado por água a seguir, e sim, isto inclui as águas micelares”, afirma desde logo Sara Fernandes. A farmacêutica tem preferência pelos óleos e manteigas desmaquilhantes: “acho que são os mais rápidos e eficazes a remover maquilhagem, pois basta massajá-los num rosto seco e remover com uma toalha turca ou pano de musselina molhados e a maquilhagem desaparece em minutos. Não sei se será mais rápido que uma toalhita, mas posso dizer que será garantidamente mais eficaz”. 

Também a The Body Shop está a direcionar os seus clientes para este tipo de produto, que a marca apropriadamente comercializa. “Recomendamos a nossa manteiga de limpeza de camomila que remove a maquilhagem enquanto limpa a pele. Funciona de forma brilhante quando usada com uma toalha de algodão 100% orgânico. Usar uma toalha é uma ótima opção já que pode ser lavada e reutilizada uma e outra vez”, pode ler-se no comunicado a propósito do fim da venda de toalhitas desmaquilhantes.

Contudo, estas texturas mais oleosas, com o intento de literalmente “derreter” a maquilhagem, não são a única opção. “Para quem não aprecia este tipo de produto, existe também uma variedade enorme de cremes lavantes e espumas mais ou menos abrasivas para todos os gostos. Garanto que ficará mais bem servido que com as toalhitas”, lembra a farmacêutica. 

Mas se o objetivo for cortar no desperdício até do próprio produto, há também já escolhas que possibilitam uma limpeza sem qualquer cleanser. Um dos exemplos é o produto-estrela da marca Glov. Hasteando a bandeira do “zero desperdício”, a empresa polaca comercializa uma luva, lavável e reutilizável até três meses, cujas fibras são capazes de retirar toda a maquilhagem apenas com água. 

 

Artigo originalmente publicado na edição de setembro de 2019 da Vogue Portugal.

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