Eventos   Moda   Pessoas  

A máscara de Gwendoline Christie na Met Gala 2026 é uma verdadeira obra de Arte

05 May 2026
By Liam Hess

Gwendoline Christie participa na Met Gala de 2026. Foto: Getty Images

Esta noite, a estrela de Game of Thrones e Wednesday chegou à Met Gala 2026 com um vestido deslumbrante da Giles Decaon que presta homenagem a um trio de artistas.

A admiração de Gwendoline Christie pelo trabalho do seu companheiro de longa data, o designer britânico Giles Deacon, vem de há muito tempo. "Já queria usar um vestido do Giles na Met Gala antes mesmo de começar a namorar com ele, e isso foi há 13 anos", conta. "Por isso, este momento já era esperado há muito tempo".

Esta noite, a estrela de Game of Thrones e Wednesday chegou à Met Gala 2026 com um vestido deslumbrante da Giles que presta homenagem a um trio de artistas que Christie tem no coração. Em primeiro lugar, temos John Singer Sargent — uma inspiração de longa data também para Deacon — cuja "elegância" e "linhas graciosas", nas próprias palavras de Christie, são visíveis na cintura marcada e na saia sereia da silhueta do vestido. Depois, há o trabalho surrealista da fotógrafa britânica Madame Yevonde, cujo papel pioneiro nas décadas de 1930 e 1940 Christie recorda ter descoberto enquanto ajudava uma amiga que estudava na Central Saint Martins. "Fiquei fascinada pelas fotografias dela", recorda Christie, referindo que descobriu recentemente que Yevonde estava na sua arvore genealógica distante. (Com as suas maçãs do rosto salientes e os olhos grandes e expressivos, é possível ver a semelhança.) Outra inspiração? O fotógrafo nova-iorquino Ira Cohen, cujas imagens "alucinogénicas e distorcidas" inspiraram as faixas de cor em espiral que percorrem o vestido na diagonal.

Getty Images

Mas, sem dúvida, o detalhe criativo mais marcante do look de Christie é a máscara do seu próprio rosto — criada por ninguém menos que Gillian Wearing, a aclamada artista britânica do movimento YBA que ganhou o Prémio Turner de 1997. Embora Christie tenha estado envolvida em todos os aspetos do look — o seu conhecimento enciclopédico de Moda e de história cultural é verdadeiramente impressionante, já que cita nomes como Claude Cahun e o Retrato Arco-Íris de Isabel I como outras influências no look —, afinal a máscara foi, na verdade, ideia de Deacon. "Acho que o trabalho de Gillian é incrivelmente singular e fascinante, e tem um tipo de beleza inquietante que eu adoro", diz.

"À medida que vou descobrindo, às vezes, vale a pena pedir o impossível", acrescenta Christie. "Temos amigos em comum, e entrei em contacto com a Gillian para lhe pedir, e ela aceitou imediatamente. E o que adoro nisto é que não se trata de uma única coisa: não é apenas a máscara. Não é apenas um espelho. São tantas coisas. Será um escudo? Será uma expressão?" Dada a notável habilidade de Christie como atriz, não é surpresa que ela tenha conseguido transmitir todas as diferentes interpretações possíveis na passadeira vermelha (ou, mais precisamente, verde exuberante) desta noite. "É sempre divertido desenvolver uma personagem [com a Gwendoline] e dar movimento à conversa", observa Deacon. "Isso expande toda a narrativa de que "a moda é arte” para um plano muito pessoal, trazendo para ela o elemento da sua performance artística".

Outro elemento fundamental do visual é o extravagante adereço de cabeça que Deacon criou em colaboração com o icónico chapeleiro Stephen Jones, que apresentava uma profusão de penas de avestruz e de faisão, habilmente tingidas para fazer eco aos tons do vestido de Christie. Embora as cores estivessem deliberadamente dentro da mesma gama de tons — com o "vermelho lago", a tonalidade de cereja vibrante especialmente apreciada por Ticiano —, os tecidos eram uma mistura exuberante de camadas aplicadas à mão (e, ocasionalmente, rasgadas à mão): "Georgette, chiffon, cetim duplo duchesse, organza de cetim, tule de seda e tule de rede mais pesado", explica Deacon. "Queria trabalhar com todos estes elementos diferentes para que se pudesse realmente ver e sentir o processo".

Getty Images

Ao mesmo tempo, a dupla fez questão de garantir que nenhuma das referências parecesse demasiado literal. "É possível ver tudo isso no vestido, mas queríamos criar algo com uma identidade própria muito clara", afirmou Christie. "A moda tem a ver com o que há de novo, e era isso que queríamos fazer. Não queríamos recriar nada".

Getty Images

Getty Images

A compreensão inata de Christie sobre a Moda deve-se, em parte, à sua relação com Deacon — nas palavras dele, "ela tem um olhar muito específico e compreende verdadeiramente as complexidades de criar algo". Mas deve-se também às suas relações profundas dentro da indústria, tendo sido amiga de designers como Kim Jones e John Galliano (com quem colaborou na famosa coleção de Alta-Costura de 2024 da Maison Margiela), bem como da estilista Katie Grand. Foi, portanto, a Grand a quem recorreu para a "direção criativa" do look desta noite, bem como a Pat McGrath, cuja maquilhadora, Jenny Kuchera, criou o seu look de beleza. 

Entre Deacon, Jones, Grand e McGrath, poder-se-ia dizer que Christie reuniu o seu próprio Avengers da moda. Mas são as relações que sustentam essas colaborações que dão origem à magia, afirma Christie. "São pessoas que adoro verdadeiramente e nas quais me inspiro imenso. Esta noite é sobre a relação entre a moda e a arte — e é isso que isto realmente é."

Traduzido do original, disponível aqui.

Liam Hess By Liam Hess

Relacionados


Eventos   Moda   Pessoas  

O look de Ashley Graham foi costurado no seu corpo para a Met Gala 2026

04 May 2026

Eventos   Curiosidades  

O significado por trás da passadeira vermelha da Met Gala 2026

04 May 2026

Eventos   Pessoas   Moda  

O corpo de Emma Chamberlain é uma tela na Met Gala 2026

04 May 2026

Eventos  

Charli XCX inspira-se em Van Gogh na Met Gala 2026

04 May 2026