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8 estúdios de fitness para descobrir e repetir

23 Jun 2026
By Beatriz Fradoca

Fotografia: Instagram via @ullapilatesclub

Nos últimos anos, os estúdios de fitness multiplicaram-se. Há espaços novos a surgir em praticamente todos os bairros, com conceitos cada vez mais diferenciados e uma atenção crescente à experiência como um todo. À primeira vista, isto parece uma vantagem evidente. Mas, afinal, no meio de tantas opções, quais são os espaços que realmente valem a pena experimentar?

Seja numa aula de pilates, numa sessão de barre, numa prática de yoga ou num treino de boxe, tudo começa pela forma como nos sentimos quando entramos no espaço. O ambiente, os instrutores, a energia da sala e até a comunidade que se cria à volta de cada estúdio têm um papel tão importante quanto o próprio exercício. Ao longo das últimas semanas, passei por diferentes espaços para perceber o que distingue cada conceito, como são as aulas e, acima de tudo, se conseguem transformar o exercício físico numa experiência à qual apetece voltar. Entre aulas intensas que desafiam a resistência, práticas focadas no equilíbrio e conceitos híbridos que trabalham o corpo de forma global, estas são oito sugestões para quem procura um novo estúdio onde treinar.

Fine Club


Se alguém vos disser que Lagree é fácil, não acreditem. O Fine Club, o primeiro estúdio em Lisboa inteiramente dedicado a esta prática, abriu portas a 8 de maio, em Campolide, com a intenção clara de manter-se o mais fiel possível ao método original. A experiência é intensa, daquelas em que o corpo começa a questionar as decisões tomadas ao longo da aula. As repetições tornam-se difíceis cedo e há momentos em que simplesmente temos de nos obrigar a continuar, mesmo quando o impulso seria parar. Não é um treino “acessível” no sentido leve da palavra, e isso sente-se desde o primeiro minuto. Depois de sair da sala, como recompensa, temos o wellness bar da Aura. É quase um reset imediato: smoothies pensados para recuperar energia e devolver alguma leveza ao corpo depois de um treino que, honestamente, não facilita nada.

Chaos Pilates


O Chaos Pilates é o primeiro estúdio de pilates reformer na Margem Sul e, honestamente, não fica atrás de muitos espaços em Lisboa. Há uma ambição discreta no conceito, sem grandes efeitos ou excessos, mas com uma execução muito sólida. Sente-se que o estúdio foi pensado para funcionar bem no dia a dia: tudo no sítio certo, equipamentos bem cuidados, e uma organização que não distrai do essencial. Apesar dessa base mais prática, o ambiente acaba por ser surpreendentemente próximo. Tem uma energia quase familiar, sem perder o lado profissional, o que faz com que a experiência não seja apenas “uma aula”, mas algo um pouco mais cuidado do que isso. 
Ao longo da sessão, a instrutora mostrou uma dedicação constante e houve até momentos em que tive a sensação de estar numa aula quase privada, apesar do estúdio estar cheio. Não ajudei muito, admito, com alguma falta de equilíbrio e coordenação que foi ficando evidente ao longo dos exercícios, mas isso só tornou a experiência mais real.

Bhout Boxing Club Almada


Já tinha experimentado boxe noutros estúdios, mas nada se compara ao Bhout. É um espaço altamente tecnológico onde não existe receção e tudo é gerido através da aplicação: desde a entrada no estúdio até ao saco de boxe. A experiência vai muito além do treino tradicional. Aqui, o boxe é transformado num jogo, quase numa competição contínua, onde cada “jogador” acumula pontos consoante o desempenho ao longo da aula. Há um lado quase viciante nesta lógica, que faz com que a intensidade do treino ganhe outra dimensão. Fiz a aula com o instrutor Joel e, mesmo sem ter grande termo de comparação dentro do próprio estúdio, foi uma das melhores experiências que podia ter tido. Extremamente atento, acompanhou a turma de perto do início ao fim, garantindo não só que cada um chegava ao limite, mas também que as correções técnicas eram feitas sempre que necessário. A sensação é de um treino exigente, mas muito bem guiado.

Ulla Pilates Club


Se tivesse de descrever o Ulla Pilates Club, no Saldanha, em uma palavra, seria girly place (vá, duas palavras), embora seja um espaço claramente aberto a todos. Há uma estética muito cuidada, um ambiente leve e um balneário pensado ao detalhe, com tudo o que se possa precisar antes ou depois da aula, o que contribui para essa sensação de experiência mais completa do que apenas treino. A dinâmica das aulas também reforça essa ideia de comunidade. Os instrutores têm uma forma muito natural de puxar pela turma, incentivando a conversa e a integração entre quem está na sala, o que acaba por tornar o ambiente mais descontraído do que se poderia esperar de um treino tão exigente. Fiz o circuito completo, que combina a cadeira, quase “demoníaca” na forma como obriga ao controlo absoluto do corpo, com o reformer. O resultado é um treino extremamente completo, intenso, e que não disfarça o impacto no dia seguinte. Tudo isto acontece, no entanto, com uma leveza estranha, quase contraditória, entre esforço físico e momentos de riso com a instrutora que tornam a experiência menos rígida e mais fluida.

The Reformer Lab Amoreiras


Quando ouvi falar de Barre pela primeira vez, a minha mente foi imediatamente para o ballet. Imaginei algo delicado, muito controlado, quase tudo assente em pliés e pontas, com um ritmo suave e, talvez, até relaxante. Não podia estar mais enganada. Fica o aviso já aqui. Se vão à procura de uma versão leve e tranquila de barre, não é bem isso que vão encontrar. É um treino intenso, com pesos leves, bolas de pilates e uma sequência de movimentos que parecem simples até ao momento em que deixam de o ser. As pernas começam a tremer mais depressa do que se consegue disfarçar e há um ponto na aula em que a resistência mental passa a ser tão importante como a física. No The Reformer Lab, em particular, a aula foi muito focada em pernas e core, num formato contínuo que não dá grande espaço para pausas. Saí de lá com aquela sensação clássica de “isto vai ser bonito amanhã” e, de facto, durante uns dias, até andar se tornou uma espécie de negociação interna com o meu próprio corpo.

Connection Studio


O Connection Studio chamou-me pela variedade de aulas e, quando vi Pilates & Barre Sculpt, pareceu-me a desculpa perfeita para experimentar uma coisa que, na teoria, já soava a desafio. A sala era escura, o que agradeci mais do que devia, já que as figuras que fiz pouco tinham a ver com o que estava a ser demonstrado, por isso, quanto menos testemunhas, melhor. Ainda assim, a penumbra também teve o seu preço: perdi-me várias vezes na sequência e fiquei ali num limbo entre tentar acompanhar e fingir confiança. Há também a questão da língua, que, se já experimentaram alguns estúdios em Lisboa, sabem que é a nova norma. Aulas em inglês, por muito fluente que uma pessoa seja, num momento de esforço físico, o cérebro (pelo menos o meu) não está disponível para tradução simultânea, está demasiado ocupado a sobreviver. E isso fez com que, em vários momentos, simplesmente deixasse de acompanhar o que estava a acontecer.

XIL Hot Yoga


Acredito que esta não seja uma aula para toda a gente. Há suor constante, um calor quase desconfortável e aquela sensação de estar sempre um grau acima do limite. Mas, no meu caso, gostei mais do que estava à espera. Há qualquer coisa de satisfatório em sair completamente encharcada e com a ideia (talvez ilusória) de que, quanto mais se transpira, mais “vale” o treino. A certa altura, deixou de ser só esforço e passou a ser visibilidade. Literalmente. Já não conseguia ver bem o que estava a fazer porque tinha água a escorrer pela testa como se fosse parte do exercício. Coordenação e visão não coexistiam bem naquele cenário. Ainda assim, foi a minha primeira experiência numa aula “hot” e deixou-me com vontade de repetir. O XIL Hot Yoga é bastante completo e organizado, mas há um detalhe prático que convém não ignorar: levem uma toalha grande de casa. Caso contrário, acabam como eu, a pagar 3€ por um aluguer obrigatório que podia ter sido evitado com um pouco mais de planeamento.

Frequency Pilates

O Frequency é um dos estúdios de Pilates mais recentes de Lisboa e destaca-se pela atenção dada à experiência como um todo. Inspirado pela estética japonesa, apresenta um espaço cuidado, minimalista e com uma atmosfera tranquila que convida a abrandar antes mesmo da aula começar. Já o treino segue outra direção: intenso, desafiante e fisicamente exigente. Ainda assim, é um esforço que compensa. Os exercícios são bem estruturados e, no final, fica a sensação de um treino eficaz, daqueles que se fazem sentir nos dias seguintes.

Beatriz Fradoca By Beatriz Fradoca
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