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Tendências 14. 8. 2018

V de vajazzling

by Catarina Parkinson

 

Ah, verão. Ir de férias e voltar com um tereré, uma tatuagem temporária no pé ou madeixas loiras naturais. Been there done that. O vajazzling é a recordação que vai querer fazer (e trazer consigo) nos próximos meses.
Só precisa de uns quantos cristais e algum sentido de humor.

© Getty Images. Composição gráfica João Oliveira

Lembra-se daquela épica cena da série O Sexo e a Cidade em que Samantha decide pintar a zona íntima? Assombrada pelo aparecimento de um pelo púbico cinzento e assustada pela lenda urbana que nos diz que se arrancarmos um aparecem mais uns quantos (quatro, seis, sete as opiniões divergem) para o funeral, decidiu que a melhor solução seria usar uma coloração de cabelo para uniformizar tudo. Acabou por ser pior a emenda que o soneto, quando deixou ficar a tinta demasiado tempo e o resultado foi um tufo cor de laranja que tinha ar de tudo menos natural (temporada seis, episódio 12, se quiser rever o momento). Samantha fê-lo por necessidade e erro (coitada), mas há quem o faça com gosto e convicção. E não estamos a falar só de pintar os pelos púbicos.

Já lhes fizemos praticamente de tudo. Entre tirar tudo, às vezes até de forma permanente recorrendo à depilação a laser, ou manter a zona perfeitamente aparada e reduzir a presença de pelos ao mínimo e indispensável, a verdade é que eles chegaram quase a ser considerados persona non grata. Tanto que hoje em dia uma mulher com uma região púbica preenchida é a exceção à regra e não o contrário. Durante anos, o principal objetivo era acabar com eles, quase como que eliminando qualquer vestígio de que alguma vez tivessem existido. Parece que, insatisfeitas com a dizimação dos pelos púbicos, começámos a pensar em novas maneiras de decorar a região. E não encontrámos melhor candidato para a tarefa que cristais, pequenos cristais que são minuciosamente colocados de forma estratégica para idealmente criar um desenho e dar origem ao que é conhecido como vajazzling (vagina + bling).

Antes que se assuste, desmistificamos já o termo dizendo que é quase tão simples como aplicar uma daquelas tatuagens temporárias que saem no Bollycao. Só que é como se fosse a versão adulta destas tatuagens. Recomenda-se a consulta de um especialista (principalmente se for a primeira vez que o vai fazer), porque não deixa de ser uma zona mais delicada e que exige mais perícia pelo tipo de aplicação que é feita. Demora no máximo 15 minutos e a zona deve estar completamente livre de pelos para garantir a correta aderência dos cristais à pele. Depois de escolher o desenho, que pode vir feito ou pode ser criado no momento, a área é esterilizada e os cristais são aplicados com a ajuda de uma pinça própria. Pode durar entre sete a 10 dias, consoante o nível de atividade da pessoa, que deve evitar aplicar qualquer tipo de creme ou loção junto à região. Caso algum cristal salte antes do tempo, é possível voltar a colocá-lo utilizando a já familiar cola de pestanas postiças, completamente segura e testada para respeitar a pele.

Em Portugal, Isabel Oliveira, do Gabinete de Estética Isabel Oliveira, na Maia, conta à Vogue que desconhece ao certo quando ou como é que surgiu esta ideia de decorar a zona genital feminina com cristais, mas que a técnica teve o seu grande impulso quando Jennifer Love Hewitt admitiu que o fazia numa entrevista lá isso teve. A atriz falou pela primeira vez sobre este procedimento no talk-show americano Lopez Tonight em 2010 e dois anos mais tarde, numa entrevista à revista Maxim, voltou a dizer que continuava fã do método, explicando que adorava a ideia de poder andar o dia todo com um pequeno segredo especial (e brilhante) que mais ninguém sabia.

Para Love Hewitt, o vajazzling parece ser uma forma de enaltecer e celebrar a feminilidade, apesar de a maior parte das pessoas pensar que as mulheres o fazem para surpreender o parceiro. Contudo, Isabel acredita que o aumento de popularidade que verificou nos últimos anos na procura do serviço que disponibiliza no seu salão se deve à maior atenção e cuidado dado à aparência (principalmente nas mulheres mais velhas). Existe ainda a possibilidade de tingir os pelos de uma cor especifica, uma opção especialmente interessante na altura em que vivemos o mundial de futebol caso procure uma maneira “diferente” de mostrar apoio à seleção. Já é possível encontrar tintas próprias para o efeito e adequadas para serem aplicadas na zona sensível que é a região íntima. Basicamente descobrimos uma nova tela e agora só resta explorar os limites da imaginação.

 

*Artigo originalmente publicado na edição de julho de 2018. 

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