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Tour Guide: Férias no Rio de Janeiro?

© Bel Niemeyer

Roteiro 5. 6. 2018

by Julia Pitaluga

 

Um roteiro sobre o que fazer e onde ficar na Cidade Maravilhosa, mesmo quando não estiver na praia.

O verão é a estação que predomina na cidade o ano inteiro. Mesmo durante o outono e inverno - épocas em vigor no território -, as temperaturas dificilmente ficam abaixo dos 23 graus, atraindo, por isso, cada vez mais o turismo internacional numa escolha quase unânime para quem quer passar uns dias desligado e a aproveitar o calor, independentemente do que marca o calendário.

A cidade é um postal para a maioria dos fashionistas e é preferida por nomes como Gisele Bündchen, Jean Paul Gaultier, Anna Cleveland, Mart Alas e Marcus Piggott, Riccardo Tisci e Madonna, que, quase anualmente, desembarcam por lá. Além disso, esteve na mira internacional nos últimos anos, não só pela sua beleza indiscutível, mas por ter sido palco dos Jogos Olímpicos 2016 e receber, no mesmo ano, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Niterói, o Resort 2017 da Louis Vuitton (que trouxe consigo celebridades de peso como Grace Coddington, Jaden e Willow Smith, Catherine Deneuve e Zendaya).

A questão impõe-se: o que fazer no Rio de Janeiro, além do sol e caipirinhas? Com tantas tigelas de açaí para comer e cocktails exóticos para beber, a cidade referência de lifestyle do Brasil e da América Latina é muito mais do que apenas um local olímpico com praias bonitas. 

Primeiro: assegure-se que está hospedada no melhor local.

Há inúmeras boas opções perto das praias, como o Belmond Copacabana Palace, localizado no bairro de Copacabana: o charmoso hotel é conhecido pela sua tradição e história, com um rol de celebridades à mistura na lista de hóspedes (nomes como Brigitte Bardot, Lady Di e Carla Bruni). Na piscina central, pode relaxar acompanhada de uma caipirinha se preferir não pisar a areia. Outra opção muito requisitada é o Hotel Fasano, localizado em Ipanema (quase no Arpoador): moderno e sofisticado, seguramente já vislumbrou a piscina do rooftop no feed de instagram, conhecida por receber quase diariamente festas privadas que desfrutam da vista privilegiada para o morro Dois Irmãos. O Baretto-Londra também faz parte do hotel: o nightclub é conhecido pela carta de drinks e recebe shows ao vivo e festas fechadas ao longo da semana. Se quiser fugir das praias, opte por Santa Teresa. Bairro do Rio antigo, é uma zona charmosa, calma e conhecida como a Montmarte carioca. Espreite o Hotel Santa Teresa, um verdadeiro refúgio urbano no coração da zona, onde encontra o conhecido Bar dos Descasados e o restaurante Térèze, que surpreendem com a gastronomia francesa e uma vista carioca de tirar o fôlego. Outro hotel-boutique que vale a pena é o Mama Ruisa: a casa de hóspedes com uma sensação brasileira exótica e um toque francês requintado abriga uma piscina, cercada por palmeiras e beija-flores, que passou a ser o cenário perfeito para passar dias de férias no Rio de Janeiro.

Coma o melhor açaí da cidade.

© Amazônia Soul

Como comer Pastel de Nata em Lisboa, pizza em Itália ou bagels em Nova Iorque, o açaí é indispensável no Brasil. Típico do norte do país, aquela espécie de gelado da fruta púrpura é um verdadeiro fenómeno no Rio de Janeiro e a maioria dos brasileiros come como snack, especialmente antes de se exercitar porque dá energia. Pode encontrá-lo praticamente em qualquer lugar da cidade em opções desde o tradicional paraense, puro, sem açúcar e com farinha de tapioca, até às monumentais barcas de açaí. Mas se procura uma experiência realmente autêntica, dirija-se à Tacacá do Norte, no Flamengo; ao Porto do Sabor, se estiver pela Barra da Tijuca; ao Amazônia Soul, em Ipanema, ou ao Restaurante Arataca, pelas redondezas das praias de Copacabana.

Não deixe de visitar o Rio Imperial.

© Real Gabinete Português de Leitura

O Rio de Janeiro era uma pequena cidade quando Dom João VI desembarcou com a sua Côrte, a 7 de março de 1808, para torná-la capital do Império Português. Mais de cem anos após a instauração da República, a cidade ainda oferece uma série de lugares conservados onde pode reviver os tempos imperiais. Locais como a Quinta da Boa Vista, o Jardim Botânico, a Ilha Fiscal, o Paço Imperial, o Museu e Biblioteca Nacional, o Real Gabinete Português de Leitura e Igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro, foram alguns dos principais cenários de acontecimentos que marcaram a história do Brasil com Portugal.

Conheça os famosos triângulos da cidade.

© CCBB

Triângulo carioca diurno.

Guarde um dia para passear pelo Centro, o maior coração histórico de entrada e visão cultural da cidade. O Centro Cultural Banco do Brasil, que abriga o CCBB Rio e seu teatro, cinema e exposições, chama cada vez mais a atenção pelos projetos de diferentes estilos e movimentos culturais, como o Surrealismo, Andy Warhol e Salvador Dalí. Seguindo a programação cultural do dia, é inevitável não entrar na Casa França, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, que alberga diversas exposições de renomados artistas, como o fotógrafo Sebastião Salgado e o artista contemporâneo Eliseu Visconti. No final do tour artístico, um casarão branco do século XX estará à sua espera e aloja uma galeria de arte para pequenas mostras no piso térreo. No segundo e terceiro andares, dez salas abrigam exposições de maior porte, no Espaço Cultural dos Correios, vulgo CCC.

Triângulo carioca noturno

O chamado “Baixo Leblon” pelo locais é conhecido como o triângulo carioca tanto diurno quanto noturno, apesar de, à noite, o encontro das três esquinas ser mais movimentado. Ali, encontra-se um dos três hotspots preferidos da Zona Suldo Rio: O Bar Jobi, a Pizzaria Guanabara e o BB Lanches - é só atravessar a rua para encontrar cariocas que ora estão a tomar um chopp gelado no Jobi, na calçada, ora estão a pedir um açaí ou um pastel no BB Lanches. Acabam a noite com pizza na Guanabara entre amigos. Isto é o Rio.

Saia do roteiro.

Poder fugir do passeios óbvios e, consequentemente, das filas e espeçoas cheios, e conhecer lugares locais é um luxo em cidades turísticas como o Rio. Num sábado de manhã cedo, espreite a feira de antiguidades da Praça XV, caminhe até à Feira do Lavradio – com achados fashionistas imperdíveis - e passe pelo Mercado Moderno para comprar flores e enfeitar o seu dia. Já pela Barra da Tijuca, a Casa das Canoas, projetada por Oscar Niemeyer em 1951, é o local ideal para festas, mas vale a visita fora do seu roteiro para conhecer um pouco mais da arquitetura moderna brasileira que molda o Rio de Janeiro. O MAC (Museu de Arte Contemporânea) é uma ótima ideia também para quem quer sair um pouco do Rio previsível e perder pelo menos uma hora para chegar a Niterói, onde o museu se encontra.

Explore as redondezas.

Conhecer o interior do Rio deve estar nos planos de quem visita a cidade maravilhosa e tem tempo de sobra. Petrópolis, por exemplo: o clima é mais ameno, as construções são totalmente históricas e há uma vegetação que atrai turistas a todo o momento. Assim como Paraty, menos longe que Petrópolis: a pequena cidade charmosa contém apenas cinquenta bairros e é uma mistura de cidade com natureza com ruas irregulares que lembram o interior da Bahia. Lá acontecem os maiores festivais atuais do Rio de Janeiro como a FLIP (Festival Literário Internacional de Paraty) e Festival Bourbon, grande evento internacional de jazz. Mais perto que as duas outras, e a apenas 50 minutos de distância do Rio, está a Ilha de Paquetá. A única forma de chegar à ilha é através de uma barca que sai da Praça XV e atravessa a Baía de Guanabara para terminar no pequeno local coberto de areia.

Aproveite como um nativo.

© Restaurante Bazzar

Começar o dia a almoçar no Restaurante Bazzar, passando pela Livraria da Travessa de Ipanema, pausando à tarde para um brunch na Bel Trufas e, no fim ddo dia, seguir para o Baixo Gávea e parar no Guimas ou no Braseiro da Gávea é o tipo de dia ideal no Rio de Janeiro. Em Santa Teresa, é de unânime preferência separar uma tarde e aproveitar as delícias do Bar do Mineiro, assim como conhecer, em Botafogo, o novo Marchezinho; no Leme, o preferido atualmente entre os cariocas atentos é o Salomé Bistrô, do mesmo dono do Bar Canastra em Ipanema. O Sushi Leblon, no bairro do Leblon costuma ser movimentado desde o almoço até de madrugada e é considerado o melhor restaurante japonês da cidade. O Bar Astor e o Riba da orla são bares ótimos para relaxar com uma caipirinha e observar o pôr-do-sol devagar, bem ao jeito dos cariocas. E como não falar da Urca? Um dos bairros singulares e mais privilegiados da cidade, aconselha-se "estacionar" em frente ao Bar Urca ou em frente ao delicioso Julius Brasserie, onde pode sentar-se no muro e esperar que chegue pedido sem pressa e com privilegiada.

Ferva (segundo a gíria local: festeje!)

Baretto Londra, Hotel Fasano Rio

O Rio de Janeiro também é conhecido pela cena noturna da cidade, pelo samba, pela MPB e pela alegria. Na Lapa é onde se concentra a maior parte de bares boémios e é onde se encontram as casas de festas mais tradicionais do Rio, o Circo Voador e a Fundição Progresso. A agenda é movimentada com line-up de shows nacionais e internacionais. Uma opção pela Zona Sul é o nightclub do Hotel Fasano, o Baretto-Londra: não vai encontrar MPB e samba por lá, mas o clube segue animado com o melhor da música pop e house. A cena noturna do Rio atualmente também se encontra em festas esporádicas sem datas fixas mas que vale a pena pesquisar antes de chegar à cidade, como a MOO, a Selvagem e a Croma. A dica final é terminar a noite no triângulo noturno ou no Galeto Sat’s e no Cervantes, hotspots em Copacabana frequentados religiosamente pelos locais no fim de noite.

Explore a natureza do Rio

Mirante Dona Marta

O que aparentemente mais atrai visitantes ao Rio de Janeiro é a beleza da cidade grande, que transita pela natureza facilmente. É normal andar pela Lagoa e deparar-se com araras e tucanos soltos, bem como um morro cheio de verde de vegetação logo ao lado. Para contemplar a beleza natural da cidade, uma caminhada pelo Alto da Boa Vista, passando pela Vista Chinesa é imperdível. Na descida, um pit stop para um mergulho na Cachoeira do Horto deixa qualquer rotina em "alto astral". Pela Tijuca, separar uma manhã para passear pela Floresta da Tijuca onde abriga o Parque Nacional da Tijuca e as Paineiras para depois apanhar uma van e subir para o alto do Cristo Redentor pode ser uma boa opção em dias de semana para evitar confusões e filas. Mas quem é local mesmo vai te dizer para não deixar de ir ao Mirante Dona Marta, nome quente entre os cariocas e com visual de tirar o fôlego. Se estiver com tempo e quiser desvendar os paraísos pelos lados da Barra da Tijuca, não deixe de conhecer a Barra de Guaratiba, Ilha da Gigóia e terminar o dia no Sítio Roberto Burle Max: residência de Burle Max de 1973 até 1994, o sítio é hoje uma unidade especial com um acervo botânico e paisagístico reconhecido como uma das mais importantes coleções de plantas vivas do mundo.

Planeie algo para possíveis - curtos - dias de chuva

Se chover no Rio, acredite, é passageiro. Não importa a estação, o calor é o que predomina na cidade e a chuva, mesmo no inverno, não costuma ser persistente. Mas se isso acontecer e, embora o Rio seja projetado em torno de atividades ao ar livre, uma atração interior inspiradora é o Museu do Amanhã. O edifício futurista, projetado pelo arquiteto Santiago Calatrava, alberga o museu da ciência que é uma celebração da vida e da Terra e oferece um lembrete do efeito que a humanidade está a ter no planeta. É abertura de olhos e inspiração ao mesmo tempo. Boa opção também é o Instituto Moreira Salles (IMS), casarão construído em 1951 com projeto arquitetônico de Olavo Redig de Campos e projeto paisagístico de Burle Max. Localizado na Gávea, é da antiga família Moreira Salles que passou a ser uma instituição sem fins lucrativos e que atua como museu, restaurante (Empório Jardim) e cinema cult. Falando em cinema, ótimos lugares para se isolar da chuva e assistir a bons filmes também são os cinemas de rua como o da Casa de Cultura Laura Alvim, o antigo e belíssimo Cine Odeon, os cinemas de Botafogo, Net Botafogo, Net Rio e Espaço Itaú de Cinema Botafogo e o tradicional Roxy, em Copacabana.

Descubra marcas locais

Quando se pensa na moda brasileira, na carioca mais ainda, o traje de banho imediatamente vem à mente. E enquanto essa é a roupa de escolha em praias ao redor do país, o Rio é preenchido com uma variedade de designers autênticos e originais que têm algo para todos e que serve tanto para o dia e para as areias quanto para o trabalho e para a noite. Os aficionados à moda conhecem Francisco Costa, Pedro Lourenço e Alexandre Herchcovitch, mas há muitos criadores menos globais baseados no Brasil. De marca de nicho Paola Vilas que oferece joias surrealistas e funcionais tanto como brincos e broches impecáveis lembrando esculturas e adornos artísticos, para Wymann que veste mulheres reais com uma coleção de roupas de nós torcidos em materiais macios que moldam e se dobram de acordo com o corpo de cada mulher. Têm sempre um perfume artístico e manual, já que Raquel Alvarez, a designer, é apaixonada por tal. Também encontra a Handred, do designer André Namitala, ótima opção com roupas genderless que transmitem exatamente o lifestyle carioca através de camisas leves e frescas e robes fashionistas para sair. Do mesmo grupo de amigos cariocas, a The Paradise, do Thomas Azulay e do Patrick Doering, é a preferida entre a cena da moda brasileira quando o assunto é seda e estampados alegres e divertidos, tendo como assinatura a cor principal da marca, “o arco-íris”. Outras marcas boas para conhecer também são a WaiWai Rio, de Leo Neves com colaborações imperdíveis de Betina de Luca, NannaCay, da Marcia Kemp, mestres em bolsas hit de palhas, Julia Gastin, a figurinista que dá o nome à marca faz acessórios must-have com elementos inusitados que beiram o desejo das brasileiras e Isabela Capeto, marca de roupas handmade cheia de brasilidade. A maioria delas pode ser encontrada na Casa Ipanema e na Os/On, duas multimarcas, em Ipanema e no Horto, respetivamente, que abrigam novos designers e são pontos obrigatórios para uma fashionista que visita o Rio.

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