Artigo Anterior

Dia Mundial da luta contra o Cancro da mama

Próximo Artigo

#Trending: Lily-Rose Depp e Timothée Chalamet

Notícias 22. 10. 2018

Os protestos de Rihanna e Amy Schumer contra o Super Bowl

by Mónica Bozinoski

 

Depois de Rihanna ter recusado o convite da NFL para atuar no intervalo do Super Bowl 2019, numa posição que terá sido tomada como forma de apoio ao atleta Colin Kaepernick, foi a vez da atriz e comediante Amy Schumer se juntar ao protesto.

Rihanna nos Billboard Music Awards 2016 ©Getty Images 

Desde os anos 80, numa colisão astronómica entre desporto e música, os 13 minutos do Halftime Show do Super Bowl são, muito possivelmente, os mais aguardados do ano. Não é por mero acaso que assim é: pelo intervalo da final de futebol americano já passaram nomes como Michael Jackson, Prince, Diana Ross, Madonna, Beyoncé ou Lady Gaga que, com os seus estilos musicais tão distintos quanto icónicos, ajudaram a elevar o Halftime Show ao estatuto de espetáculo único e memorável. 

Depois de Justin Timberlake ter assumido o comando musical da 52ª edição do Super Bowl, com temas como Sexy Back, Cry Me A River ou Rock Your Body, foi avançado por duas fontes próximas da organização, citadas pelo New York Times, que os Maroon 5 seriam os próximos artistas a subir ao palco do evento desportivo, que irá acontecer no dia 3 de fevereiro de 2019. Um mês depois da notícia, e ainda sem confirmação oficial da NFL, a revista semanal Us Weekly avançou que a banda norte-americana não foi, contudo, a primeira escolha da National Football League. 

Segundo uma fonte anónima, citada pela Us Weekly, "a NFL e a CBS queriam que a Rihanna atuasse na edição do próximo ano, em Atlanta", convite que a cantora terá recusado por "apoiar Colin Kaepernick" e "não concordar com a posição da NFL" relativamente aos jogadores que, num protesto pacífico inciado por Kaepernick em 2016 contra a brutalidade policial nos Estados Unidos da América, se ajoelharam durante o hino nacional que antecede o início das partidas de futebol americano. 

"Não me vou levantar para mostrar o meu orgulho à bandeira de um país que oprime as pessoas negras e as pessoas de cor", defendeu Colin Kaepernick à imprensa, sobre a sua decisão de se ajoelhar durante o momento do hino nacional. "Para mim, isto é maior do que o próprio desporto e seria egoísta da minha parte olhar para o outro lado e ignorar aquilo que está a acontecer". 

 
 
 
Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por colin kaepernick (@kaepernick7) a

Desde então afastado da NFL, Colin Kaepernick protagonizou um anúncio da Nike com o mote "Acredita em algo, mesmo que isso signifique que tenhas que sacrificar tudo", e inspirou um conjunto de outros atletas, ativistas e artistas a juntarem-se à discussão - incluíndo Jay-Z, que não só recusou o convite da NFL para atuar na edição passada do Halftime Show do Super Bowl, como verbalizou também o apoio a Kaepernick no tema Apeshit

Acompanhado de visuais onde vários jovens negros se ajoelham em grupo, numa referência ao protesto do atleta, o rapper canta "Eu disse que não ao Super Bowl, vocês precisam de mim, eu não preciso de vocês. Todas as noites estamos na end zone, digam à NFL que também estamos em estádios", clarificando em dois versos que os Carters não precisam do apoio da National Football League para encher e esgotar arenas desportivas.

Depois de Jay-Z e Rihanna, e inspirada pela decisão da cantora de não avançar com o convite feito pela NFL, foi a vez da atriz e comediante Amy Schumer mostrar o seu apoio e juntar-se ao protesto, com um post de Instagram publicado na passada sexta-feira, onde doseia a seriedade da questão com o seu característico humor. 

 
 
 
Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por @amyschumer a

"Pensamento de sexta-feira. Questiono-me sobre o porquê de mais jogadores brancos não se estarem a ajoelhar. A partir do momento em que testemunhas a profunda desigualdade e o racismo sem fim que as pessoas de cor enfrentam neste país, sem referir a brutalidade policial e os assassinatos, porque é que não te ajoelhas ao lado dos teus irmãos? De outra forma, como é que não és cúmplice?", escreveu Amy Schumer. 

Tal como Rihanna, a atriz e comediante fez questão de deixar bem claro que não irá apoiar a NFL e o Super Bowl. "Acho que seria fantástico se os @maroon5 recusassem atuar no Super Bowl como a @badgalriri fez. Pessoalmente, já disse aos meus representantes que não iria fazer nenhum anúncio do Super Bowl este ano. Sei que pode parecer um sacrifício privilegiado, mas é tudo o que tenho. Sei que ir contra a NFL é como ir contra a NRA. Sei que é difícil, mas não te queres sentir orgulhoso da forma como vives a tua vida? Levanta-te com os teus irmãos e irmãs de cor. ", continuou a atriz e comediante.

"A coisa mais sensual que um homem pode fazer é ajoelhar-se. Não para te pedir em casamento, mas para rejeitar a forma como os colegas de equipa são tratados neste país. Quem disser que isto é um desrespeito para com os nossos militares, por favor tire tempo para ler os factos e perceber que muitos dos nossos veteranos estão orgulhosos daquilo que o @kaepernick7 está a fazer, e que o apoiam totalmente. Quais são os vossos pensamentos sobre isto?", terminou Schumer, deixando no ar uma das muitas questões polémicas que tem assombrado os Estados Unidos da América nos últimos anos. 

Artigos Relacionados

Curiosidades 18. 10. 2018

Under pressure: estarão as redes sociais a matar a indústria da Moda?

Há dez anos afastado do mundo da Moda, o enigmático e misterioso Martin Margiela aceitou o Jury Prize dos Belgian Fashion Awards com uma breve carta onde denuncia o ritmo alucinante da indústria e a forma como as redes sociais estão a destruir o efeito surpresa do processo criativo.

Ler mais

Inspiring Women 18. 10. 2018

Rebeldes com causa

Foram incompreendidos, como todos os génios. Quebraram as regras, como os verdadeiros revolucionários. Hastearam a bandeira da Moda e acabaram por tornar-se parte dela. Despiram-se de preconceitos só para, depois, se cobrirem de roupas absolutamente extraordinárias.

Ler mais

Inspiring Women 4. 10. 2018

Joana Vasconcelos: "Os artistas têm a responsabilidade de pensar o mundo que os rodeia"

Cá estamos nós, a tentar apresentar quem dispensa apresentações. No dia em que inaugura "I Want to Break Free" em Estrasburgo, senhoras e senhores, Joana Vasconcelos.

Ler mais

Inspiring Women 31. 8. 2018

10 segundos: o tempo recorde do sexismo?

Quando percebeu que tinha regressado ao campo com a t-shirt ao contrário, a tenista Alizé Cornet fez o impensável para um desporto onde os homens podem exibir livremente o tronco nu. Demorou dez segundos a trocar o top. Demorou dez segundos a ser surpreendida com uma penalização. Demorou dez segundos a mostrar que, no mundo do ténis, a maior ofensa em court é o corpo de uma mulher.

Ler mais

Este website utiliza cookies. Saiba mais sobre a nossa política de cookies.   OK