Ninguém vai usar isto (?)
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Curiosidades 24. 7. 2018

Ninguém vai usar isto (?)

 

O seu amor por Moda pode ser inquestionável. O que não quer dizer que não tenha questões sobre Moda. Como por exemplo: porque é que as passerelles estão repletas de criações que não são usáveis?

© Getty Images

“É divertido e estimulante conceber este tipo de peças para os desfiles.”, explica George Simonton, designer e professor no Fashion Institute of Technology, citado num artigo da Time. “Contudo, são poucas as criações que são pensadas para serem usadas.”, continuou, servindo de rastilho para que Claire Suddath, a jornalista que assina o artigo da publicação norte-americana, acrescentasse: “por outras palavras, o facto de não existirem buracos para os braços não é um descuido, mas sim um statement.”. 

O que Simonton e Sudath procuram argumentar é que a passerelle é a tela de expoente máximo para a criatividade de cada uma das marcas, ainda que tenham consciência da fraca praticabilidade das peças que aí desfilam. Muitas equilibram essa criatividade cruzando dois ou três artigos chave mais fora da caixa com outros itens que, não negando o cunho de Moda de autor, podem transitar diretamente da apresentação para os charriots e prateleiras; outras casas criam versões especialmente para a venda ao público (a Miu Miu, por exemplo, teve edições, nos anos 2000, dos seus sapatos de plataforma com saltos e compensados menos vertiginosos para o público em geral).

Rei Kawakubo, diretora criativa e fundadora da japonesa Comme de Garçons, é um nome incontornável quando o tema são as criações mais excêntricas. Para a estação fria de 2017, Kawakubo mergulhou nos volumes e na desconstrução, mas a sua coleção foi muito mais complexa do que apenas constatações de silhuetas: a reinterpretação ultra-contemporânea das célebres Vénus de Milo ou a Vénus de Willendorf significa que, ali, no inverno do ano passado, não estavam apenas redutores conceitos como camisas ou vestidos, mas antes uma mensagem - a da figura feminina e de como as mulheres estão presas a certos ideais de beleza. O principal objetivo destas criações é mostrar a capacidade de um designer em misturar materiais e conceitos de uma forma livre de qualquer restrições. Nomes como Rick Owens, Viktor & Rolf, Alexander McQueen e Thom Browne, além da já mencionada Comme des Garçons, são referências que não são estranhas a apresentações mais conceptuais com ideias subliminares que vão além da comercialização de uma nova temporada de guarda-roupa.

 © ImaxTree

Sem inibições no que ao dar asas à criatividade diz respeito, preparar um desfile não se resume ao simples ato de desenhar peças de roupa, mandar costurar, pensar no styling e apresentar, é preciso mostrar algo inédito, mesmo que seja da forma mais absurda. Como sobrevivem então, estas etiquetas? É certo que estes criadores precisam de vender, mas para isso recorrem, muitas vezes, a linhas pensadas apenas para o pronto-a-vestir ou a coleções-cápsula que apresentam fora dos desfiles e que, na verdade, muitas das vezes se revelam verdadeiros sucessos de venda. Desta forma equilibram prestígio no posicionamento sem aniquilarem a vertente comercial.

O que é que isto tudo quer dizer? Que se devem encarar alguns dos desfiles das Semanas de Moda como espetáculos ou exibições de arte - só que esta arte não é concebida numa tela ou numa escultura; faz-se de tramas e malhas, cosidas a mensagens, conceitos, princípios e ideais. Um desfile não é mera apresentação das próximas tendências a usar, é um híbrido do pensamento/filosofia de cada designer, da sua equipa, que acaba por se difundir no espaço onde é apresentado e, obviamente, no corpo de cada modelo.  

É provável que as criações mais inusitadas não cheguem às flagship stores, e fiquem reduzidas a arquivo, guardadas em salas como testemunhas da história de cada Casa. E nesta galeria também: a Vogue reune algumas das criações dificilmente usáveis, mas que ainda assim nos fizeram querer vesti-las nem que fosse uma única vez.

© Getty Images & Instagram

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