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Pessoas 7. 5. 2019

Os homens que quebraram barreiras de género na Met Gala 2019

by Mónica Bozinoski

 

Numa celebração da cultura queer, nomes como Billy Porter, Ezra Miller e Michael Urie receberam o memo de Camp: Notes on Fashion e trouxeram o melhor da fluidez de género para a passadeira vermelha da Met Gala 2019.

Billy Porter em The Blonds ©Getty Images

Se o tema da Met Gala 2019 pedia exuberância, dramatismo, teatralidade e especial atenção à influência da cultura queer na sensibilidade descrita por Susan Sontag em 1964, os homens que marcaram presença na passadeira vermelha do evento interpretaram Camp: Notes on Fashion com uma fluidez de género que não passou despercebida.

Do exagero de Billy Porter e Hamish Bowles à ilusão de Ezra Miller, sem esquecer as escolhas de Jared Leto ou Harry Styles, reunimos os homens que deixaram o fato e a gravata em casa para quebrar as barreiras entre masculino e feminino na edição de 2019 da Met Gala.  

Billy Porter

Billy Porter em The Blonds ©Getty Images

Depois de nos ter dado um dos melhores momentos de estilo dos Óscares deste ano com um coordenado que jogava com os conceitos de feminino e masculino - um vestido tuxedo com assinatura Christian Siriano -, Billy Porter estreou-se na passadeira vermelha da Met Gala com uma entrada digna de uma rainha dos tempos modernos, num momento que, pela sua natureza teatral e exuberante, ficará nos livros de história do evento anual do Metropolitan Museum. 

Inspirado pela interpretação egípcia de Diana Ross no filme de 1975, Mahogany, no papel de Elizabeth Taylor em Cleopatra e no icónico guarda-roupa que Bob Mackie criou para Cher ao longo dos anos, o protaginista da série Pose foi a verdadeira definição de "Egyptian realness, honey". Para o concretizar vestiu num catsuit dourado com assinatura The Blonds, completado com um par de asas majestosas no mesmo tom e um look de Beleza para o qual é difícil encontrar adjetivos à medida. 

"O conceito de Camp é frequentemente usado como algo pejorativo", defendeu Billy Porter numa entrevista à edição norte-americana da Vogue. "Aquilo que adoro em tê-lo na Met Gala, e de ver o Camp ser contextualizado, é o facto de honrar uma palavra e um género que pode ser muitas vezes esquecido, ou até mesmo tido como foleiro. Quando bem executado, Camp é uma das maiores formas de Moda e Arte", disse Porter sobre a escolha do tema para a Met Gala deste ano. "Tendo em conta as minhas origens - o teatro -, e o facto de ter sido famboyant e campy a minha vida toda, é verdadeiramente refrescante ver que existe um foco neste género. É o que eu faço." 

Ezra Miller 

Ezra Miller em Burberry ©Getty Images

Se a vida de Ezra Miller fosse um filme, apostaríamos todas as nossas fichas no título Fantastic Fashion and Where To Find It - isto porque, de evento para evento, o guarda-roupa do ator norte-americano e ícone de estilo in the making devolve mais felicidade à passadeira vermelha do que Marie Kondo alguma vez sonharia ser possível. 

Depois de nos ter tirado o tapete debaixo dos pés em Givenchy Haute Couture e Moncler x Pierpaolo Piccioli, Ezra Miller voltou a repetir o feito na Met Gala deste ano, num coordenado Burberry que fundiu feminino e masculino em dois atos de pura magia. Uma capa que enfatiza o dramatismo que Camp exige? Check. Um fato às riscas com um corte clássico? Check. Um espartilho com cristais? Check. Uma cauda exuberante para deixar as inimigas de queixo caído? Check, check e check.  

E porque não há duas sem três, a magia de Ezra Miller estendeu-se à ilusão ótica da maquilhagem criada por Mimi Choi. Assumindo o comando da teatralidade Camp, o ator chegou à passadeira vermelha com uma máscara "em branco", que criou um efeito ainda mais dramático quando revelou o look de Beleza escolhido para uma das maiores noites do ano - o rosto pintado com cinco olhos e os lábios esculpidos com um clássico tom de vermelho. Pontos bónus para a peruca ao estilo Old Hollywood e as unhas pintadas de branco.  

Harry Styles 

Harry Styles em Gucci ©Getty Images

Dos fatos incrivelmente flamboyant às camisas dramáticas com folhos e pormenores de cortar a respiração, é seguro dizer que Harry Styles é o ícone campy que o mundo merece - e, como seria de esperar, o coordenado usado pelo cantor e apresentador da Met Gala deste ano trouxe sensibilidade e bom senso à passadeira vermelha. 

Num momento #freethenipple, a escolha de Harry Styles recaiu num coordenado com assinatura Gucci (what else?), composto por uma camisa preta transparente, com renda nas mangas e um laço apertado no pescoço, que exibia as tatuagens do cantor; um par de calças com um corte direito e cintura extra subida; e botas com salto chunky, um estilo recorrente no guarda-roupa kitsch de Styles.

Para completar a criação de Alessandro Michele - que, menção honrosa, interpretou o tema com um coordenado cor-de-rosa brilhante com folhos e uma espécie de bandolete para um toque extra extra -, Harry Styles usou um brinco pérola (ênfase no "um"), diversos anéis para um factor mais maximalista e uma manicure em tons de azul e preto que provou que os homens também se podem divertir no processo. 

Jordan Roth 

Jordan Roth em Iris van Herpen ©Getty Images

"Quando soube que o tema da Met Gala deste ano era Camp, soube de imediato que aquilo que queria era um coordenado sobre performance e uma performance em si", escreveu Jordan Roth na sua página de Twitter, momentos antes do evento do Metropolitan Museum arrancar.

Para interpretar Camp: Notes on Fashion, o presidente e proprietário da Jujamcyn Theatres, onde supervisiona cinco teatros da Broadway, escolheu uma capa de Iris van Herpen, estampada com a sumptuosidade do interior de uma Ópera, para expressar o seu amor pelas artes performativas e a metáfora de que "a vida é um teatro". 

Jared Leto 


Jared Leto em Gucci ©Getty Images

Se o amor pelo não natural e pelo artifício fosse um acessório, arriscamo-nos a dizer que esse acessório seria, muito provavelmente, o plus one de Jared Leto para a Met Gala deste ano - uma réplica da sua própria cabeça, inspirada no desfile outono/inverno 2018 de Alessandro Michele para a Gucci, que o cantor carregou debaixo do braço na passadeira vermelha.

Completando o momento "o meu melhor amigo sou eu", o cantor subiu as escadas do Metropolitan Museum com um vestido vermelho com gola alta criado por Michele, com direito a luvas e diamantes. Haverá algo mais glamoroso que pegar em elementos tradicionalmente femininos e transformá-los num coordenado tão exuberante quanto este? 

Hamish Bowles 

Hamish Bowles em Maison Margiela ©Getty Images

Do incrível manto colorido com penas ao cabelo pintado em tons de verde e azul (já temos marcação com o nosso colorista, obrigada), o coordenado Maison Margiela do editor internacional da Vogue, Hamish Bowles, foi uma verdadeira lição Camp em pleno Camp

Numa desconstrução total de diversos elementos - entre eles o blazer com um laço cruzado e uma saia aberta -, a opulência concretizada por Bowles podia ter sido facilmente retirada de uma qualquer imagem da corte de Luís XIV, num ambiente histórico onde o exagero e a estética eram celebrados sem olhar a géneros. 

Michael Urie 

Michael Urie em Christian Siriano ©Getty Images

Numa transformação digna de Victor/Victoria, Michael Urie foi um dos exemplos máximos de fundir géneros, num único momento de estilo verdadeiramente inesperado. Em Christian Siriano, o ator conhecido pelo seu papel na série televisiva Ugly Betty foi, literalmente, metade feminino, metade masculino.

Do lado esquerdo, o vestido rosa com folhos aliou-se a um rosto com barba e um cabelo com um corte tipicamente masculino, enquanto o lado direito consistia num fato preto às riscas, um toque de maquilhagem leve mas não menos notável nos olhos e nos lábios, e um cabelo ligeiramente encaracolado. 

Keiynan Lonsdale

Keiynan Lonsdale em Manish Arora ©Getty Images

Criado com 1500 borboletas aplicadas à mão, o vestido com assinatura Manish Arora (um dos criadores que estará presente na exposição Camp: Notes on Fashion) usado pelo ator da série Flash, Keiynan Lonsdale, foi uma verdadeira revelação na passadeira vermelha da Met Gala 2019. 

Com uma silhueta e um corte tradicionalmente femininos, e uma cauda que poderia pertencer ao guarda-roupa de Beyoncé, o coordenado de Lonsdale (que estilizou o cabelo, pintado num tom de rosa néon, com um semi-apanhado) despertou o lado mais drag queen do conceito de Camp. 

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