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Diana - e a sua linguagem do vestuário

Suzy Menkes 30. 8. 2017

by Suzy Menkes

 

Longe de ser uma fashionista, a Princesa de Gales escreveu a história da sua jornada que começou como artistocrata com um único vestido e ascendeu a super-estrela internacional.

Olhei para o outro lado da serena água, para a ilha coberta de musgo rodeada de canas, um templo clássico com bouquets de flores frescas e um único nome, "Diana", com datas para não esquecer: 1961 a 1997.

Althorp, a casa histórica da jovem Diana Spencer, é o seu local de descanso final e a minha primeira paragem nesta viagem a traçat o mundo de uma figura mítica, 20 anos depois da sua morte.

A natureza pareceu-me uma maneira honrada de marcar um momento solene, mas doce como a visita na véspera da sentida visita memorial por Kate, William e Harry ao propositadamente criado White Garden no Kensignton Palace.

 © Rex Features

Eu já visitara a exposição no edifício real, dedicado à linguagem do vestuário de Diana. "Diana: Her Fashion Story" percorre a evolução do seu estilo desde a sua chegada como uma jovem aristocrata num vestido azul claro de folhos, da Regamus, para um baile em Althorp em 1979, ao culminar de uma figura sofisticada num curvilíneo vestido azul gélido de Gianni Versace, em 1991. Da inocência à confiança em apenas 12 anos. 

© @suzymenkesvogue

© @suzymenkesvogue

"Depois da separação do Príncipe de Gales, disse que não queria ser conhecida pelas roupas, mas pelo trabalho", disse Eleri Lynn, Curadora da coleção Royal Ceremonial Dress. "Cada bestido é uma mini biografia... contam-nos não só sobre as modas e os designers da altura, mas também sobre o estado de espírito de Diana na altura."

© Getty

Por todos os indícios de caráter vistos na exposição no Kensington Palace, traçar a evolução de Diada de tímida a dinastia e de princesa de contos de fada a dedicada defensora dos direitos humanos, alguns dos comentários mais reveladores chegam de entrevistas com os seus designers favoritos, que fazem parte da exibição". 

"Ela geriu o seu visual como se tivesse entrado em casa a correr, tirado uma roupa do vestuário e penteado o cabelo e num ápice estava porta fora novamente. No fim de contas, tudo se resumia à sua presença". comentou Bruce Oldfield sobre vestir Diana.

© Historic Royal Palace

Jasper Conran explicou o quão cuidadosa era nas suas escolhas de moda.

"Quando discutia o que iria vestir, comigo, indagava sempre em parte 'que mensagem vou transmitir se vestir isto?'. Para ela, isso tornou-se a verdadeira linguagem da roupa."

Em Althorp, a casa em Northamptonshire  de 19 gerações da família Spencer, os estábulos georgianos oferecem um sumário do que Diana era. Ali, entre artefactos e souvenirs - incluindo desenhos de criança e um livro do discurso de Lord Spencer no funeral da sua irmã - há fotografias de Diana tiradas por Mario Testino em 1997, o ano da sua morte.

 

Homage to Diana, Princess of Wales, by Mario Testino in 1997, on display in the stables at Althorp

Uma publicação partilhada por Suzy Menkes (@suzymenkesvogue) a

Estas imagens, originalmente para a Vanity Fair, delineam a sua personalidade - mas não as suas roupas. Com o cabelo curto penteado e a sua mão esquerda nua, sem anel à vista, as imagens poderosas de Testino colocaram em segundo plano o seu vestido em cetim bordado a pérolas de Catherine Walker. A criadora, que morreu em 2000, mas cuja empresa celebra 40 anos em 2017, foi crucial a refletir o espírito de mudança de Diana.

As imagens de Althorp têm significado porque parecem ter captado a "verdadeira" Diana; a mulher que foi de jovem noiva a maturidade, emergindo como ela própria.

Quando perguntei a Mario Testino o que sentia agora sobre Diana e essas fotografias, retorqui de forma pertinente.

"O meu pai costumava dizer à minha mãe que ela fazia os vestidos dela ficarem bem e não ao contrário", disse Mario das fotografias que têm casa permanente em Mate, o Museo Mario Testino na sua terra natal - Lima, Peru.

 © Historical Royal Palaces/Getty Images

"Cresci a perceber que há umas pessoas que fazem com que as roupas pareçam melhor do que outras", explicou o fotógrafo. "Acho que é uma qualidade que encontras com facilidade numa modelo de 18 anos or causa do modo como as roupas lhes caem, mas isso torna-se cada vez mais raro com a idade. A Princesa Diana parecia ter esta qualidade. O que era mais mágico era que tudo se interligava com uma certa timidez, o que o tornava verdadeiramente único."

© Getty/Historical Royal Palaces 

O próprio Lord Spencer admirou as fotografias da sua irmã, dizendo que tiveram em si "um enorme impacto quando as vi pela primeira vez. Revê-las agora, vinte anos depois, parece-me um tributo adequado à minha linda e fantástica irmã".

Mas quem são os Spencers? Ao percorrer Althorp, dos estábulos à mansão de Diana e dos seus irmãos e de tantas outras gerações anteriores, procurava por pistas para o seu desenvolvimento e o que poderia ter influenciado o seu estilo original. 

A fileira de quartos datados de há 5 séculos incluiam quadros da família Spencer, da Imperatriz da Áustria, de um amigo da família morreu de um araque com arma branca, retratos de vacas; e a sala de jantar Marlborough, com uma longa mesa capaz de sentar 42 pessoas com lementos decorativos que eram por vezes oferecidos a convidados importantes."

Imaginei Diana a andar pelos grandes quartos - todos os 27, de acordo com James Ward, o Guest Liaison Manager que me mostrou os cantos à casa e convidou-me a tomar chá no gracioso quarto de desenho com vista para os inacreditavelmente verdes jardins. Isso foi depois de me mostrar uma série de quadros de Rubens, de me ter contado a história do casamento da herdeira americana Consuelo Vanderbilt com o nono Duque de Marlborough, e de me ter convidado para ir ao Althorp Literary Festival, de 5 a 8 de outubro.

Os quadros mais intrigantes incluiam uma seleçãos de Reais, como seis senhoras conhecidas como as "Windsor Beauties", porque eram todas amantes de Charles II.

Ah! Seria esta a galeria de imagens na qual Diana encontrara o seu entusiasmo precoce por folhos e bustiers acentuados? Que pode ser visto nos seus vestidos ingénuos e no retrato de 1994 da Princesa numa confusão de branco por Nelson Shanks, pendurado ao lado de quadros do seu pai, irmão e familiares mais antigos, no topo das imponentes escadas no Palladian Hall.

Na exposição de Kensington Palace, a sala "Stepping Out" mostra uma mulher jovem que partilhara um apartamento - e o seu guarda-roupa - com amigos da c,es,a classe alta- Selecionada pela Vogue como uma beleza da sociedade emergente, Lord Snodown fotografou Diana numa blusa com folhos por David and Elizabeth Emanuel, que depois lhe desenharam também o vistoso vestido de noiva.

 © Vogue

"Diana chegou à Vogue e escolheu a blusa de um charriot de roupa. Porque coincidiu com o anúncio do noivado, tornou-se num retrato oficial e o lokk de Lady Di definitivo, com aquela gola suave", explicou o curador.  

Eleri Lynn vê a mudança dos "laços e folhos" da Lady Diana da classe alta para a fase de "Dinastia Di" no começo de uma propositada linguagem de moda.

"Ela foi muito ativa na criação da sua imagem e usou a moda para passar uma mensagem, para comunicar, e usá-la para fazer o trabalho em mãos", continuou o curador.

 

The portrait neckline dress by Catherine Walker worn by Diana in an official portrait of Prince and Princess of Wales in 1987

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As imagens sempre mutáveis da muito fotografada Diana sairam, depois da sua separação e divórcio, do reino da moda para um mundo de teatro visual. Quando removeu um par de luvas, que tão raramente usava, para apertar a mão a uma pessoa com Sida, estava a marcar uma psição.

E foi para angariar dinheiro para fundações contra a Sida e luta contra o Cancro que a Diana colocou as suas roupas à venda em 1997, com Mario Testino por detrás da câmara a imortalizá-la em imagens com os vestidos que usou na sua vida Real anterior. Porque os vendeu? Tinha atingido o seu propósito: falar através das roupas - mas não ser dominada pela Moda. 

“Diana: Her Fashion Story” está no Kensington Palace até dezembro 2018.

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