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Inspiring Women 23. 11. 2018

Quando o coração faz a diferença

by Mónica Bozinoski

 

Fundada e presidida por Catarina Furtado, a Associação Corações com Coroa juntou diversos nomes para debater temas como a Adolescência, os riscos que traçam o futuro e a problemática da violência no namoro durante a VII Conferência e VI Prémio de Comunicação Corações Capazes de Construir.

Catarina Furtado ©Fotografia de Diego Lafuente

"Queremos provocar a reflexão de temáticas que nos dizem respeito a todos". Em jeito de explicação resumida, numa frase simples, mas não menos poderosa, Catarina Furtado dava as boas-vindas à sala praticamente lotada da Fundação Calouste Gulbenkian, no passado dia 19 de novembro, com uma mensagem de força e esperança para o futuro. 

Numa altura em que, talvez mais do que nunca, "informação de qualidade é poder", a VII edição da Conferência Corações Capazes de Construir, acompanhada pelo VI Prémio de Comunicação, duas iniciativas da Associação Corações com Coroa, fundada e presidida por Catarina Furtado, trazia ao centro da mesa temáticas como a adolescência, a problemática da violência no namoro, a igualdade de género e a educação para a cidadania - todas elas tão urgentes quanto necessárias. 

"Nós existimos há seis anos, e recebemos muitos jovens e projetos que apoiam jovens e adolescentes", conta Catarina Furtado sobre a Corações com Coroa. "Este ano, achámos que era importante falar sobre a adolescência, porque temos um projeto que está a ser um enorme sucesso e que já vai na sua terceira temporada, que é o CCC Vai à Escola, contra a violência no namoro e o bullying", explica a apresentadora. 

Uma iniciativa artístico-pedagógica, o CCC Vai à Escola consiste numa pequena peça de teatro sobre violência, controlo, gravidez na adolescência e bullying, com duração de vinte minutos e dois atores em cena, apresentada em contexto de sala de aula a turmas do 9º ano de escolaridade. Quando os vinte minutos terminam, os atores abandonam a sala e não voltam a entrar - uma forma de manter a personagem e transparecer que aquelas histórias são reais -, dando lugar a uma sessão dinamizada por uma técnica da Corações com Coroa. 

 
 
 
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"Este projeto é muito feliz e está a ter um sucesso enorme. O feedback que temos é muito gratificante, e sentimos que fazemos diferença na vida daqueles miúdos", explica Afonso Lagarto, um dos atores do projeto CCC Vai à Escola, à plateia. "Somos muito bem recebidos, e os professores tentam sempre contextualizar-nos", continua a atriz Ana Bento. "É como se estivessem à nossa espera para ajudarmos a mudar alguma coisa. Conseguimos ver a reação dos jovens que estão na sala de aula, e o efeito é imediato". 

"A música e o teatro são formas de intervenção social", defende Afonso Lagarto. "Esta peça não tem filtros, e existe uma proximidade entre os atores e os alunos. O teatro é um espelho - esta forma que a CCC encontrou de retratar o assunto aos jovens é fenomenal. Eles identificam-se com aquilo que estão a ver, e vão para casa pensar no assunto", conta o ator.  

"Este projeto foi criado porque tínhamos dados concretos de que as estatísticas estão altas, e ainda não são faladas na imprensa", explica Catarina Furtado. "No fundo, o processo que aconteceu com a violência doméstica, que também não foi falada durante muito tempo e de repente começou a ser falada, e toda a gente falava dela. Houve consequências disso, como mais linhas de apoio e uma consciência muito maior sobre o assunto, e é essa a nossa esperança para a questão da violência no namoro", defende a apresentadora. 

Os dados que a fundadora e presidente da Corações com Coroa refere traduzem-se em números alarmantes. Segundo um estudo conduzido pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) em 2017, a vitimação apresenta valores entre 6% (violência física e sexual) e 19% (violência psicológica) e a legitimação entre 6% (violência física) a 28% (comportamentos de controlo). De acordo com o mesmo estudo, um quarto dos jovens entrevistados encara com normalidade a violência sexual, com 5% das raparigas e 22% dos rapazes a legitimarem estes mesmos comportamentos. 

"Qualquer uma de nós, mulher, pode ser vítima, e estamos todas expostas a isso. A prevenção é fundamental", defendeu Dalila Cerejo, Socióloga do Observatório Nacional para a Violência de Género/CICSNOVA, durante a mesa A Invisibilidade da Violência no Namoro. "Esta dinâmica política, em que parece haver um retrocesso na igualdade de género, é algo que me preocupa imenso".

"É assustador", confessa Catarina Furtado sobre os dados e as estatísticas que denunciam a problemática da violência no namoro em Portugal, com todas as suas consequências negativas na vida de adolescentes e jovens. "É assustador, portanto temos que prevenir - e nós prevenimos através destes projetos, prevenimos através desta conferência, e prevenimos também com o lançamento desta nova campanha, 'O que é ser normal? Apontar o dedo ao mal'". 

"A música é um veículo mágico, que consegue tocar o coração das pessoas", diz Tiago Bettencourt, que ficou encarregue da música e produção artística de 'O que é ser normal? Apontar o dedo ao mal', durante a apresentação da nova campanha. "É a segunda vez que faço uma letra com um propósito", confessa Catarina Furtado, responsável pelas palavras da campanha. "Senti que o tinha que fazer. Queria que fosse espalhada pelos miúdos e que tivesse enorme sucesso, e tive que juntar duas peças fundamentais para que isso acontecesse - ter um bom compositor, como o Tiago Bettencourt, e ter alguém com quem os jovens se identificassem plenamente, pela idade, pelo mediatismo e pelo talento". 

A terceira peça deste puzzle ficou completa com a atriz Daniela Melchior, que dá voz à mensagem de Catarina Furtado. "Senti-me muito surpreendida com o convite da Catarina", conta a atriz à plateia da VII Conferência e VI Prémio de Comunicação Corações Capazes de Construir. "Sempre disse que, se alguma vez cantasse publicamente, seria para passar uma mensagem" - mensagem essa que Daniela Melchior encara como uma missão.

"Tenho cada vez mais noção que o número de seguidores que tenho no Instagram não é só um número", defende a atriz, que conta com mais de 269 mil seguidores no Instagram, sobre a sua influência nas redes sociais, e particularmente nas camadas mais jovens da sociedade. "São pessoas que querem beber aquilo que nós temos para dizer. Tudo o que eu conseguir passar para o outro lado, passo com muita responsabilidade", conclui Daniela Melchior. 

 
 
 
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Numa conferência que contou com diversos oradores de diversas áreas de intervenção, espalhados em conversas como E um dia transformaram-se em role models, A Invisibilidade da Violência No Namoro ou Influências e Inspirações, VII edição da Conferência Corações Capazes de Construir provou que, independentemente de dados, estatísticas ou riscos, é sempre possível construir um amanhã melhor - um amanhã que começa em cada um de nós, todos os dias. 

"Estas histórias tocam-me ao ponto de eu não desistir", conta Catarina Furtado. "Quem trabalha comigo sabe que eu não desligo, nunca. Aquilo que me importa na vida, mesmo, e aquilo que é a minha, e só minha, definição de sucesso, eu passo a transcrever: sucesso é poder mudar a vida das outras pessoas para melhor. Esse é o meu propósito. Faço isso há 18 anos, voluntariamente, com as Nações Unidas, e há seis anos com Corações com Coroa, e no meu dia-a-dia. Há muitas coisas que fazemos, e não são para dizer", defende a apresentadora. 

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