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Tendências 16. 9. 2019

Eco, Bio, Cruelty-free: uma especialista explica as diferenças

by Joana Moreira

 

Eco. Bio. Orgânico. Clean. Vegan. Cruelty-free. As nomenclaturas do lado mais verde da cosmética multiplicaram-se ao ponto de serem confundidas. Cátia Curica, farmacêutica e proprietária da Organii, uma das primeiras lojas em Portugal especializadas em cosmética biológica, explica o que, afinal, tudo isto quer dizer.

© Ekaterina Jurkova / Istock

 

O que designa a expressão “cosmética natural”? 

A cosmética natural pode ser qualquer uma que contenha alguns ingredientes provenientes da natureza, como extrato de cenoura ou azeite, mas que depois pode conter ingredientes químicos, sintéticos, conservantes e até derivados do petróleo. Esta é a definição da lei, que hoje em dia significa pouco. O que as pessoas hoje referem como natural é o conceito de cosmética biológica, isto é, uma cosmética verdadeiramente natural e sem ingredientes de síntese misturados.

Fala-se de cosmética biológica, mas também de cosmética orgânica. São a mesma coisa?

Sim, são a mesma coisa. O nome vem da definição da lei de agricultura biológica em português de Portugal e que no Brasil é definida como orgânica e daí a confusão. Mas significa o mesmo. A cosmética biológica defende a integridade e pureza de todo o processo de transformação, da matéria-prima à formulação final do produto, do uso de ingredientes biológicos à forma como são obtidos os extratos, sem solventes químicos, à manipulação e conservação do produto. Além disso, não são permitidos produtos de síntese considerados nocivos e que excluem grande parte da formulação sintética convencional, como por exemplo os parabenos, o fenoxietanol, os ftalatos, o lauryl sulfato de sódio, entre outros da mesma família, a vaselina e a parafina, ambos derivados do petróleo, os corantes, os perfumes, etc. Para além deste aspeto, que diz respeito sobretudo a nós, seres humanos, e ao nosso bem-estar, o significado da palavra "biológico" implica, de igual modo, o respeito pelo mundo e pela sociedade em que vivemos. Desta forma, conceitos como ecologia, comércio justo e sustentabilidade estão necessariamente presentes quando falamos de um cosmético biológico certificado pelas organizações que zelam pelo cumprimento desses parâmetros. É por isso que quando compramos um destes produtos nos é dada a garantia de que, por exemplo, não foi testado em animais, de que os processos de fabrico devem ser seguros e não poluentes e de que as embalagens devem ser escolhidas com o mais estrito respeito pelo meio ambiente, utilizando formatos recicláveis e com baixo consumo de energia.

Na União Europeia existe um selo que certifica produtos biológicos. Quer isso dizer que todos os produtos sem esse selo não o são?

Quando nos referimos a produtos agrícolas sim, ou têm certificado e são biológicos ou não têm e não o são. Com cosméticos, como ainda não existe na lei pode existir muita confusão e há muito greenwashing. A forma de ultrapassar isso é procurar os selos das associações que certificam cosmética biológica. A inexistência de regulamentação específica para a elaboração de cosméticos biológicos, por oposição à legislação já existente para a produção e cultivo de produtos alimentares biológicos, dificulta a definição dos parâmetros que estes produtos devem seguir. Sem uma entidade legal que proteja e garanta os padrões defendidos pela cosmética biológica, as certificações independentes são a única forma de assegurar ao consumidor final a integridade e autenticidade do produto. Na ausência de certificação, a qualidade e veracidade do cosmético bio ou verdadeiramente natural depende exclusivamente da competência e honestidade dos laboratórios que os desenvolvem, razão pela qual defendo a certificação. Na verdade, é a forma mais segura de garantir ingredientes de grande qualidade e a utilização de produtos livres de químicos, prejudiciais à saúde. O facto de um produto cosmético se afirmar como natural não quer dizer que os seus constituintes não estejam contaminados, nem tão pouco evita a adição de substâncias químicas usadas como solventes, conservantes ou antioxidantes no seu processo de fabrico. Natural apenas quer dizer que contém extratos naturais. O logótipo de uma certificação num produto permite ao consumidor identificar se está perante um cosmético bio ou verdadeiramente natural, sem ter que analisar exaustivamente a lista de ingredientes.

O que é um cosmético vegan?

É um cosmético que não contém nenhum ingrediente de origem animal. Mas pode conter ingredientes sintéticos ou derivados do petróleo. Apenas indica a ausência de produtos de origem animal.

O que significa uma marca ou um produto ser cruelty-free?

Significa que é livre de crueldade animal, que não foi preciso matar ou magoar um animal para usar um ingrediente que derive da sua vida. Por exemplo: a lã ou o mel. É possível extrair sem fazer mal às ovelhas ou às abelhas.

Desde 2013 que na UE não são permitidos cosméticos testados em animais. Ainda assim, faz sentido ligarmos aos selos e à certificação dentro do território da UE?

Sim, claro, porque os cosméticos não são testados em animais dentro da UE, mas as matérias-primas provenientes de outros países podem ter sido testadas. Depois temos marcas que não testam para venderem na Europa e testam para venderam na China. Tudo isso importa ao consumidor.

Há diferentes tipos de selos que classificam quando um produto é cruelty-free (o da PETA, o Leaping Bunny). O que é que os distingue? 

Nada de especial, são como as diversas associações de cosmética biológica, são pequenas diferenças sem expressão e cada vez mais estes organismos tentam encontrar pontos de contacto entre si. No geral, surgiram em países diferentes, apenas isso.

Um produto cruelty-free é necessariamente vegan?

Não, de todo. Cruelty-free quer dizer que não fez mal aos animais e vegan quer dizer que não contém nenhum produto animal. Claro que um produto vegan é obrigatoriamente cruelty-free porque não contém nada animal.

O que se espera de um produto que seja biodegradável?

Que em contacto com a terra e ao ar livre se degrade de forma rápida e que seja totalmente transformado em terra novamente. Coisa que, por exemplo, um plástico não consegue. Por mais anos que perdure, só vai ficando em partículas minúsculas, ao contrário de uma casca de banana. que se degrada completamente.

E zero-waste?

É um produto que caminha para o desperdício zero. Quer dizer que faz o menos lixo possível e, como tal, é vendido a granel, ou sem embalagem, ou com uma embalagem biodegradável ou reutilizável. Um exemplo é o sabão cortado em barra que levamos em recipiente ou saco próprio, ou champô sólido.

Temos visto a utilização recente da designação clean. O que significa isto exatamente?

Apenas quer dizer que é uma cosmética livre de produtos químicos e derivados do petróleo. É uma cosmética que se quer mais pura e limpa e daí o nome.

O que revela a indicação que um produto é produzido através de “comércio justo”?

O fairtrade, isto é, o comércio justo e solidário, é uma alternativa ao comércio convencional, que se baseia na parceria entre produtores e consumidores com o intuito de os países mais ricos e com maior poder económico pagarem um valor justo pelas matérias-primas ou serviços contratados em países mais desfavorecidos. A finalidade do sistema de certificação fairtrade é assegurar aos consumidores que os produtos adquiridos respeitem normas sociais, económicas e ambientais especiais, tentando que exista mais justiça e ética entre as transações económicas. É um selo obtido através da organização Fairtraid Foundation tipicamente, mas outros países como o Brasil, por exemplo, têm organismos próprios.

O que torna um produto verdadeiramente ecológico?

Isso é uma pergunta sem resposta.... Temos que admitir que todos os produtos têm um impacto no ambiente e que apenas conseguimos diminuir a sua pegada a um mínimo. Um produto para ser considerado eco tem de ser totalmente biodegradável, ser biológico para garantir a ausência de pesticidas, herbicidas e outros possíveis contaminastes e ter uma embalagem biodegradável também.

O que designa a expressão “ecobio”?

É a junção de um produto ecológico + biológico, é a fusão dos dois conceitos, que já de si se interligam e complementam.

Artigo originalmente publicado na edição de setembro de 2019 da Vogue Portugal.

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