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As oito magníficas: King Princess

by Mónica Bozinoski

 

São mulheres, músicas, atrizes, modelos, ativistas. São agentes de mudança determinadas a moldar o nosso futuro. Para melhor. Este é o perfil da cantora King Princess.

I love it when dudes try to chase me, but I love it when you try to save me ‘cause I’m just a lady.” É assim que começa 1950, o primeiro single de King Princess — o nome artístico escolhido por Mikaela Straus para refletir a complexidade do seu género, a forma como é possível existir na incerteza e no in between, como a própria explicou à MTV — lançado em 2018. Com mais de 257 milhões de streams no Spotify e 8 milhões de
visualizações no YouTube, 1950 é, assumidamente, uma balada pop que faz uma analogia sobre um amor queer não correspondido. “Sinto que olhamos para a história como algo romantizado para pessoas heterossexuais, mas as pessoas gay também têm esse direito”, explicou King Princess sobre o tema, numa entrevista à Harper’s Bazaar. “Temos o direito de romantizar o nosso passado, mesmo que esse passado seja doloroso. E eu adoro isso. Sempre me senti tão fascinada por narrativas de amor queer, e histórias sobre pessoas gay. Aquecem-me o coração. 1950 é sobre isso mesmo e, obviamente, é paralelo à minha vida.”

Apelidada pelos seus fãs como lesbian Jesus, a cantora natural de Brooklyn começou a escrever músicas em criança e, aos 17 anos, começou a compor os seus primeiros temas — a 1950 seguiu-se Talia, ambos presentes
 no EP de cinco canções Make My Bed, que antecedeu composições musicais como Pussy Is God, Femme
Fatale e Cheap Queen, o seu mais recente lançamento. Em cada um deles, das letras às próprias capas das batidas que lhes dão vida, com uma imagem andrógina que não olha às limitações impostas pelo género, pela identidade ou pela sexualidade — a cantora é a primeira a falar sobre o fascínio que sente pela cultura drag, e a forma como essa cultura é uma influência
no seu estilo de maquilhagem mais performativo —, King Princess dava mais um passo na exploração e na normalização do queerness, da sexualidade e do empoderamento. E, com cada novo lançamento, com cada nova publicação no Instagram (um mundo sem filtros e, honestamente, verdadeiramente uplifting), King Princess transformava-se cada vez mais no ícone queer que a nova geração, e particularmente a nova geração LGBTQI+, precisa. “Acho que [o ativismo e a defesa pelos direitos LGBTQI+] começou quando via a Rachel Maddow na sala de estar de minha 
casa ou na garagem dos meus avós”, contou ao site The Beat. “Foi aí que percebi aquilo que realmente significava sentir que estás a ser representada através da informação que estás a receber, percebes? Ouvir esta lenda queer dizer-me aquilo que está bem com as notícias e despertar esse interesse em mim.”

Uma nova voz essencial no mundo da pop, uma nova expressão da área cinzenta que o género pode ser, uma nova forma de fazer música com um tom ativista, King Princess é um símbolo de algo que não existia antes — uma representação clara da comunidade LGBTQI+ no panorama musical. “É essencial que esta representação exista porque, quando estás a crescer num mundo onde tudo está à tua frente nos ecrãs e nas mais diversas formas de media, se não existirem pessoas que se parecem contigo, se não existirem pessoas que tenham uma voz como a tua ou que ajam da mesma forma que tu, é assustador”, defendeu numa entrevista à MTV. “Quando penso no meu próprio crescimento, sinto-me triste porque havia uma verdadeira falta de pessoas gay na indústria musical. Apesar de hoje vermos um panorama melhor, fico triste quando penso nisso.” Com apenas 20 anos, King Princess pode muito bem ser o ícone queer e a rainha gay que desejava ter tido em criança. And we are here for it.

Artigo originalmente publicado na edição de julho 2019 da Vogue Portugal.

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