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Livro de História: Brigitte Bardot

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Pessoas 27. 9. 2016

by Irina Chitas

 

O discurso mais bonito da assessora de imprensa do Museu­-Coleção Berardo é o que não tem limite.

Mundo. Ainda tenho tanto para conhecer… Cuba, porque todo este imaginário que ainda a caracteriza está na iminência de se perder. Congo, pelo fascínio por todo o fenómeno que representa aquela cultura urbana local que se faz sentir em Brazzaville, através do fenómeno da elegância africana contemporânea dos sapeurs. A viagem até à aldeia da Namalimba, que descobri existir no Uganda (apesar de a origem do meu nome ser uma lenda do Huambo, em Angola). Também quero muito ir ao Mali, numa próxima edição de Les Rencontres de Bamako, para descobrir o imaginário da fotografia africana e visitar o estúdio do mestre Malick Sidibé. E recuar até 1889 para embarcar na mítica rota do Expresso do Oriente, no tempo em que ligava Paris a Constantinopla, e cruzar-me com algum assíduo ilustre passageiro da altura. Mata Hari seria a "desconhecida" que escolheria para companheira ao longo das, então, 75 horas de viagem.

Música. Nina Simone… Todas… Mas especialmente esta… de sempre, para sempre: Who Knows Where the Time Goes.

Beleza. Nenhum produto de beleza é insubstituível. Será que as pessoas acreditam que existem realmente fórmulas milagrosas para combater o tempo, a genética e a natureza humana? Vendidas ao custo de viagens que poderíamos fazer com este investimento, e que nos trariam um efetivo retorno de vida real muito mais gratificante. Já experimentei várias marcas, sou fiel a algumas, mas com ponderação e sensatez, sem sentir qualquer apelo por produtos que se anunciam milagrosos, mas financeiramente incomportáveis, que apenas se destacam pelo avultado investimento em requintadas campanhas de marketing, com o intuito de alcançar um estatuto comercial. Claro que é essencial cuidar de nós. Desde os meus 15 anos que recorro a produtos de beleza, mas acredito que o resultado alcançado advém desse cuidado a longo prazo, que permite preservar as nossas características naturais, recorrendo a produtos credíveis, mas acessíveis e despretensiosos.

Próxima compra. A minha peça de eleição seria uma reação a uma peça que me marcou nesta última coleção da Gucci. Achei brilhante a mensagem subjacente à inscrição grafitada da palavra "Real" num saco com nome "Gucci" gravado em alto-relevo, em referência às imitações e à contrafação dos produtos da marca. Como reação a esta mensagem, gostaria que a peça de eleição fosse uma intervenção numa mala  Gucci, mas com a inscrição da palavra "Real" pintada por um artista visual real, sendo que o meu statement em relação a esta proposta da Gucci, seria criar um saco efetivamente único, com um grafiti real e inimitável, e não um produto em série como este saco.

Inspiração. O estilo de mulheres carismáticas e intemporais, numa combinação entre a exuberância da colecionadora de arte, Peggy Guggenheim; a irreverência da musa de  Warhol, Edie Sedgwick; a naturalidade da senhora Gainsbourg, Jane Birkin; a allure lolita vs femme fatale de Brigitte Bardot; a sofisticação e altivez de Maria Callas; e a simplicidade Caroline de Maigret.

Acessório. Lenços com padrões coloridos para usar ao pescoço e na cabeça; luvas de renda e luvas em pele com cores vibrantes; babuchas em veludo e em pele, que trouxe de Marraquexe, e que tenciono usar com collants opacos em tons fortes e cintos usados de forma invertida, com a fivela a apertar nas costas – detalhe inspirado na coleção Maison Margiela. 

Outono. Os padrões e brocados Dries Van Noten e Balenciaga; as calças de veludo em amarelo açafrão, Céline; e o vintage contemporâneo da Gucci, brilhantemente reinventado por Alessandro Michele através de bordados, brilhos, brocados, folhos, numa surpreendente conjugação de cores (o meu verde!) e sobreposição de padrões e texturas… ainda da Gucci, o casaco de pelo amarelo.

Leitura. Cultura, direitos humanos, geopolítica são os temas que mais me interessam, no que toca a explorar os temas de atualidade. Tenho uma compulsão por livros sobre arte e catálogos de exposições que visito, são a minha perdição, pelo prazer de relacionar o que leio com o que senti e vi, na expectativa de aprender mais sobre o que nos ultrapassa nessa perceção do que achamos que sabemos. Também gosto muito de ler biografias sobre artistas e colecionadores, é fascinante descobrir o seu percurso de vida, como chegaram onde os encontrei. Há uns anos senti um apelo para reler os clássicos da literatura francesa – é tão diferente a forma como sentia e perspetivava as histórias e as personagens, quando comparado com a ideia que tinha construído em torno dessas mesmas ficções, na altura em que as li na adolescência. Madame Bovary de Flaubert e L’Étranger de Camus foram os dois livros em que mais senti essa diferença de perceção.

 

Coop Chopard

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