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Privado: Monica Lafayette

Pessoas 28. 6. 2017

by Irina Chitas

 

Se tivéssemos que encontrar sinónimos para Lafayette, a lista discorreria mais ou menos assim: mãe, stylist, diretora criativa, a que tem o coração na boca, a que não tem medo de vestir o que quer que seja, a que se encontra algures entre um casaco maior que a vida de Maria Teresa Lucas ou um casaco em pele Vetements.

Já viveu em Luanda, Biarritz, Brasil, Algarve, Paris, Londres, Lisboa e agora tem morada permanente (por enquanto) na Herdade da Aroeira. Queria ser tradutora, mas acabou por deixar que a Moda se entranhasse devagarinho. Estudou na Central Saint Martins e na Marangoni, trabalhou em lojas da Gucci, foi assistente de assistente e hoje o que lhe dá mesmo prazer é assinar a direção criativa de videoclips, de tours, de guarda­-roupa, de cinema. É trabalhar com criadores nacionais, é apoiar novos designers, é trabalhar com alma. O que nos dá prazer a nós é ser surpreendidos por um armário camaleónico, uma honestidade brutal e uma simplicidade desarmante. 

Zona de conforto. T­-shirt preta, leggings (não gosto de calças de ganga, para usar calças de ganga tem de ser um mega special day, com uma camisa branca, só), calças em pele, ténis, botas, casacos em pele XXL – aliás! Olha aqui este meu Vetements. Isto é o meu básico. All black no inverno, all white no verão. 

Personagens. Eu crio várias personagens, mas todas elas têm a ver comigo. Sou uma mistura disso tudo. Claro que há fases em que estás a trabalhar intensamente e queres estar confortável, mas ter aquela cena de coolness. Por isso é que eu adoro as t-shirts pretas, todas as t-shirts pretas da vida desde a COS à H&M, à Primark, não interessa. Depende se é um dia mais importante até ponho uma t-shirt preta da COS, mas é uma t-shirt preta. Há certos eventos para os quais crio personagem, porque graças a Deus tenho o privilégio de poder ligar a alguns designers e dizer "vou ali, gostava de vestir aquilo". Ou às vezes comprei aquela peça há três anos e digo "pa, I’m ready." Eu tenho que ter datas para vestir as coisas, não compro para vestir logo. Mas sim, eu crio personagens para vários eventos da minha vida. Menos ser mãe.

Música preferida. Sade Adu, Always, Forever. Adoro a King of Sorrow, não tenho de estar triste para ouvir, acho que toda a gente esteve lá. Gosto de Rhye, o álbum Woman marcou uma fase da minha vida e está muito presente no meu dia a dia, independentemente de corações partidos ou não. Fora isso sou mais uma jazz, R&B e hip­-hop girl.

"Fofinho". Eu tenho um grave problema em relação ao fofinho. Se uso uma roupa demasiado fofinha, não aguento o dia inteiro, tenho de mudar. E tenho amigas que são todas muito fofinhas, e fica-lhes mesmo bem, mas para mim não consigo.

Lugar preferido para jantar. Na casa da minha tia. Gostava de dizer um sítio muito fancy, mas é mesmo a casa da minha tia, porque qualquer prato que ela faça é incrível, principalmente as enchiladas. E não é só o jantar, é o facto de estar com ela, com a minha família, conversar, arrumar a loiça no fim. É claro que há lugares em Lisboa de que gosto, como o 100 maneiras, gosto do Tapadinha, para almoçar adoro o Ritz, adoro os pastéis e as ostras do Sea Me, os pastéis de bacalhau do Museu da Cerveja.

Quando se sente mais poderosa. Nua. É verdade! É muito nasty? É que eu tenho um corpo com curvas, e às vezes são demasiadas maminhas, demasiado rabo em certas roupas, mas nua tudo faz sentido.

As referências. Eu tenho inspirações em todo o lado, do mais decadente ao mais conservador. Lembro-me que quando estava em Angola a gravar, via os miúdos na rua a vender e eles tinham um estilo incrível. Acabei por desenvolver as personagens todas dos Kuduristas ali. Claro que há vídeos que me marcaram: sou fã dos videoclips da Sade Adu – da estética de forografia, da direção, do guarda-roupa, é tudo tão intemporal. Cada trabalho que tenho influencia-me de maneira diferente. É muito importante ler mais, ver mais – sejam filmes, sejam peças de teatro. E ir, à rua, a festas, expores-te mais a tudo.

O perfume. Tom Ford é a minha slut. Uso todos os dias, Black Orchid. Narcotic para noites sexy. Tenho um agora da Embassy que é mais verão.

Compras. Além d’A Outra Face da Lua, o Príncipe Real está com lojas interessantes, adoro a 21PR para acessórios. Há lojas privadas muito bonitas a acontecer agora. Gosto de pop­-up stores ou corners de novos designers. Eu visto básicos, A Outra Face da Lua ou designers. Não quero soar posh, mas é verdade.

O ritual de beleza. Tenho muita sorte porque tenho uma pele minimamente fixe, mas eu cuido muito da minha alimentação. Sou muito obcecada por ser saudável, embora não seja de extremos – se eu quero a batata frita que está à minha frente, eu como. Como cresci com os meus avós e eles são vegetarianos e comem muito pouca coisa processada, tento continuar esses hábitos que aprendi com eles. Adoro a água micelar da Bioderma, mas também alterno com água de rosas. O único creme em que gasto mais dinheiro é para os olhos, Acqua da La Prairie. Eu tenho fases! Ora estou muito obcecada com os olhos, ora é com o pescoço porque acho que tenho um papo, ou que tenho ali uma ruga e de repente estou a comprar imensos cremes para a testa. O Night Repair, da Estée Lauder, é o boost para os dias em que estás assim um lixo. No verão uso hidratantes muito frescos, uso aquele pote de óleo de coco orgânico do Celeiro para o corpo.  

Relação com o objeto. Hoje em dia não tenho uma relação direta. Uma relação de obsessão. Não preciso de ver os últimos sapatos e querer. Há uma marca que eu amo, que é a Chanel, por ser icónica, por ter história, por ver a minha mãe e a minha tia a usar. Mas fora isso eu compro várias peças porque tenho amor pelo designer e quero contribuir para a marca dele, porque gosto da roupa e quero que ele economicamente também cresça. Ou há uma peça que me marcou, que eu gosto da estética ou vi num filme uma coisa parecida. Mas não preciso necessariamente de usá-la: eu quero ter. "Uau, quero ter aqueles sapatos, são tão bonitos, o salto é tão diferente, a pele é diferente, li uma entrevista em que falavam sobre eles": tudo o que compro tem de ter uma ligação emocional. Tudo tem uma história. O meu amor pelos óculos, por exemplo: eu acho que quem criou óculos – tenho imensos livros sobre óculos - e quem tem a capacidade de os criar, como a André Ópticas (eu chego ao André com óculos antigos e ele faz-me réplicas perfeitas!). Tenho uma cena pelos óculos que não os quero usar, quero olhar para eles. Ou então daqui a bocado I’m feeling myself e vou pôr um robe, vou pôr aqueles meus óculos e vou ficar aqui… porque naqueles dez minutos estou a sentir um momento de perfeição. 

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