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Pessoas 24. 6. 2016

by Irina Chitas

 

É vintage dealer e a mulher por trás d’A Outra Face da Lua e da Viúva Alegre, em Lisboa. É também mãe da Estrela e mulher do João. Artista, visionária, ousada. Não necessariamente por esta ordem.

EstiloVintage em layers. Eu gosto de Moda, acho muito interessante do ponto de vista da construção, das histórias contadas pela roupa, mas como tenho acesso a tantas coisas incríveis só visto vintage. Apesar de ser vintage dealer também sou uma pessoa pragmática e não faço bonecos nem personagens. Gosto muito de cortes, gosto muito de tecidos, de toques pessoais, de pormenores determinantes.

Década. Os anos 40 porque tiveram a mesma perspetiva que eu. Trabalharam com pouco e fizeram muito, e um dos meus maiores prazeres é tornar uma coisa absolutamente desinteressante em algo valioso.

Primeira memória de Moda. No sótão da casa da minha avó, em Estremoz. Eu ia para a máquina de costura e lembro-me especialmente de um padrão­-vichy vermelho com umas folhas em verde. Aquilo matava-me. Ia para lá e estragava-lhe sempre a máquina. Foi uma paixão desde pequena. Tinha imensas bonecas de papel e fazia roupa para elas – tenho isso tudo guardado. Eu já tinha loja nessa altura: era a loja das minhas bonecas.

Roupa. Comecei a comprar roupa aos 14 anos, na Feira da Ladra. Adoro os anos 80, pela versatilidade (nós estamos sempre em 80), mas o styling da década era totalmente errado para uma pessoa de 1,54 m, a menos que gastássemos imenso dinheiro. Eu não tinha esse dinheiro. Tive de optar pelo que me ficava bem, pelo que me fazia sentir confiante – e, claro, que fosse um bom negócio. Vestia-me superbem aos 15 anos – era mesmo pow. Vivia no Algarve e era uma excêntrica.

Tesouro. Uma vez, quando chegou roupa para a loja, olhei para uma peça e disse "aquilo é mesmo bonito. Vou lá buscar". Era exquisite. Uma seda, toda desenhada, com flores e bicharocos, uma coisa maravilhosa. Faz parte da minha profissão percorrer tudo, então revirei a peça de uma ponta à outra. Era um vestido Gucci, comprido, Fauna & Flora, de 1973. É o auge. Acima disso não haverá muito mais.

Viagem. Agora, a Goa. Foi um turning point. Há qualquer coisa que parou na minha cabeça. Quando cheguei cá pensei que talvez o meu caminho seja outro. Continuo indecisa com isso. A prioridade é o equilíbrio. As mulheres sabem que temos de batalhar na vida, trabalhar para as nossas coisas, e sempre trabalhei de uma forma muito apaixonada, mas nunca tive um momento de descanso. Quando cheguei à Índia vi o outro lado, e foi muito bonito. Uma revelação.

Aventura. Em Cuba, eu e o João alugámos uma mota, lançámo-nos à estrada e descobrimos uma lagoa, onde estavam uns franceses a nadar com golfinhos. Como este é um momento especial, não saltámos para a água, mas decidimos ir no dia a seguir de manhã, muito cedo, mandarmo-nos para dentro da lagoa e ver se os golfinhos apareciam. Apareceram. E estivemos a nadar com eles durante meia hora. Foi descomunal. Eu não fui nadar com golfinhos, eles é que vieram nadar connosco.

História. As histórias que o meu pai me contou nos últimos anos de vida. Eu pedia-lhe para me contar as histórias de quando era pequeno, porque comecei a ver o tempo a passar e senti que faltava que ele me passasse o legado. Falava-me do racionamento de comida (a minha avó tinha uma casa de pasto), de quando se contavam os feijões. Eu chamava-lhes as histórias a preto e branco.

Especialidade. Eu não gosto de cozinhar, mas cozinho bem. Tenho um bom equilíbrio na cozinha. A minha especialidade é gengibre – toda a comida leva gengibre. O gengibre, para mim, é o alho.

Arma. Inteligência.

Dress code da noite perfeita. Um sarong, porque a minha noite perfeita ia ser à beira-mar, no verão.

O livro que faz viajarO Perfume [de Patrick Süskind]. Viajei pelos sentidos, o que é muito difícil de conseguir.

A canção que sabe de cor. Epa, agora assim de repente… A Minha Casinha, dos Xutos.

Amor a Lisboa. Lisboa está sempre a mudar e eu vou-me apaixonando. Tenho uma pedra da calçada (não digo onde é que é!) em forma de coração. Eu passo por ela e apaixono-me. Eu apaixono-me por coisas muito tontas!

Lugar mais inesperado para fazer compras. A feira. É mesmo verdade. É o que está a dar. Vamos pôr os corporate todos de lado e vamos ter com as pessoas. O dono está à nossa frente, é a ele que estou a dar dinheiro, não é a um lobby ligado a esquemas manhosos de crianças trabalhadoras e produtos químicos que nos fazem mal quando vestimos a roupa.

O conceito de tempo. Não conheço. Eu e o tempo damo-nos lindamente. Às vezes não sei em que dia estou.

 

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