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Entrevistas 12. 10. 2017

O génio da lente: Leonor Bettencourt

by Ana Carvas

 

Foi uma das vencedoras na categoria Melhor Filme de Autor do Porto Fashion Film Festival, com a obra prima Genes. Através de pequenas conquistas como esta, Leonor Bettencourt está cada vez mais perto do sonho.

Já falámos anteriormente de Luís D’Alva Teixeira, o homem por detrás de Genes. Mas hoje, o destaque vai para Leonor Bettencourt, a visão que deu vida à sua música. Da RTP à Antena 3, foi desbravando caminho até encontrar um sitio confortável, sítio esse escondido atrás de uma câmara. E é aí que se sente feliz.

Numa batalha pelo reconhecimento, move montanhas e alarga horizontes a cada filmagem, porque neste ramo não há mesmo limites para a imaginação.

Falámos com Leonor sobre a sua mais recente vitória, a indústria audiovisual em Portugal e sobre a sua estética. Este é primeiro capitulo de outros tantos, numa série sobre O génio da lente para acompanhar em Vogue.pt.

A paixão pelo vídeo. Foi amor à primeira vista? 
A culpa é dos meus pais! Foi crescendo comigo, à medida que crescia no meio de jornalistas, em salas de montagem, em reportagens sérias, redações e em expedições todo o terreno. Apanhei muitas secas mas também aprendi muito, observando. Como fui filha única até à adolescência, fui inventado brincadeiras que pudesse fazer sozinha e rapidamente me fui apercebendo que o mais divertido era decorar a casa das Barbie's, inventar uma situação, vestir as personagens de acordo e registar em fotografia (que cheguei a enviar para a revista da Barbie!). Mal me apanhei com uma câmera de filmar, a coisa mudou para o vídeo.

E as primeiras borboletas no estômago, foram quando?
Quando percebi que conseguia convencer os professores a deixarem-me entregar trabalhos em suporte de vídeo. A partir daí, comecei a fazer mini documentários sobre tudo, fosse para a disciplina de história, sobre as minhas férias ou reflexões sobre temas mais teen, and God, I was deep! Na altura só tinha um computador com 2GB de RAM e o Windows Movie Maker, mas o corta e cola é quase tudo.

Após a vitória no FFF. O que ficou por dizer sobre esta conquista?
Que é incrível ganhar nesta categoria, com algo tão bruto! Fiz o vídeo e posteriormente criei a música de propósito com base num sample do tema Oferecidas, do Genes. Foi algo que fiz para mim, e ser reconhecida é uma validação daquelas.

O desafio com Genes - como surgiu?
Ouvi, gostei e percebi que ele era muito pouco convencional na cena do hip hop português. Fez-me logo lembrar uma atitude mais ao estilo de Odd Future, mais punk de alguma maneira. Tive um feeling e quis imediatamente ligar-lhe. Desta colaboração surgiu este filme e uma promo sobre os concertos do Luís D'alva Teixeira aka Genes.

Estavas numa zona de conforto?
Nem por isso. Não nos conhecíamos bem e tenho sempre algumas inseguranças ou receios no que toca a desvirtuar a cena de alguém, principalmente se também for artista. Felizmente, tinha algum conforto e contei com a ajuda dos meus amigos Sara Feio e Carlos BB, que me cederam um cenário que já andava a namorar há algum tempo, as traseiras de casa deles. 

Ser uma jovem realizadora em Portugal. Qual a dimensão deste desafio?
Não faço parte de uma produtora ou coletivo, estou a criar o meu, LBL. O caminho da independência é duro mas sabe melhor. Concilio um trabalho full-time em que faço vídeo para o online da Antena 3, às vezes sem horários e com viagens, mas obrigo-me a focar-me no que quero fazer, artisticamente falando. Isto implica ser a minha própria manager, produtora, técnica... Tudo a favor da realização. É como se costuma dizer, "fake it 'till you make it”.

O que mudavas na indústria do videomaking em Portugal?
Não existe uma indústria em Portugal e é uma consequência da dimensão do nosso país. Só em Manhattan circulam cerca de 4 milhões de pessoas, todos os dias. Por aqui temos cerca de 10, no país inteiro... E a verdade é que não emigrei porque fui trabalhando contra a maré, mas a maior parte das pessoas deixa de tentar porque a meta é uma miragem, e sai do país. Acho que temos de trabalhar em, e por, Portugal, mas com os olhos sempre postos na internacionalização. É importante ir bebendo dos nossos casos de sucesso e espreitando os casos espanhóis, "Como é que eles fizeram? Ok, eu consigo fazer isto de outra maneira, com o que tenho à mão na minha realidade.".

Como defines a tua estética visual?
Jovem, com sentido de humor e muita direção artística. Estou sempre à procura do bonito/feio e centro a minha estética no enquadramento e no cromatismo. Quando não há dinheiro para o que quero, invento linguagens e exploro o melhor possível o material que tenho, porque a verdade é que o conteúdo é mesmo mais importante que a forma.

Agora sobre outra estrada. A tua jornada com Them Flying Monkeys.
Eles gravaram o primeiro álbum no Black Sheep Studios e precisavam de artwork para o disco e de um videoclip. A Sara Feio, a ilustradora responsável pela imagem do álbum, desafiou-me e foi como uma dupla criativa, de maneira a que houvesse uma continuidade desde as ilustrações ao vídeo, com base no universo do Feiticeiro de Oz, de onde eles retiraram o nome da banda. Ficámos mesmo satisfeitos com o resultado dos dois vídeos. No meio disto tudo ainda descobri a minha musa, a Mara Flora, que é uma incrível designer de moda.

O amuleto da sorte que não te pode faltar numa produção?
É um coach jacket preto da Carhartt. É como estar de fato de treino porque é a peça mais confortável e leve que tenho, algo essencial em qualquer rodagem, portanto já adquiriu o estatuto de amuleto.

O que te inspira?
A adolescência, os sentimentos esdrúxulos, o DIY, o punk.

Sobre o futuro, o que esperas dele?
Deixei de esperar, agora é só Ação!

Conheça os restantes galardoados do FFF, aqui.

Coop Chopard

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