Pé de guerra: altos vs baixos

Numa estação em que todos os saltos contam, Patrícia Domingues, viciada em alturas, e Rosário Mello e Castro, mais terra a terra, tiram as medidas à questão. De que lado está?

Pé de guerra: altos vs baixos

Numa estação em que todos os saltos contam, Patrícia Domingues, viciada em alturas, e Rosário Mello e Castro, mais terra a terra, tiram as medidas à questão. De que lado está?
23 Nov 2015 • 13 30 H



Altos

"Dê a uma mulher os sapatos certos e ela conquista o mundo." É óbvio que Marilyn Monroe se referia a um par de saltos altos. Há algo de heróico numa mulher que consegue aguentar horas, dias, uma vida, no topo de 15 centímetros. Os filmes, ou as séries, não abdicam de uns pumps ou de uns stilettos em cenários irreais, como quando a protagonista tenta escapar a uma qualquer tragédia ou aniquilar o mau da fita. Há uma razão para as mulheres venerarem os saltos: é a forma mais rápida e eficaz de alongar a silhueta, de criar umas pernas de amazona e perder uns bons quilos numa pura ilusão ótica. Por isso, entre o conforto de uns rasos e a beleza de uns bons saltos, voto nos segundos. E não sou a única.

Pergunte a um stylist, ao seu namorado ou aos investigadores da universidade de Portsmouth que concluíram aquilo que muitas mulheres já sabem desde o século XVI: usar saltos altos torna-nos mais confiantes, não só na teoria, como na prática. "Quando calçam saltos altos, as mulheres andam de forma mais feminina, com passos mais pequenos, mas mais rápidos, aumentando a rotação e o balancear das ancas", explica o estudo. Por outras palavras, os saltos tornam-nos um estímulo sexual aos olhos do sexo oposto.

E é por isso mesmo que, século após século, estação após estação, os saltos altos (ao contrário dos saltos kitten e outros) nunca ficam fora das tendências. Mais ainda numa era em que são apregoados por mulheres ultrapoderosas, como Lady Gaga, Beyoncé e Victoria Beckham (que diz não conseguir pensar quando está de rasos). Já para não falar do boom trazido pela série de culto Sexo e a Cidade, em que Carrie Bradshaw e as amigas destronaram o reinado das it bags e transformaram o calçado no verdadeiro objeto de culto de uma nova geração.

Já olhou para as botas desta estação de Altuzarra - vermelhas, até ao joelho, de atilhos? E aquelas em vinil da Christian Dior? Ou os Mary Jane da Dolce & Gabbana? Os saltos transparentes, os da marca italiana com pequenos batons no interior, são definitivamente a versão 2015 da Cinderela. Há para todos os gostos: saltos geométricos de Jason Wu a suportar um botim de pele de cobra ou em madeira trazidos por Riccardo Tisci para a Givenchy. É claro que um dos preferidos da temporada são as botas até à coxa (as de Giambattista Valli dizem it shoe instantâneo), as sandálias plataformas de Alexander Wang ou as cobertas de pelo de Salvatore Ferragamo. E nos ateliers dos adorados criadores de sapatos onde nunca se ouviu falar de calçada portuguesa, como Christian Louboutin ou Manolo Blahnik, apostou-se no grande hit da temporada. Ou melhor, no não hit. Porque os grandes da indústria decidiram voltar ao básico. "Só faço sapatos de solas únicas", disse Manolo Blahnik à Vogue americana, "os saltos transformam a forma de as mulheres andarem: em plataformas pesadas parecem camionistas, nestes modelos tornam-se bailarinas". Não nos podemos esquecer que, segundo Madonna, os sapatos com a assinatura do designer "são tão bons quanto sexo". E duram mais…

 

Baixos

Sempre tive uma atitude muito pragmática em relação aos saltos altos: se preciso de me agarrar a uma amiga para chegar ao outro lado da rua, não são para mim. Estaria a mentir se não dissesse que tentei. Tentei mesmo. O meu closet está apilhado de plataformas de cortar a respiração (as meus primeiras foram os YSL de camurça, pretos e altíssimos) e stilettos exagerados, arquivados em exposição quais obras de arte. É como se o salto fosse uma espécie de amante – excitante, divertido, imprevisível. Mas, dois minutos depois, só penso em voltar para o meu namorado.  

As últimas estações finalmente concordam comigo ou não tivessem os designers transformado os mais simples saltos rasos e médios em criações elegantes, elaboradas e ultrasexy. Com passos curtos, mas decididos, os comprimentos menos exagerados, têm ganho terreno nas passerelles e conquistado protagonismo nos nossos armários. Se antes os sapatos mais baixos serviram apenas para respirarmos de alívio, hoje são um statement com estatuto próprio. Tal como os ténis, antes considerados tabu, agora elaborados ao máximo ou simplificados até ao mais sofisticado dos minimalismos, ideal para combinar com o nosso melhor fato.

Nada disto tem a ver com conforto. Os designs desinteressantes ou pouco femininos são para esquecer, mesmo que o lado funcional esteja lá. São sapatos que pouco têm a ver com os crimes de estilo já cometidos neste campo: são sofisticados, apetecíveis, sexy. E tanto acrescentam um toque de originalidade aos looks mais girly, como à mulher decidida deste inverno. Houve saltos quadrados, a novidade mais forte da estação, mais ou menos oblíquos, mas sempre baixos, muito anos 60. Aconteceu em Prada e Miu Miu, muito Dorothy em O Feiticeiro de Oz, no acrílico em degradé da Dior e nos saltos completamente redondos de Marc Jacobs. Repare bem nas propostas da romântica Dolce & Gabbana, são saltos que escondem tesouros (um batom vermelho, um desenho com ares de jóia), muito mais baixos do que é costume. Ninguém poupou no bling nem nas aplicações, que chegam a ocupar cada centímetro de salto, e até modelos mais masculinos se encheram de coragem (ou melhor, de pelo) para chamar a atenção, como vimos em Gucci.  

Claro que a tendência também suscita dilemas. Mesmo que as modelos que pisaram as passerelles da Gucci ou da Calvin Klein nos pareçam perfeitas nos seus saltos médios, o mesmo não se aplica à maioria das silhuetas reais. É preciso encontrar as proporções certas e evitar, por exemplo, saias demasiado compridas para a nossa altura ou calças demasiado subidas. Basta algum jogo de cintura para evitar passos em falso. Mas eu, como muitas mulheres, estou disposta a correr esse risco. 

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Élia Dias   23:18 - 29-11-2015
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Lindos!
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Irma Cardoso   22:34 - 28-11-2015
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Amei
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Helena Maria Barros   19:51 - 28-11-2015
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Amei
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