Entrevista: Josep Font


Eis o nome do criador que olhou para uma casa presa às raízes de quatro décadas de história e lhe trouxe modernidade e sonhos em cores de algodão doce. Agora Josep Font abre as portas do seu imaginário à Vogue e conta como deu à espanhola Delpozo uma escala à medida do mundo. 

Entrevista: Josep Font


Eis o nome do criador que olhou para uma casa presa às raízes de quatro décadas de história e lhe trouxe modernidade e sonhos em cores de algodão doce. Agora Josep Font abre as portas do seu imaginário à Vogue e conta como deu à espanhola Delpozo uma escala à medida do mundo. 

26 Jul 2016 • 18 43 H



Em 2012 foi convidado para reinventar e redefinir a Delpozo. Qual foi o seu plano? O que mudou e o que quis trazer de novo?  

A Delpozo era uma casa espanhola com mais de 40 anos de história e nós quisemos preservar a tradição, mesmo quando acrescentámos outros símbolos. Foi um projeto muito desafiante. O meu objetivo era começar um novo capítulo, com uma linguagem nova: por um lado quis respeitar o legado da Delpozo e a sua vasta experiência em atelier; esteticamente, quis introduzir uma perspetiva mais fresca e moderna.



Como foi lutar por um lugar na semana de Moda de Nova Iorque, principalmente quando a marca ainda só era reconhecida em Espanha? Que obstáculos encontrou ao início? 

Nova Iorque é uma janela para o mundo, encaixa no conceito da Delpozo e, por ser uma cidade jovem e moderna, sentimos que era o sítio certo para apresentarmos as nossas coleções. Ficámos muito felizes por termos tomado esta decisão; as reacções à marca foram muito boas e sempre quisemos que a Delpozo tivesse uma presença global. No entanto, o primeiro desfile foi em Madrid, numa homenagem ao fundador da casa. Esta apresentação marcou também um ponto de viragem, um fim e um novo começo. A assistir à apresentação estavam editores da Vogue norte-americana e buyers do Moda Operandi e do Net-a-Porter.com, que ficaram  fascinados com as silhuetas femininas e o design intemporal das peças. Isto deu-nos a confiança de que precisávamos para tentar (e, por fim, conseguir) um lugar na semana de Moda de Nova Iorque.



O que é preciso ter para alcançar o sucesso numa indústria tão competitiva como a da Moda? De que forma é que uma marca se pode afirmar e encontrar o seu espaço e reconhecimento?

A Delpozo passou a fazer parte de um nicho e a diferenciar-se das outras marcas, uma vez que as coleções aliam as técnicas mais elaboradas da Alta-Costura a um design contemporâneo que se adapta facilmente ao dia e à noite. Sempre procurei manter a perícia dos artesãos e combiná-la com uma estética moderna e vestir uma mulher feminina e forte. Para isso, a marca tem de ter uma identidade muito forte e distinguir-se pelos elementos que a tornam única.



Como é que definiria a Delpozo e as suas coleções? Qual é o ponto forte da casa e o elemento que a torna única?  

Acima de tudo, a Delpozo é uma atitude, um lifestyle. As minhas criações são inspiradas na manufatura herdada do passado, mas também na modernidade. São cheias de cor, têm pormenores femininos e há uma enorme exigência com a qualidade dos materiais.

 

O que será que nós, enquanto consumidores, procuramos numa marca de Moda? 

Na minha opinião, todos nós procuramos alguma coisa nova, diferente do que conhecemos e com a melhor qualidade possível.



Que mulher veste a Delpozo? Imagina alguém em concreto ou algum tipo de mulher durante o processo criativo? 

Não tenho uma musa; encontro mais inspiração na natureza, na arte, na arquitetura. A mulher Delpozo não tem uma idade definida, nem uma nacionalidade ou uma profissão. Tem uma atitude, não só em relação à Moda, mas em relação à vida. É elegante, forte e moderna, ou até mesmo à frente do seu tempo. Interessa-se por Moda mas veste-se só para ela, não para os outros.



Qual é a sua perspetiva sobre as mudanças a que temos assistido recentemente na indústria da Moda? Está a pensar alterar o modus operandi da Delpozo, à semelhança do que tem acontecido com outras marcas? 

Estou curioso para ver o que vai acontecer a seguir, depois de toda esta controvérsia e debate em torno do calendário de desfiles. Temos assistido a muitas mudanças e penso que podem ser interessantes e transformar a indústria. Em relação à Delpozo, vamos continuar a focar-nos no método de trabalho que temos vindo a desenvolver. Nós aplicamos muitas técnicas específicas da manufatura, o que requer ainda mais tempo e dedicação e, para já, não estamos a pensar mudar.



Quais são os seus planos para as próximas estações? Onde vê a Delpozo no futuro? 

O nosso objetivo é tornarmo-nos numa referência no mundo do luxo. Abrimos recentemente a nossa segunda loja em Londres, em Sloane Street, o que nos deixou muito entusiasmados. Agora estamos completamente focados em preparar a próxima coleção, para a primavera/verão de 2017, que apresentaremos em Nova Iorque no próximo mês de setembro. Esperamos conseguir lançar a nossa primeira fragrância em 2018, uma vez que a empresa que detém a Delpozo também produz e distribui perfumes. Estou a trabalhar neste projeto há cerca de dois anos.

  

 

 

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