Lisboa - Londres


Se ainda não ouviu falar destes nomes, decore-os. A Vogue foi à capital britânica ver de perto o trabalho de quatro criadoras que não deixam impor fronteiras ao seu talento e criatividade.    

Lisboa - Londres


Se ainda não ouviu falar destes nomes, decore-os. A Vogue foi à capital britânica ver de perto o trabalho de quatro criadoras que não deixam impor fronteiras ao seu talento e criatividade.    

27 Set 2016 • 18 55 H



Depois de vários anos a fazer da Somerset House a sua casa, esta já é a terceira temporada em que a semana de Moda de Londres encontra no Soho o seu núcleo duro – uma mudança de morada que não é desprovida de significado, ou não fosse este o principal centro artístico e criativo da cidade. Entre sex shops, restaurantes tailandeses, feiras com velharias, livros antigos e peças perdidas da coleção Rive Gauche de Yves Saint Laurent, o British Fashion Council encontrou o seu lugar num parque de estacionamento. O aparente ar blasé contrasta depois com o luxo da decoração (meticulosamente cool) que volta a ser feita pela equipa da The Store.    

 

No segundo andar, e a par dos desfiles que acontecem a toda a hora  (e, muito provavelmente, em todos os cantos de Londres), encontramos as criações de talentos emergentes de todas as nacionalidades. Entre as vitrines de vidro repletas de joias, as prateleiras com acessórios e os charriots com doses maciças de criatividade e inovação, encontramos um recanto português. É ali que Alexandra Moura, Carla Pontes, Daniela Barros e Susana Bettencourt expõem o seu trabalho ao mundo e fazem com que cheguem a outros mercados.

 

As criadoras estão em Londres graças ao British Fashion Council, mas também à ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), que tem apoiado os talentos emergentes da Moda nacional, reunindo todas as condições para que consigam divulgar as suas criações lá fora e desenvolver a sua marca a nível global. Na verdade, estes showcases são oportunidades únicas: aqui encontramos jornalistas, bloguers e buyers de todo o mundo e com diferentes gostos e pontos de vista, todos eles à procura de uma nova perspetiva ou apenas de uma coleção que sirva de resposta à demanda dos seus consumidores.

 

"Estamos a desbravar caminho e a promover toda a fileira da Moda portuguesa nos mercados internacionais. Aliás, a aposta nas quatro grandes capitais do negócio da Moda da atualidade e em feiras de referência global é, continuamente, reforçada por um programa intensivo de preparação e mentoring, que abrange os criadores e marcas apoiados, com especial enfoque nos mais jovens. Acreditamos, por isso, que este projeto funciona como um verdadeiro complemento à componente de imagem trabalhada no âmbito do Portugal Fashion, um esforço adicional que acrescenta valor económico à presença nas principais passerelles internacionais e que expande esse trabalho a outras geografias", avança João Rafael Koehler, presidente da ANJE.

 

Os resultados estão à vista: este ano, Alexandra Moura apresentou a sua coleção de verão num dos salões do The London Edition hotel que foi subitamente ocupado por uma multidão que comentava em voz alta a delicadeza das peças em tule e se mostrava intrigada pela desproporção das formas ou até encantada pelos patches com olhos. "Inspirei-me numa jóia vitoriana, o Lover’s Eye, para criar as aplicações. Com esta coleção tentei explorar novos materiais, mas há sempre uma certa decadência que me inspira e que é recorrente nas minhas coleções, como as peças em denim desfiadas e os detalhes que invocam uma destruição propositada", descreve a criadora em entrevista à Vogue. A sua coleção de inverno já tinha captado a atenção do mercado asiático e está agora à venda em diferentes países, como a China, o Japão e o Kuwait.

 

Carla Pontes inspirou-se nas nuvens para criar os seus próprios padrões em malhas pesadas e materiais imprevisíveis numa coleção de verão. Também o corte das peças é surpreendente e mostra uma precisão técnica que faz de um vestido um verdadeiro objeto de design. Para Daniela Barros o experimentalismo continua a ser um dos pontos fortes do seu trabalho, que vive de materiais e cortes inesperados. E se esta criadora portuguesa tem os olhos postos no futuro, Susana Bettencourt procura inspiração no passado e nas memórias de infância para as suas criações. "Para esta coleção procurei recordar as minhas férias junto ao mar, o som dos barcos, as cordas e todos os elementos que despertavam os meus sentidos", conta a designer, que volta a trabalhar a malha e as cores do arco-íris.

 

   

 

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