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Roteiro 28. 3. 2018

Menina da Aparição

by Ana Carvas

 

Aparição é o novo filme de Victoria Guerra, a atriz que nos recorda que o amor pela sétima arte também se escreve em português.

©Rui Palma

Realizado por Fernando Vendrell, a longa-metragem portuguesa baseada na obra literária de Virgilio Ferreira estreou nas salas de cinema nacionais no passado dia 22 de março. Na personagem de Sofia, Victoria mostra-nos o seu lado mais sedutor e provocante.

Passado no final dos anos 50, a adaptação cinematográfica do romance homónimo de Vergílio Ferreira explora questões existenciais, o destino e a insatisfação perante a nossa condição humana. O enredo gira em torno de Alberto, um jovem professor do liceu que é colocado em Évora e onde pretende iniciar-se como escritor. Então, é apanhado nas malhas de sedução das três filhas de Dr. Moura, um médico local, mas é Sofia quem consegue provocar mais tumultos no seu coração.

A adaptação de uma das obras mais emblemáticas do romance português do século XX, que já arrecadou o prémio de Melhor Filme Português no 38º Fantasporto, chegou aos cinemas com um elenco excepcional, composto por nomes como Victoria Guerra, Rui Morisson ou Jaime Freitas.

A propósito deste novo projeto, a Vogue falou com Victoria, a atriz portuguesa que alcançou uma carreira internacional no cinema sem precedentes - ao lado de John Malkovich e Glenn Close em The Wilde Wedding, ou de Sabine Azéma em Cosmos -, sobre os desafios de dar vida a Sofia.

Sobre o teu novo filme, Aparição, diz-nos: quem é Sofia? Uma das três filhas do Dr. Moura. Cada uma delas desperta algo diferente em Alberto. Sofia, por ser mais provocadora e inconsequente, é a que mais o destabiliza. 

Descrita como “provocadora e sensual”, qual foi a parte mais difícil em interpretar esta personagem? Encontrar razão onde ela não existe e dar forma à violência das suas emoções.

Quais as principais semelhanças e diferenças entre a Sofia e a Victoria? O seu desejo de autodestruição é muito distante de mim. Mas o facto dela ser de uma cidade pequena faz-me sentir alguma empatia por ela. 

Como foi trabalhar com Fernando Vendrell? Foi muito interessante. O Fernando já me tinha abordado a propósito da série Três Mulheres que acabámos por filmar juntos há uns meses. Na altura, ele estava a preparar o filme e falou-me nesta Sofia. Conversámos sobre isso e aos poucos as coisas ficaram encaminhadas.

“Os filmes de época são meus preferidos, o guarda-roupa e a direção de arte ajudam-me muito a construir as personagens e permite-me sair deste tempo.”

Sobre Aparição de Vergílio Ferreira. Li-o como parte da preparação. Foi importante como uma matriz que me ajudou a construir a personagem. Para lá desta relação de trabalho, não tenho grande ligação com a filosofia existencialista que trata, mas percebo a sua importância e admiro o estilo de Vergílio Ferreira.

O teu percurso cinematográfico conta já com vários filmes de sucesso. Como é que escolhes os projetos nos quais te envolves? Tento estar sempre disponível para poder trabalhar nesta área. Mas normalmente são as personagens, os argumentos ou até os realizadores e atores que pesam nas minhas decisões.

A diferença entre o cinema e a televisão? O tempo. O tempo de trabalho e o tempo narrativo.

O que te apaixona na indústria? Sou atriz e gosto de trabalhar. Sempre fui feliz a fazer televisão. O cinema, por ser menos tempo e por ser tecnicamente diferente, permite outro tipo de concentração e liberdade. 

O cinema em Portugal tem o merecido reconhecimento? Infelizmente mais no estrangeiro do que cá. Mas sinto que quanto mais trabalharmos e quanto melhor trabalharmos, mais fácil será inverter esta tendência.

Que obras de literatura portuguesa nos recomendarias? Fernando Pessoa, Saramago, Florbella Espanca, Alexandre O'Neill, Hélia Correia, Agustina Bessa-Luis.... Tantos.

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