7 Filmes BDSM mais provocadores que As Cinquenta Sombras de Grey


Antes de As Cinquenta Sombras Mais Negras chegar às salas, relembramos sete clássicos que estimularam, dominaram e açoitaram o público com mais vigor do que Christian Grey.

 

7 Filmes BDSM mais provocadores que As Cinquenta Sombras de Grey


Antes de As Cinquenta Sombras Mais Negras chegar às salas, relembramos sete clássicos que estimularam, dominaram e açoitaram o público com mais vigor do que Christian Grey.

 

08 Fev 2017 • 19 24 H



No Cinema, como em qualquer indústria ou parte do mundo, o sexo vende, e se lhe agregarmos o valor de práticas mais laterais ou, chamemos-lhes sem qualquer tipo de preconceito, excêntricas, o interesse dispara instantaneamente. Para o caso interessa esclarecer que o BDSM é um termo utilizado para distinguir práticas sexuais de Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo. E se As Cinquenta Sombras de Grey não foi certamente o primeiro filme a abordar o tema, a verdade é que voltou a colocá-lo nas bocas do mundo, reacendendo as discussões sobre este conjunto de preferências eróticas tão singulares.

O curioso e surpreendentemente dogmático conceito de que as aventuras e desventuras de Anastasia e o seu Dominador de fato e gravata são desmesuradamente domesticadas – insípidas e desenxabidas mesmo, numa espécie de versão light e descafeinada de marca branca do verdadeiro BDSM – impõem-nos a missão de fazer justiça ao termo, e recorrendo ao indomável histórico cinematográfico, lembramos sete clássicos BDSM tão provocadores que fariam o "inocente" Mr. Grey corar.

 
Belle de Jour (1967)

Mesmo com 50 anos de idade e uma passagem rigorosa pelo instrumento de censura francês, o clássico de Luis Buñuel que expõe a hipocrisia da burguesia europeia do séc. XX é mais estimulante e provocador numa única sequência de sonho do que um filme inteiro passado ao lado de Christian "copinho de leite" Grey. Catherine Deneuve é a aborrecida dona de casa da classe média cuja inexistente vida sexual com o marido despoleta uma catadupa de fantasias eróticas que tenta saciar ao tornar-se uma prostituta conhecida por Belle de Jour. Amplificando o sensualidade ao esborratar a linha entre a realidade e a fantasia, Buñuel carregou a sua sátira de repressão sexual com uma característica etérea que a tornou um clássico absoluto.

 

O Porteiro da Noite (1974)

Se um filme sobre sadomasoquismo não parece controverso o suficiente, que melhor forma há de o tornar ainda mais polémico do que acrescentar uma dose generosa de Nazismo? Merecendo com distinção a reputação de "um dos filmes mais provocadores dos anos 70", O Porteiro da Noite arranca com um encontro ao acaso num hotel em 1957 onde uma sobrevivente do Holocausto e um antigo agente Nazi retomam a sua retorcida relação sadomasoquista. Surgindo como um dos mais célebres filmes de fetichismo alguma vez feitos, o drama da italiana Liliana Cavani foi repetidamente açoitado pela crítica e inclusivamente banido no seu país de origem, mas eleva-se no tempo como um poderoso estudo da sexualidade e do comportamento transgressivo que tem a melhor cena de Charlottle Rampling a dançar seminua com luvas de pele e um chapéu nazi que alguma vez verá.

 

Nove Semanas e Meia (1986)

Baseado no romance autobiográfico de Elizabeth MCNeill, Nove Semanas e Meia encontra a fase mais charmosa de Mickey Rourke como um corretor da bolsa que enfeitiça uma mulher sensual e sofisticada a embarcar numa relação que descarrila num pesadelo erótico de fantasia e domínio. Retrato franco das dinâmicas do poder sexual, o drama erótico de Adrian Lyne contém algumas das mais sensuais cenas de sexo que Hollywood permitiu filmar, arranjando ainda tempo para nos passar a valerosa lição de que a comida nem sempre serve só... para comer. Essencialmente, As Cinquenta Sombras de Grey dos anos 80, mas em bom.

 

Tokyo Decadence (1992)

É o filme BDSM quintessencial do "país do Sol Nascente". Revelando os bastidores de hipocrisia e corrupção por detrás da indústria do sexo no Japão, Tokyo Decadence segue a história de uma ex-assistente social que resolve ganhar a vida como call girl em Tóquio, vivendo uma série de experiências inusitadas às mãos de clientes consideravelmente... imaginativos. O enredo não é propriamente rico ou complexo, mas se procura um cortejo de cenários de humilhação e dominação, não há perversão mais calibrada do que esta. Mr. Grey, é melhor começar a tirar notas.

 

A Pianista (2001)

Apaixonado por temas complexos e provocadores que desafiem a audiência, o confesso Mestre do Cinema Transgressivo Michael Haneke nunca foi homem de afrouxar perante enredos bicudos, e o fascinante drama psicossexual protagonizado por Isabelle Hupert é prova disso mesmo. Simultaneamente galvanizador e profundamente desconfortável, A Pianista ataca, entre outros, os temas da repressão e da mutilação como fonte de prazer, revelando-se um dos mais fascinantes exorcismos sexuais realizados à sociedade moderna.

 

A Secretária (2002)

Uma jovem inocente e desajeitada conhece um misterioso e dominante homem de negócios chamado Mr. Grey e desenvolve com ele uma intensa relação de submissão. Parece familiar? Exato... É difícil acreditar que o romance erótico que nasceu como uma fan fiction de Twilight não tenha sido um pouco – ok, muito! – influenciado por este menino bonito de Sundance que pôs Maggie Gyllenhaal dobrada sobre uma secretária e no mapa de Hollywood. Inesperadamente romântico e divertido sem fugir ao controverso epicentro temático, A Secretária é geralmente conhecido (e reconhecido) como um dos mais precisos retratos das relações de domínio/submissão e da essência da psicologia por detrás das práticas BDSM.

 

The Duke of Burgundy (2014)

Foi um dos mais sábios conselhos que já nos deram: "tem cuidado com os trailers, pois são diabretes trapaceiros". De facto, se julgássemos The Duke of Burgundy exclusivamente pelo trailer oficial, repleto de inofensivos mas maravilhosos planos de borboletas e expressões tensas, era difícil não rolar os olhos perante mais uma apática versão lésbica de 50 Sombras de ZzZzZ. Para bem dos nossos pecados, o drama de Peter Strickland pregou-nos uma deliciosa partida. Há voyeurismo, há bondage, há fetichismo, há lingerie capaz de provocar orgasmos à vista desarmada e há toda uma panóplia de frutos proibidos sofisticados numa experiência tão visceral que consegue gerar a sensação de ser o único filme de BDSM que algum dia precisará de ver. Boa sorte, 50 Sombras.

 

 

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