7 Coisas que não sabia sobre Annie Hall


O maior clássico de Woody Allen sopra as velas esta semana, celebrando o 40º aniversário desde a sua estreia.

Annie Hall (1977): trailer

7 Coisas que não sabia sobre Annie Hall


O maior clássico de Woody Allen sopra as velas esta semana, celebrando o 40º aniversário desde a sua estreia.

20 Abr 2017 • 12 02 H



Há quem diga que os 40 são os novos 30; os mais radicais até os apelidam de os novos 20. No entanto, e no caso específico do inesquecível encanto que é Annie Hall, é caso para dizer que, por uma vez, não há variável menos matreira e mais servente: ao mais celebrado romance nervoso de Woody Allen o tempo só lhe acrescenta ainda mais magnetismo e carisma.

É a comédia romântica que ditou o futuro das comédias românticas e, até hoje, uma das ruminações mais divertidas, verdadeiras e agridoces sobre as retorcidas maquinações que levam os mais comuns mortais a amar e... deixar de amar. Mergulhando por mais uma vez (mas certamente não a última) no delicioso neuroticismo que marcou sucessivas gerações, celebramos o 40º aniversário de Annie Hall da única forma possível: olhando-o e relembrando-o como uma inesgotável fonte de genialidade cinematográfica que a cada olhar nos oferece algo de novo. Não acredita? 

 

1. Uma incrível fantasia com uma visita guiada ao Inferno

Lá porque Annie Hall é uma das mais influentes e inventivas comédias românticas de sempre, não quer dizer que esta tenha sido inteiramente a intenção original do seu criador. Na verdade, Allen e o seu coargumentista Marhsall Brickman tinham inicialmente imaginado o filme como uma exploração da psique humana, com variadas referências ao amor romântico, mas também ao fantástico e ao misterioso. Intitulado Anhedonia (um termo psiquiátrico que indica uma incapacidade de sentir alegria), o argumento original encapsulava algumas cenas fantasiosas e sequências de sonho que incluíam viagens no tempo, visitas ao Jardim do Éden, ao Inferno e à Alemanha Nazi e um jogo de basquetebol entre os New York Knicks e filósofos como Nietzsche e Kierkegaard.

Annie Hall (1977)


2. Um título difícil

Evidentemente, vender um filme com o título de Anhedonia não é propriamente fácil, o que levou o estúdio responsável a tentativas desesperadas de convencer Allen a mudá-lo. Neste sentido, surgiram algumas sugestões infelizes por parte de Brickman (A Rollercoaster Named DesireIt Had to Be Jew e Me and My Goy) e outras muito pouco inspiradas de Allen (Anxiety e Alvy and Me). Eventual e felizmente, o filme acabou por adotar o nome da sua heroína e protagonista: Annie Hall, a personagem que tomou o nome da atriz que a interpretou (o nome de nascença de Diane Keaton é Diane Hall e muitos amigos a tratavam por Annie).

 

3. O look histórico que quase não existiu

Atualmente, Annie Hall é quase indissociável das tendências de Moda que criou. Com o lançamento do filme, os anos 70 começaram a copiar a apropriação do guarda-roupa masculino da personagem principal como adereços pró-femininos. De facto, Keaton foi a grande fonte deste rasgo de inspiração, emprestando muitas das suas peças pessoais ao filme. Quem não gostou muito da ideia foi Ruth Morley, a figurinista da produção que criticou violentamente os looks "pouco ortodoxos" de Keaton – felizmente para o mundo, foi uma batalha perdida.

 

4. A cena mais odiada

Houve muito filme e muito argumento que acabou por ser cortado da versão final de Annie Hall mesmo contra a vontade de Woody Allen, mas pelo menos uma das exclusões teve o seu aval absoluto. Numa das cenas finais, Alvy cruza-se com um sinal de trânsito senciente que o aconselhava a recuperar o amor de Annie Hall por todos os meios possíveis. Allen considerou a cena tão desnecessariamente "bonitinha" que, ao que parece, atirou as suas cópias para o rio East.

 

5. O subenredo que deu à luz um outro filme

A cena que segue a decisão de Alvy e Annie de não assistir a Face a Face (1976) de Ingmar Bergman iniciava, supostamente, uma sequência em que o par assiste a um homicídio e se envolve numa subsequente investigação do mesmo. Eventualmente o subenredo foi descartado de Annie Hall, mas não totalmente. Em 1993 foi reciclado para O Misterioso Assassínio em Manhattan, que uma vez mais tem Allen e Keaton como par romântico central.

 

6. Um final tirado a ferros

Com tantas alterações de enredo e argumento entre a conceção, produção e finalização de Annie Hall, Allen e Brickman tiveram grandes dificuldades em chegar a um fecho verdadeiramente apropriado para o filme. Esta luta criativa arrastou-se até às primeiras exibições do filme, onde ambos tinham encravado num final frouxo que culminava num encontro entre Alvy e Annie depois da sua separação. Felizmente, numa viagem de táxi para um destes visionamentos, Allen foi atingido por uma verdadeira epifania! Rapidamente tirou algumas notas e assim nasceu o glorioso discurso que fecha o filme: "we need the eggs".

 

7. O melhor filme de Woody Allen é...

Annie Hall – a resposta universal e inescapável. No entanto, e não obstante os seus quatro Óscares da Academia e o reconhecimento generalizado, Annie Hall não consegue convencer o mais rígido dos seus críticos: o próprio Woody Allen. Em várias ocasiões, Allen admitiu que a versão final de Annie Hall não passa de uma mera sombra daquilo que tinha originalmente concebido: "No final, tive de reduzir o filme a mim e à Diane Keaton e àquela relação, por isso fiquei muito desiludido, tal como aconteceu com outros filmes meus que acabaram por ser tornar muito populares", admitiu. E para o caso de se estar a questionar – sim, Manhattan (1979) também não é propriamente "a menina dos seus olhos". 

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