Ser inteiro

Ser inteiro

05 Jan 2012 • 16 30 H














O que mais gosto na minha cidade é que há pessoas que nunca abandonam a capacidade de se reinventarem. Haverão dúvidas de que é mesmo isto que o país mais precisa agora?



Se há alguém que é inteiro em tudo o que toca, esse alguém é José Avillez. Deixando para trás um projeto que talvez não tenha sabido gerir o ouro da melhor maneira, o chef que conquistou com a sua equipa uma estrela Michelin volta agora a abraçar uma das mais carismáticas salas de jantar da cidade. E é com estes testemunhos que me inundo de muito: gosto de assistir à boa construção e reconstrução da minha cidade, sendo que este é mais um dos bons exemplos a que o chef José Avillez já nos habituou.


Sempre atrás da palavra solução, e inconformista e perfeccionista por natureza, José Avillez tem ainda a qualidade de saber gerir a sua marca pessoal como ninguém. E porque me junto ao grupo dos que apenas sabem trabalhar com, e por, amor, é notável a entrega que o chef tem pela sua cidade e é um privilégio ir acompanhando tudo o que vai fazendo pela marca Portugal.


O Belcanto abriu no largo de São Carlos em 1958, junto à casa onde nasceu Fernando Pessoa. As suas linhas sóbrias e sofisticadas conquistaram o coração e os desejos das elites lisboetas, fazendo deste restaurante um dos símbolos do Chiado. Porque Avillez nunca dorme, foi no último Verão que mais uma luz se acendeu nas suas sempre boas ideias, reabrindo esta semana as portas do Belcanto à cidade. Com arquitetura de Ana Anahory, o projeto de interiores é de Filipa Almeida e conta ainda com a divina intervenção de Joana Astolfi.


Este será mais um canto onde José Avillez partilhará as suas emoções e inquietações através de representações e ilusões culinárias. Cada prato contará, mais uma vez, uma história que tem como principal objectivo emocionar quem o provar.


O meu desejo reteve-se no ‘Bosque depois da caça, cremoso de perdiz, perdiz em escabeche e legumes’, na ‘Horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos’, no ‘Mergulho no mar, robalo com algas e bivalves’ e no ‘Cubismo da vitela, bochecha, lombinho e mãozinhas, feijão papo de rola e creme de alho’. Para sobremesa, um ‘Pastel de nata em mil-folhas com gelado de canela’. Por respeito aos mais ilustres e antigos clientes da casa, o Bife à Belcanto foi mantido no menu.


Mas há mais. Para os mais ousados, há o Menu do Desassossego, que inclui: ‘Cavala e confettis’, ‘No bosque depois da caça’, ‘A horta da galinha dos ovos de ouro’, ‘Salmonete, molho dos fígados, ovas vegetais, raízes e tubérculos’, ‘Cordeiro com puré de escabeche de legumes e pequeno ensopado’ e ‘Tangerina’. Numa versão mais leve, há o Menu da Estação: ‘Quente e frio de castanhas e sapateira’ e ‘Mergulho no mar’ ou ‘Pombo à ‘‘Convento-de-Alcântara’, a f

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