Escorregar para sul: 7 lugares para fugir aos turistas da cidade


Existem muitos, cada vez mais, lugares para fugir da cidade e dos seus turistas. Mas alguns lugares são melhores do que outros, porque são especiais – este é o top da Vogue para quem gosta mesmo de sol e de estar ao pé do mar. Sete, para ser ainda mais mágico.

Escorregar para sul: 7 lugares para fugir aos turistas da cidade


Existem muitos, cada vez mais, lugares para fugir da cidade e dos seus turistas. Mas alguns lugares são melhores do que outros, porque são especiais – este é o top da Vogue para quem gosta mesmo de sol e de estar ao pé do mar. Sete, para ser ainda mais mágico.

11 Mai 2017 • 17 00 H

São acolhedores e despretensiosos, têm vistas deslumbrantes ou levam-nos para mais perto dos elementos – e do melhor de nós. Depois, são os que nos receberam como se fosse a sua casa, e nos deixaram à vontade como se fosse a nossa casa. E por trás da sua história existe quase sempre uma estória pessoal ou um sonho de mudança, uma sensibilidade invulgar ou uma exigência no detalhe, que depois fazem toda a diferença: do serviço à elegância. Se pudéssemos viver num hotel como Coco Chanel, estes seriam os nossos eleitos fora da confusão.

Hotel Farol Design, em Cascais

Mesmo para quem mora na capital, Cascais apetece sempre, nem que seja num fim de semana ou naquele programa romântico. Chegamos ao jardim (e à piscina) do Hotel Farol Design e os nossos níveis de stress descem automaticamente enquanto contemplamos o mar imenso à nossa frente, mais perto só na praia ou debruçado num pontão. Absorvidos por uma certa cadência hipnótica e relaxante. O que encanta logo à partida é a arquitetura discreta pensada a partir de uma casa senhorial do século XIX, antes pertença do Conde Cabral, ao lado da marina e da vila de casas centenárias, e decorada para hoje com o apoio de artistas plásticos, que aqui expõem os seus trabalhos. Além das suítes e da penthouse, incríveis, oito dos quartos com vista de mar ou de jardim foram pensados por designers portugueses como Alves/Gonçalves, Ana Salazar, José António Tenente e Fátima Lopes. Para comer, aconselhamos vivamente o Sushi Design onde o master Nuande Pekel faz das suas numa abordagem clássica, mas criativa, do original japonês – e aconselhamos comê-lo na varanda sobre as rochas. Mais em http://farol.com.pt.


Sublime, Comporta

Dos nossos lugares preferidos no mundo e o nome que encaixa perfeitamente neste reduto de descanso e bom gosto no meio do pinhal manso da Comporta. Para lá, só se veem dunas, arrozais e as praias de areia branca que dão fama ao paraíso. São 34 quartos, entre suítes e villas, espalhados por várias zonas da herdade, as primeiras estão no edifício principal, a dois passos do spa e das piscinas, a exterior e a interior (aquecida), e do restaurante Sem Porta – que tem pinta na decoração, no atendimento e na cozinha ao nível do que se faz de melhor em todo o mundo, liderada Ljubomir Stanisic. A equipa, que vigiamos da sala de refeições através de um aquário, tem aqueles segredos que partilhou, despretencioso, com a Vogue. Seguimos os seus conselhos e até comemos trufas de chocolate acabadas de fazer oferecidas pelo pasteleiro. Gonçalo Pessoa, o piloto da TAP que se mudou para ali há uns anos com a mulher, Patrícia, e os filhos de ambos, para construir aquele lugar, é discretamente presente, diligente, gentil. O seu mais recente investimento são as novas villas, uma versão contemporânea das típicas cabanas da zona, com dois a cinco quartos, lareira interior, terraço e piscina privada. É o mais próximo que existe de não ter vizinhos. E nós nunca dormimos tão bem. Mais em http://sublimecomporta.pt


Herdade da Matinha, Cercal

É o pai dos todos os turismos rurais que conhecemos Portugal fora, aquele de que ouvimos falar há 20 anos pelo calor e pela despretensão, ainda estes não estavam na moda. Um refúgio que é quase a nossa casa de família, onde somos recebidos calorosamente por um staff que vem de qualquer parte do mundo e é visivelmente feliz. E não é difícil perceber porquê. Alfredo e Mónica estavam quase a ir para a Austrália, nos anos 80, quando chegaram ao Alentejo. Alfredo trabalhava em Moda (com marcas como a Traffic ou a Ton sur Ton, "o meu ídolo era Octavio Missoni") e não só se apaixonou pela tranquilidade alentejana como abraçou a causa de salvar aqueles 120 hectares. Plantou 47 mil pinheiros e sobreiros "para o futuro", diz-nos, e repôs o saldo ecológico daquela terra inóspita, só visitada pelo gado. A vacaria, o celeiro e a casa do lavrador deram lugar a espaços arejados – uma nova ala de quartos, virados para a serra, e oito suítes decoradas a dedo, com simplicidade e muito bom gosto – alpendres recolhidos e recantos confortáveis cheios de almofadas. Além de pintar os quadros espalhados pela herdade, Alfredo trabalhou cuidadosamente no menu da cozinha, toda à base de produtos frescos e locais, que experimentámos sobre toalhas de patchwork também idealizadas por ele e feitas ali à mão. De resto, é muito verde para palmilhar, chilrear de passarinhos, piqueniques, plantar árvores e passeios a cavalo de onde se avista o mar, "o mesmo que os romanos avistaram". "Sabe, ser moderno é isto, é a sociedade de serviço: ecologia, trabalhar e criar emprego e tratar todas as pessoas da mesma maneira (bem) e partilhar o bem-estar. Se o meu sonho for possível, é curto demais". Mais em www.herdadedamatinha.com.


Companhia das Culturas, Castro Marim

Para lá dos seus portões perdemo-nos no campo, por entre árvores, riachos e os prados floridos da Reserva Natural de Castro Marim, mesmo ao lado da Praia Verde. Lá dentro, ficamos em retiro. Ecoturismo sustentável, é uma quinta de produção ecológica, agora renovada com seis quartos e três suítes, elegantes, com peças compradas aqui e ali. Sentimos um conforto de ninho sofisticado, aquecido a energia solar e com aproveitamento da água da chuva. São obrigatórias uma aula de ioga e umas horas no novo hammam pensado por Pedro Ressano Garcia e forrado a mármore de Vila Viçosa, que recupera a sabedoria ancestral e mediterrânica da cultura dos banhos (banidos há muitos séculos da Península Ibérica por Isabel, a Católica). Lá encontra as mãos mágicas de Alexandra Gil que faz esfoliações e massagens do outro mundo com óleos essenciais produzidos a partir das plantas da serra. O segredo começa nos anfitriões: Francisco Palma e Eglantina Monteiro, herdeiros daquela quinta-cooperativa que continua a seguir a missão de congregar as gentes, e os saberes locais, à sua volta. Sentamo-nos com eles à mesa e não sabemos quando nos levantamos. Ele, um dos pioneiros da alimentação vegetariana e do ioga em Portugal, conta-nos a estória de cada ingrediente, além de ter, ele próprio, preparado os pratos - parece saber um pouco de tudo o que há para saber no mundo. Ela, antropóloga da arte, fala-nos das gentes e dos costumes, das mulheres que preparam os doces à senhora que coseu à mão cada avental usado ali. Às vezes sonhamos que estamos lá a tomar o pequeno-almoço. Mais em www.companhiadasculturas.com


Martinhal Family Beach Resort, Sagres

Todas as vezes que fomos ao Martinhal nunca queríamos voltar. Descer a baía da praia para encontrar um resort, sim, leu bem – ainda para mais pensado para receber famílias numerosas como a de Chitra e Roman Stern  (ela é de Singapura e ele da Suíça, conheceram-se em Londres e vieram construir a vida para Portugal), que o imaginaram –, e gostar, é one in a million. Um resort que não é nada pequeno, porque não lhe falta nada, e se funde harmoniosamente com a natureza. Mesmo quando o observamos da praia, parece-nos que sempre esteve ali, imponente e impassível, sem interferir com a natureza. O que mais amamos no Martinhal são aqueles quartos que, no fundo, são villas individuais sobre o mar. Verdadeiras caixas de vidro que funcionam como bolhas, por onde entra a luz e o azul do Atlântico. Quase nos esquecemos de onde estamos. Depois, é maravilhoso descer umas escadas para a praia e ficar debaixo de uma palhota horas a fio, estar rodeada de crianças sem que elas perturbem, comer no restaurante Terraço um peixe fresquíssimo e tão bem cozinhado (é cozinha de autor cruzada com a cozinha local), acompanhado de vinho em bom. Tão bom que, em momentos imaginamos que seria incrível se aquelas caixas de vidro se soltassem da terra e boiassem sobre o mar. Mais em www.martinhal.com/sagres/pt.


Casa Modesta, Quatrim do Sul, Olhão

Carlos Fernandes vem buscar-nos no carocha do avô, impecavelmente cuidado, o que sobrou dos vários modelos coloridos. Ele e a irmã Vânia herdaram o carro e a casa do avô Modesto, pescador da ria Formosa, e mudaram-se para o Algarve, deixando Lisboa para trás. Consta que o velho Modesto era temperamental com a vida, que decorava as árvores do jardim com o que os outros deitariam fora, um excêntrico para a aldeia de Quatrim do Sul, mas extremamente dedicado à família, o que continua uma tradição nos seus descendentes. Os netos recuperaram exemplarmente a casa da família, com o olho de arquiteta de Vânia, a construção é feita segundo princípios ancestrais, e Carlos é o mestre de cerimónias, uma simpatia inata e contagiante. As refeições são como estar em família, mesa corrida, guardanapos de pano, toalhas de croché, almofadas artesanais, pão fresco e comidinha caseira; os amigos fazem o jantar ou, melhor ainda, a avó Carminda, viúva do avô Modesto, vai ao domingo fazer-nos a melhor caldeirada de peixe das nossas vidas rematado com o pudim flan da mãe. Também há petiscos, horta biológica, casas de banho que nos lembram os banhos romanos. Tudo simples, bonito, cuidado e delicado. Recoste-se no terraço, cada quarto tem um, para melhor admirar a vista da ria Formosa. Ali, à noite, o céu parece maior. Mais em www.casamodesta.pt.


Estalagem da Ponta do Sol, Madeira

A expressão debruçado no oceano foi inventada para este lugar que mais parece um ninho de águia pousado no alto de uma escarpa. A Ponta do Sol é uma pequena e encantadora aldeia na Madeira, e não só apetece fugir para lá quando se quer fugir do mundo, como apetece fugir para lá para ouvir o que de melhor se faz… no mundo. Além de uns dias bem passados a lagartar ao sol, a descer as ruas até à poética praia de pedras, a beber ponchas, esta estalagem recebe o que de melhor se faz na música eletrónica e experimental, através do Festival Madeira Dig. Mas ali também acontecem outros festivais, até de cinema, no Cine Sol que fica mesmo em frente à estalagem, uma pérola art déco fundada nos anos 30, também ela virado para o mar. É daqueles lugares do mundo que nem parecem reais, ainda que seja simples e despojado e com uma escala extremamente humana. O atendimento é familiar, a comida é boa e honesta, os preços são justos e depois há cães e gatos a passear no jardim, um pequeno spa e uma piscina com uma vista escandalosa. Adormecemos e acordamos ao som do mar, é mágico ou não estivéssemos nós numa ilha tão bela e soalheira. Quando vimos à varanda respirar fundo, no alto daquela encosta vulcânica, não fora estarmos rodeados de flores e julgávamos viver no mar alto por uns dias. Mais em www.pontadosol.com.

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