1908-2017


O edifício magnificente que impõe a primeira esquina do Largo do Intendente terminou uma das suas (muitas) vidas em 2017. Mas só para começar uma ainda melhor. Este é o 1908 Lisboa Hotel.

1908-2017


O edifício magnificente que impõe a primeira esquina do Largo do Intendente terminou uma das suas (muitas) vidas em 2017. Mas só para começar uma ainda melhor. Este é o 1908 Lisboa Hotel.
30 Mar 2017 • 11 00 H



Esta nova vida que lá nasceu manteve a data de nascimento original, a mestria do primeiro arquitecto – Arnaldo Redondo Adães Bermudes –, a honra do prémio Valmor e o amor profundo à Arte Nova. Tudo o resto é deste século. O 1908 não consegue ser descrito em tão poucas linhas (e, por isso mesmo, merece uma boa visita), abriu a 14 de fevereiro e pode muito bem estabelecer-se como um dos hotéis mais cool da cidade.

É verdade que a capital transborda de turismo, mas também é verdade que só alguns lugares se firmam como o cartão-de-visita que Lisboa realmente merece. Dentro de portas e dos 36 quartos há a harmonia do trabalho do Aquiteto Pardal Monteiro, a cargo da reabilitação, e da decoração de interiores da empresa proprietária, Vila de Santana, com a colaboração da Sizz Design. Aqui, é de aplaudir a escolha de mobiliário português feito à medida – olhares mais atentos encontram WeWood e Mantas em Lã Portuguesas – e pormenores verdadeiramente instagramáveis, como "Go Tiger!" escrito nas costas do roupão e os pequenos blocos de notas que estão só à espera de ser a tela do próximo Nobel da Literatura.


Tudo em tons de branco e cinzento, numa calmaria que contrasta com o burburinho lisboeta (inaudível depois de portas fechadas e apenas visível de todas as janelas), e que emoldura a autêntica galeria de arte que este hotel se tornou. Há obras imponentes de Bordalo II, Vanessa Teodoro (o saguão do elevador é um mural delicioso), David Oliveira, P.A.M ou Rui Ricardo (responsável pelo postal que o hotel oferece para que os hóspedes possam enviar notícias para casa, à moda antiga e boa).  O 1908 tem restaurante e bar (esses ficam para outras conversas) abertos ao público e está quase a inaugurar a esplanada.

Os elogios são merecidos, até porque este não é só mais um hotel. É certo que podemos recomendá-lo aos amigos de fora que nos visitam o coração, mas no fundo foi pensado para ser usado e abusado pelos lisboetas. Para beber uma imperial prolongada pelos raios de sol do Intendente, para ler um livro na mezzanine do bar ou para desenrolar anos de conversa n'O Infame. Numa cidade cada vez mais construída para fora, quem é cá de dentro agradece.


1908 Lisboa Hotel

Largo do Intendente Pina Manique, 6, Lisboa.
T. 218 804 000.  

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