Girlboss – o futuro é delas.


A série que recria as aventuras da fundadora da Nasty Gal chega esta sexta-feira à Netflix. Qualquer semelhança com o movimento feminista não é pura coincidência – e Sophia Amoruso foi uma das suas mais fortes impulsionadoras. 

Girlboss – o futuro é delas.


A série que recria as aventuras da fundadora da Nasty Gal chega esta sexta-feira à Netflix. Qualquer semelhança com o movimento feminista não é pura coincidência – e Sophia Amoruso foi uma das suas mais fortes impulsionadoras. 

18 Abr 2017 • 15 51 H



Isto não é um spoiler, antes pelo contrário, mas convém avisar os mais desprevenidos: Girlboss não é, de todo, uma interpretação millennial de O Diabo Veste Prada. As roupas estão lá, é certo, mas enquanto Andy (Anne Hathaway) lutava para se impor num mundo que não era o seu, Sophia (Britt Robertson, maravilhosa) é dona e senhora do universo vintage. E sem nenhuma Miranda Priestly (Meryl Streep) por perto, a única coisa que Sophia poderá culpar pelos seus desaires é a vida, que se apresenta em 13 capítulos prontos a consumir sem moderação.

Desfeito o engano, eis o que interessa. Girlboss começa em 2006, em São Francisco, uma altura em que Silicon Valley ainda não era… Silicon Valley, e quando o eBay ainda parecia uma forma duvidosa de comprar pechinchas online. A Sophia que mais tarde viria a criar um império chamado Nasty Gal (o nome é uma homenagem ao álbum homónimo de 1975 da cantora Betty Davis e é, acima de tudo, uma tomada de posição - o episódio quatro, onde o tema é dissecado, é um dos mais interessantes), é ainda uma jovem de 23 anos que se recusa crescer: "Adulthood is where dreams come to die", repete mais que uma vez. Música alta, unhas semi-pintadas (sinal importantíssimo da atitude "I don’t give a f***"), uma Barbie decapitada como porta-chaves, Sophia é inconformada, um pouco tresloucada, completamente fora de si. Deliciosa. Entre os seus hábitos na luta contra a sociedade estão o roubo ocasional, a má relação com o pai, um dicionário de palavrões pronto-a-usar, e algumas mentiras piedosas que a ajudam a contornar o sistema. Insuportável, sim, mas deliciosa.

Uma das grandes virtudes de Girlboss é ter sido adaptada para televisão por Kay Cannon, criadora de Pitch Perfect, o que significa que há abundância de humor inteligente e bons diálogos - conseguidos principalmente através da "meia hora mágica" que dura cada episódio. E os secundários de luxo. Annie, a melhor amiga de Sophia, é interpretada por Ellie Reed, por quem nos vamos apaixonar. Dean Norris (o Hank de Breaking Bad) dá vida a Jay, o pai, e só isso era motivo para ansiarmos por cada discussão familiar. E como vizinho sassy há (tambores…) RuPaul.  Isso mesmo, RuPaul. Haverá aqui qualquer coisa de Girls ou Unbreakable Kimmy Schmidt, outro original da Netflix? É possível mas, como avisa o genérico, esta série baseia-se em factos reais, e por muito que a vida de Sophia Amoruso pareça um filme, ela foi, realmente, mais ou menos assim - os mais desconfiados podem ler o livro #Girlboss, onde a empresária conta como passou de miúda que vendia roupa vintage no eBay a gerir um império de milhões de dólares.

A lição que se tira de Girlboss (além de passarmos um bom bocado) é que realmente não há impossíveis, e que até uma rapariga cujo comportamento fazia os mais velhos suspirar "It’s hard to believe you are the future" pode vir a inspirar toda uma geração. Porque mesmo quando tudo corre extremamente mal Sophia serve-se do seu middle finger e enfrenta os desafios, seja entregar um vestido de casamento a tempo e horas ou conseguir comprar um casaco de pele por 9 dólares e vendê-lo por mais de 600. Foi este casaco, aliás, um Original 1970’s East/West Leather Jacket, que deu inicio à Nasty Gal Vintage. Muito barulho por nada? Oferecíamos o nosso Nokia 3310, peça de museu, em troca dele. E o facto de no final do segundo episódio conseguirmos ver um cartaz do filme O Diabo Veste Prada, que estreava na altura em que a série - e a aventura/vida de Sophia - começa é apenas uma metáfora para as nasty girls deste mundo que seguem à risca o lema The Future is Female. Os outros são apenas seguidores.

Girlboss estreia na Netflix a 21 de abril.

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