Cinema: Girls Night


Scarlett Johansson, Jillian Bell, Kate McKinnon, Zoë Kravitz e Ilana Glazer elevam as #squadgoals para um escalão estratosférico na comédia do desastre que é Girls Night.

Cinema: Girls Night


Scarlett Johansson, Jillian Bell, Kate McKinnon, Zoë Kravitz e Ilana Glazer elevam as #squadgoals para um escalão estratosférico na comédia do desastre que é Girls Night.

16 Jun 2017 • 16 50 H



As reuniões com amigos antigos podem ser difíceis. Afinal, o que ficou dos laços previamente partilhados? Teremos crescido e divergido para um Presente que, ao contrário do passado, não nos reserva grandes gostos ou hábitos em comum? Será que a nostalgia fala mais alto do que a capacidade de criar novas memórias? É possível fugir, sem ofensa, a tags pouco lisonjeiras nas redes sociais?

Explorando a evolução e expansão das relações femininas, Girls Night responde a todas estas questões e mais algumas enquanto segue as peripécias de despedida de solteira de Jess, uma candidata ao Senado com um corte de cabelo capaz de deixar Hilary Clinton orgulhosa. A acompanhá-la surgem a sua ex-colega de quarto Alice, as ex-namoradas Frankie e Blair, e Pippa, uma amiga que fez quando estudou na Austrália. O deboche a fazer lembrar os gloriosos dias universitários instala-se, mas rapidamente as coisas azedam quando um stripper é acidentalmente morto e o grupo de amigas tem de encontrar a melhor forma de se desfazer do corpo.

Se esta premissa não lhe é totalmente estranha, não está a ver em duplicado: com um enredo consideravelmente análogo ao infame Eram Todos Bons Rapazes (1998) de Peter Berg, uma medida generosa de A Melhor Despedida de Solteira (2011) e umas pitadas espirituosas de Fim-de-Semana com o Morto (1989) e A Ressaca (2009), Girls Night é um cocktail derivativo que se mantém fiel à mesma receita de sucesso destes exemplos. Ainda assim, é uma máquina suficientemente oleada para arrancar uma dose saudável de gargalhadas à audiência. Qualitativamente, há boas notícias e más notícias.

Por um lado, fica a sensação de que o posicionamento mainstream acaba por restringir as possibilidades de comédia – mais do que uma mão cheia de vezes damos por nós a imaginar o que seria metamorfizado num indie mais corajoso, estranho e mordaz. O argumento tem mesmo secções com um aspeto quase grosseiramente rascunhado, e o bicho-papão da inconsistência do terceiro ato volta a atacar, com uma resolução surpreendentemente convencional para um filme que ousou ser tão (positivamente) pateta até então.

Por outro, o que se perde em originalidade do enredo ganha-se em caracterização de personagens e a ligação que as une. Realizado por Lucia Aniello e escrito a quatro mãos com a ajuda de Paul W. Downs (ambos veteranos da imperdível série Broad City, da Comedy Central), Girls Night prospera nos mergulhos profundos que faz nos meandros da experiência feminina e no dinamismo entre o seu quinteto protagonista, que se alicerça numa performance versátil de Scarlett Johansson, elo de ligação para as hilariantes complexidades de contraste entre o grupo. Desde a loucura tresloucada de Kate McKinnon, sempre capaz de roubar as luzes da ribalta, ao ativismo social exacerbado de Ilana Glazer, sem esquecer o apego extravagante de Jillian Bell nem o irresistível charme superior de Zoë Kravitz (apenas diluído num imprevisto e hilariante momento de explosiva tensão sexual com patrocínio de uma participação fugaz, mas inspirada, de Demi Moore e Ty Burrell).

 

Com décadas de buddy movies onde os homens têm a honra de se portar mal no grande ecrã, é refrescante assistir à emancipação feminina análoga, e ainda que a primeira comédia de estúdio com um rating R a ser realizada por uma mulher em quase 20 anos não seja propriamente um clássico instantâneo ou um gladiador revolucionário, a verdade é que nem todos os filmes têm de o ser. Às vezes, um pedaço de entretenimento perfeitamente sólido é tudo o que precisamos para afogar as mágoas quotidianas, e Girls Night é definitivamente o filme para o efeito.

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