7 Filmes que vão estrear em Cannes e que deve ter no radar


A 70ª Edição do Festival de Cannes está mesmo à porta, o que significa que está na hora de pegar no bloco de notas e na agenda e rabiscar os filmes obrigatórios do certame.

7 Filmes que vão estrear em Cannes e que deve ter no radar


A 70ª Edição do Festival de Cannes está mesmo à porta, o que significa que está na hora de pegar no bloco de notas e na agenda e rabiscar os filmes obrigatórios do certame.

16 Mai 2017 • 11 00 H



A Croisette está quase pronta para receber a 70ª Edição do Festival de Cannes, o maior e mais importante festival de Cinema, este ano com uma programação eclética e politicamente carregada.

Entre 17 e 28 de maio, o sul de França vai assistir ao desfile de algumas das mais prestigiadas produções cinematográficas do ano, e porque não queremos que as perca, organizamos uma lista dos filmes estreados em Cannes que têm mesmo de estar no seu radar este ano.

THE BEGUILED, de Sofia Coppola

Se há quem saiba elaborar com verbosidade sobre os desejos e angústias femininas, esse alguém é definitivamente Sofia Coppola. Naquele que parece um carnudo follow-up para o seu filme de estreia, As Virgens Suicídas (1999), Coppola revisita o período da Guerra Civil norte-americana numa adaptação do romance homónimo de Thomas P. Cullinan (que por sua vez foi já adaptado com sucesso modesto por Don Siegel em 1971), para explorar a dinâmica de um internato feminino que recebe e trata um soldado ferido. Evidentemente, a repressão sexual e a inveja feminina acabam por vir ao de cima num drama tão tenso que se torna pirómano. Com Nicole Kidman, Elle Fanning e Kristen Dunst a marcar território no gótico internato, resta a Colin Farrell aguentar a pressão e gritar em desespero no fabuloso trailer oficial: "you vengeful bitches!". E nós mal podemos esperar por conhecê-las.

 

THE KILLING OF A SACRED DEER, de Yorgos Lanthimos

Há diversas razões para temer o que nos resta do ano de 2017, mas há também antecipações deliciosas que fazem tudo valer a pena. Uma delas é a chegada do novo filme de Yorgos Lanthimos ao festival de Cannes, um dos pais fundadores da entusiasmante "onda estranha do cinema Grego" (que reflete a instabilidade e caos do país). Depois dos galvanizantes Canino (2009) e A Lagosta (2015), Lanthimos chega à Croisette com The Killing of a Sacred Deer, um drama de mistério sobre um carismático cirurgião e a ligação que desenvolve com um adolescente que procura integrá-lo numa complexa família. No entanto, quando as ações do jovem se tornam cada vez mais sinistras, a vida do médico começa a desmoronar-se e este é forçado a um impensável sacrifício. Colin Farrell volta a cruzar-se com Nicole Kidman no elenco, e a eles juntam-se ainda Alicia Silverstone, Bill Camp e Raffey Cassidy. Prometendo ser mais uma entrada única e original no cânone de um dos mais entusiasmantes cineastas da atualidade, The Killing of a Sacred Deer é, evidentemente, para assinalar com traços gordos e fluorescentes.

 

HAPPY END, de Michael Haneke

Não é preciso dizer muito sobre Happy End para o convencer da sua importância no contexto do Festival de Cannes, além do facto de ser realizado por Michael Haneke e protagonizado por Isabelle Huppert, Toby Jones e Mathieu Kassovitz. No entanto, expandimos de qualquer forma. Com duas Palmas de Ouro na prateleira, Haneke arrisca-se a ser o primeiro cineasta da história a conseguir a terceira – feito ainda mais extraordinário se considerarmos que se conquistaram em obras consecutivas - com este drama que se centra numa família burguesa que vive uma existência isolada enquanto a crise da migração Europeia acontece à sua volta. Happy End será o primeiro filme de Haneke desde Amor (2012), que venceu a Palma de Ouro nesse mesmo ano, assim como o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.

 

OKJA, de Bong Joon-ho

Se não está bem a ver quem é Bong Joon-ho, vamos respirar fundo e fingir que nada disto aconteceu. Descrito por Quentin Tarantino como "o Spielberg coreano no seu auge", Bong Joon-ho abanou o género dos monster movies em 2006 com The Host - A Criatura, embuiu de entusiasmo o género do mistério e crime com Mother – Uma Força Única (2009) e provou que a ficção científica dramática também não o assusta no fabuloso Snowpiercer – Expresso do Amanhã (2013). É curioso, mas não inocente que tenhamos aberto este destaque com uma referência a Steven Spielberg, porque este Okja é mesmo uma espécie de E.T. em esteroides, onde uma jovem rapariga arrisca a vida para salvar um enorme animal das garras de uma sinistra multinacional científica. Tilda Swinton, Paul Dano, Seo-Hyun Ahn e Jake Gyllenhaal compõem o elenco principal de um dos lançamentos obrigatórios de Cannes.

 

WONDERSTRUCK, de Todd Haynes

Depois de Longe do Paraíso (2002), I’m Not There (2007) e Carol (2015), Todd Haynes não tem propriamente que nos convencer da obrigatoriedade da sua nova longa-metragem, ainda para mais se conta com a participação de Julianne Moore e Michelle Williams no elenco principal. Wonderstruck segue simultaneamente a história de um rapaz do Centro-Oeste dos Estados Unidos e de uma jovem rapariga em Nova Iorque com 50 anos de diferença enquanto ambos procuram a resposta para a mesma ligação misteriosa. Parece que as duas partes do filme vão ser muito diferentes – mesmo muito, sendo que uma delas deverá mesmo imitar o estilo da Era do Cinema Mudo – o que acrescenta um toque de ainda maior curiosidade a um filme que, de qualquer das formas, não nos iria passar ao lado.

 

THE MEYEROWITZ STORIES, de Noah Baumbach

Num festival de Cinema com honras de estreia para um novo filme de Noah Baumbach, podem contar com o nosso lugar cativo na fila. Depois dos deliciosos desvios de Frances Ha (2012), Enquanto Somos Jovens (2014) e Mistress America (2015), o realizador nova-iorquino está de volta aos meandros das dinâmicas familiares com The Meyerowitz Stories, a crónica de uma família distante que é obrigada a reunir-se para celebrar o trabalho artístico do patriarca. Como um dos confessos herdeiros da neurose de Woody Allen, Baumbach promete mais um retrato geracional como um prazeroso festival de sensibilidade e (pouco) bom senso.

 

LOVELESS, de Andrey Zvyagintsev

Depois de ganhar o prémio de Melhor Argumento na edição de 2014 do Festival de Cannes, Leviathan ergueu-se para se revelar num dos melhores e mais reconhecidos filmes pela crítica desse mesmo ano. 2017 assiste ao regresso do seu realizador Andrey Zvyagintsev a mais um microcosmo que pretende fazer uma observação acídica na delicada posição da Rússia na atualidade. No enredo, acompanhamos Boris e Zhenya num complexo processo de divórcio que se torna ainda mais complicado quando o filho de ambos desaparece misteriosamente.

 

TAMBÉM A NÃO PERDER DE VISTA...

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