Manuela Gonzaga à Presidência da República

Historiadora, escritora e colaboradora habitual da Vogue Portugal concorre a Belém com o apoio do Partido PAN. Falámos com ela.
Manuela Gonzaga
Manuela Gonzaga  © João Silveira Ramos

Manuela Gonzaga à Presidência da República

Historiadora, escritora e colaboradora habitual da Vogue Portugal concorre a Belém com o apoio do Partido PAN. Falámos com ela.
04 Ago 2015 • 11 09 H



No comunicado oficial conta que a ideia lhe surgiu em Maio deste ano, mas o que a motivou a candidatar-se à mais alta magistratura de Portugal?

A noção muito evidente que temos, cada um de nós e todos, das grandes responsabilidades pelo estado do mundo onde transitoriamente decorrem as nossas vidas. Ora, não tendo ligações políticas até há três, quase quatro anos, quando comecei a militar no PAN – Pessoas, Animais, Natureza, decidi colocar a minha voz, o meu empenho e o meu amor ao serviço da construção de um mundo melhor. Começando evidentemente, pelo meu país natal, mas com a consciência de que, vista do céu, a Terra é só uma e não tem fronteiras.

Liberdade Incondicional é o lema que sustenta a sua candidatura. Que objetivos a norteiam?

Nós não somos livres, mas vivemos (ainda) num regime onde podemos alcançar a nossa liberdade individual e, consequentemente, desejar a liberdade coletiva. Este desejo, este desígnio, assenta no imperativo de ACORDAR consciências. A começar pela nossa. Estamos entorpecidos, infelizes. Desinformados e desatentos. É exatamente assim que o poder nos deseja, porque é muito fácil manipular uma população levada a este extremo da fragilidade. Estamos divididos em ghettos. Por cor de pele, por sexo, por casta (económica), por orientação de género, por fés. A maior parte de nós é excedentária – desempregados, de curta e longa duração. Velhos, sem produtividade «digna» de registo. «Uma fonte de despesas» - como o poder os classifica. Já as crianças… são interessantes porque têm uma palavra muito importante a dizer, direta e indiretamente, no consumo de bens. Mas fora disso, são muito pouco respeitadas, haja em vista o que se está a fazer com o ensino. E essa é a ponta do icebergue.

Portanto, é a nossa coletiva liberdade que está profundamente em risco. Mas também, e em toda a história da humanidade, nunca houve tantas possibilidades de mudar o curso dos acontecimentos. Como? Através da educação e da cultura. Através da assunção de que a imaginação é sempre criadora, que molda e muda o mundo. Vem daí e de muito mais, o meu lema Liberdade incondicional.

O que poderia mudar para as mulheres (e homens) se uma perspetiva feminina chegasse ao poder?

Temos seis mil anos de muito maus exemplos fornecidos pelo sistema patriarcal. Está documentado – desde a invenção da escrita, portanto. Temos seis mil anos de guerras, sempre pelo poder e sempre em nome de qualquer coisa muito sublime. Os últimos motivos para justificar a insanidade dos conflitos, agora à escala global, já não invocam deuses, mas apoiam-se noutra ideia-força, igualmente poderosa, a paz. E em nome da paz, chegamos aos limites de caos, destruição e maldade. É tempo de quebrar este ciclo mortal. Somos pessoas. Somos humana gente. Com o nosso contributo, nosso das mulheres, entenda-se, vamos mudá-la. Mais do que nunca, é vital, para a humanidade, que a mulher se faça presente e em força nos centros decisores de poder, tal como ele está reconfigurado. De forma a podermos, todas e todos juntos, alterar esta reconfiguração destruidora até à sua raiz.   

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