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Notícias 6. 2. 2018

Hijab: é possível chegar à liberdade de escolha?

by Sara Andrade

 

Um relatório do governo iraniano diz que metade do país quer deixar de usar os tradicionais lenços na cabeça.

© Getty Images

O Presidente Rouhani divulgou um estudo que mostra a mudança drástica na opinião da população no que à obrigatoriedade do uso do hijab diz respeito - 49% dos iranianos acreditam que a utilização da peça deve ser uma escolha privada e não uma lei. O estudo, publicado este domingo, mostra um crescimento na oposição à regra e surge apenas dias depois da polícia confirmar que dezenas de mulheres foram detidas na sequência de protestos contra o uso do lenço para cobrir a cabeça.

 

Comparando dados recolhidos em 2006, 2007, 2010 e 2014, o trabalho mostra que em 2006, 34% da população do Irão achava que o governo não devia ditar o que as mulheres usam, número que aumentou para 49% em 2014, confirmando um declínio acentuado no apoio à restrição legal sobre o vestuário das mulheres, que foi uma das maiores alterações trazidas pela Revolução Islâmica de 1979. É possível que os dados de 2017 se revelassem com valores ainda maiores, asseguram as mulheres locais.

No estudo, e em paralelo, o número de apoiantes sobre o uso do chador (vestuário que cobre todo o corpo feminino, deixando apenas a face à vista) desceu de 54% para 35%, entre 2006 e 2015, bem como os defensores de sanção policial sobre as mulheres que não usem hijab, que baixaram de metade para 39%.

Já há 40 anos, desde a Revolução, que as mulheres uranianas têm têntado refutar a norma do uso obrigatório do lenço e a sua luta ganhou novo fôlego bo final do ano passado, depois de uma mulher de 31 anos, que ficou conhecida como a "rapariga da Rua Enghelab", subiu a uma caixa nesta rua (cujo nome significa Revolução) em Teerão, com a cabeça a decoberto, acenando com o seu lenço branco preso num pau. Vida Movahed, como se chama, tem sido considerada uma heroína e pioneira nesta luta contra a obrigatoriedade do hijab. Movahed, mãe de uma criança de 19 meses, foi detida ao longo de várias semanas, antes de ser libertada sob custódia a 26 de janeiro.

Narges Hosseini é outra ativista iraniana que foi presa a 30 de janeiro por ter seguido o exemplo de Mohaved em solidariedade com a conterrânea, mais uma história que despertou a atenção internacional e desencadeou outra série de protestos.

Além dos protestos públicos, há mulheres a partilhar fotos de si próprias em público com as cabeças descobertas - um pedaço de história que está a ser colecionada no website My Stealthy Freedom. Pode ser o primeiro passo para um salto gigante no que aos direitos das mulheres no Irão diz respeito.

Cniluxury - MRec