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Feminismo mágico na Disney

O filme A Bela e o Monstro é uma adaptação em imagem real do clássico de animação da Walt Disney, numa versão que moderniza as personagens clássicas para um público contemporâneo. Sim, é uma Bela diferente. Feminista. A estreia é já no próximo 16 de março.

02 Mar 2017 • 15 39 H

Esta Bela é diferente. É feminista. Só assim se explica o sim de Emma Watson à proposta da Disney neste retorno de A Bela e o Monstro, marcado para 16 de março.

We should all be feminists. A mensagem é forte e faz toda a diferença. Foi estampada numa T-shirt e apresentada no primeiro desfile de Maria Grazia Chiuri para a Dior, a primeira mulher a assumir o cargo de diretora criativa da maison francesa. Foi um sucesso numa altura em que o movimento feminista estava (e continua) em crescendo. Contagiou tudo e todos. Até hoje. E expandiu-se a todos os campos.

A prova está no facto de a Walt Disney não lhe ficar indiferente. Em grande medida graças à escolha de Emma Watson para protagonista do filme A Bela e o Monstro. Este remake será uma reinterpretação diferente do clássico infantil, com um cunho mais moderno e contemporâneo, mas ao mesmo tempo muito parecido com o filme original (1991).

O trailer do filme é capaz de provocar um misto de emoções. Nostalgia. Entusiasmo. Nervoso miudinho. Os momentos mais memoráveis da história estão lá e todas estas emoções vão ser experienciadas por um público sem idade fixa, desde os mais pequenos aos mais seniores. Recorda-se a icónica cena da dança final. Observa-se o caminho da Bela até ao castelo para embarcar numa aventura pela casa encantada. Cogsworth (o relógio) e Lumière (o candelabro) falam sem parar, num dos muitos diálogos divertidos entre os objetos encantados. Aparece a rosa que guarda uma horrível (mas didática) maldição: nunca se fiem nas aparências. A Mrs. Potts põe tudo no sítio. Gaston inventa um plano terrível com Le Fou. E acima de tudo, permanece a grande história de amor entre a Bela e o Monstro.

Está lá tudo. Tudo o que deveria para se reviver as memórias de infância. Mas se está à espera de uma Bela submissa, desengane-se. Emma Watson aceitou este desafio, mas como seria de esperar, comprometeu-se com a ideia de fazer desta uma versão muito melhorada, capaz de redimir a Bela de 1991 marcada pela síndrome de Estocolmo – basicamente, pelos convencionalismos machistas.

Há algum tempo que a Disney centra todos os esforços na reescrita do discurso perante uma sociedade que aclama cada vez mais a igualdade entre homens e mulheres. Eliminar o tom sexista de alguns dos filmes míticos tornou-se uma prioridade. Adaptações e versões modernas como esta (e, num futuro muito próximo, Mulan) ou a criação de personagens como Anna e Elsa do filme Frozen, Merida de Brave e Tiana de A Princesa e o Sapo procuram sobretudo erradicar as mensagens nocivas com que cresceram as gerações anteriores.


Bela é (agora) feminista

Este remake foi analisado e pensado ao mais ínfimo pormenor pela fábrica Disney, com cenários e figurinos – desenhados por Jacqueline Durran – que apresentam uma notável semelhança com o filme original. A margem de erro é impercetível.

Mas esta é também uma reinterpretação moderna e contemporânea. Uma nova versão do conto. Em A Bela e o Monstro de 2017, a princesa começa por ser convertida numa inventora. De quê? De uma espécie de máquina de lavar a roupa que lhe permite usar o tempo ganho na sua verdadeira paixão: a leitura.

Emma Watson, a atriz que dá a cara à personagem, não se mostra apreciadora do rótulo de "rapariga estranha que gosta de livros" e decidiu juntar alguma complexidade à história pessoal da personagem. Um ponto a ter em conta – e uma escolha muito acertada – num filme em que o foco são as aventuras de uma princesa que não tem medo de desafiar os padrões típicos do seu tempo e que luta para se converter na mulher que realmente quer ser.

Também os corpetes foram "vítimas" desta reinterpretação. Desapareceram das vestes da personagem, tal como já tinha acontecido na vida real há alguns anos, por oprimir e limitar os movimentos das mulheres da época (estamos a falar do século XVI). Anos depois Coco Chanel – uma das responsáveis pelo movimento de libertação das mulheres – recusou-se a usar esta peça sob qualquer circunstância. Que sentido teria recuperá-lo? Nenhum. Até porque esta é uma princesa muito ativa. Em prol da defesa dos princípios feministas, Emma Watson recusou-se a vestir esta peça de vestuário na rodagem do filme.

Além disso, foram feitas também pequenas alterações no guião que reforçam a independência da personagem.


Elenco perfeito

Quanto mais analisamos o remake, mais convencidos estamos de que a escolha do casting foi perfeita. A atriz britânica levou para o grande ecrã o discurso que vem a defender desde que deixou o papel de Hermione Granger em Harry Potter. Tornou-se embaixadora da Boa Vontade das Nações Unidas, lançou o movimento solidário de igualdade de géneros HeForShe e fez um discurso impactante que deixou todos com um formigueiro há dois anos em Nova Iorque. Recentemente lançou um clube de leitura feminista – um novo projeto que vai pôr toda a gente a falar sobre esta questão. Resumindo: mais do que a atriz que protagonizou um dos filmes mais influentes da História, Emma Watson é um ícone feminista para a geração mais jovem.

Quem acompanha a atriz nesta aventura é Dan Stevens, no papel de Monstro, depois da participação na série de televisão Downton Abbey. Realizado por Bill Condon, o filme conta com um elenco composto por Luke Evans (Gaston), Ewan McGregor (Lumière), Emma Thompson (Mrs. Potts) e Ian McKellen (Cogsworth).


Pura magia da Disney

O filme A Bela e o Monstro é uma adaptação em imagem real do clássico de animação da Walt Disney, numa versão que moderniza as personagens clássicas para um público contemporâneo.

A jovem brilhante, bonita e independente é aprisionada por um Monstro no seu castelo. Apesar dos seus receios, torna-se amiga dos empregados encantados do castelo e consegue ver para além do terrível exterior do Monstro quando começa a conhecer a alma e o coração do verdadeiro príncipe que vive no seu interior.

O filme entra automaticamente na história e a banda sonora promete converter-se num dos seus pontos fortes (há quem diga que pode chegar a ser objeto de colecionador!). Esta nova versão mantém-se fiel à música original, com Alan Menken como responsável (vencedor de um Óscar em 1991), mas é atualizada com novas canções. Estão confirmadas participações de Céline Dion (How Does A Moment Last Forever será o título da música cantada pela canadiana), Ariana Grande e John Legend. Estes últimos interpretam, juntos, o tema principal. Emma Watson também entra neste rol. Aliás, um dos teasers mostra a atriz a cantar a música que serve de introdução à sua personagem.

O filme tem estreia marcada para 16 de março de 2017.

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