Alerta Vermelho


Se Helena de Tróia fosse loira, talvez a História Mundial se escrevesse de outra forma. Mas era ruiva. Tal como tantas outras personalidades que fazem das madeixas escarlates uma canção de amor à beleza.

Alerta Vermelho


Se Helena de Tróia fosse loira, talvez a História Mundial se escrevesse de outra forma. Mas era ruiva. Tal como tantas outras personalidades que fazem das madeixas escarlates uma canção de amor à beleza.
10 Abr 2017 • 16 40 H



Algures entre o um e o dois porcento, situa-se a comunidade mundial com cabelo de fogo. Se antes os ruivos foram alvo de exclusão – ao ponto de chegarem a ser vítimas sacrificiais no Antigo Egipto -, agora esta lufada de ar fresco que se afasta do loiro ou do moreno é objeto de veneração, sendo a cor de cabelo mais rara entre os seres humanos (o facto de o cabelo ruivo envelhecer mais tarde – primeiro torna-se loiro, e só depois branco – ajuda à admiração).

Quase dourado ou perto do castanho, e em todos os tons intermédios, o ruivo (talvez por se aproximar tanto do vermelho) é o tom da paixão, da sedução, da sensualidade inata. Cleópatra, Afrodite, Rainha Isabel I, Rita Hayworth ou mesmo Jessica Rabbit são imagens adoradas de poder e adoração, ícones de beleza e referências constantes a uma feminilidade sem comparação. Assim, pintado ou natural, o cabelo ruivo afigura-se como a elite das cores, a diferenciação de uma casta, a nata da nata de uma percentagem reduzida e intrigante que estabelece novos parâmetros estéticos.

Cada vez mais elogiada, cada vez mais valorizada e cada vez mais rara, a extinção já prevista desta classe superior deverá permanecer em argumentos de ficção científica. Porque como cantou Bruce Springsteen: ““Well brunettes are fine man, And blondes are fun, But when it comes to getting a dirty job done, I’ll take a red headed woman…”

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